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THE STROKES EM LISTA DE FIM DE ANO + ALBERT SOBRE O NATAL PARA NME

Fim de ano, época de listas de músicas e discos. Alguns números emplacados por The Strokes e Albert Hammond Jr em 2013:

  • 41º lugar para Comedown Machine na lista de melhores do ano da NME — Albert comentou suas três faixas favoritas do disco para a revista, tradução abaixo da imagem:

ALBERT4NME_2013

“Happy Ending” — Eu amo o refrão – faz com que você queira cantar com Julian. Soa divertido.
“One Way Trigger” — Para mim parece triste, mas é bom que ela seja triste. Eu acho que soamos diferente do primeiro disco. É um tempo diferente na vida.
“Welcome To Japan” — É na verdade uma música que Nick [Valensi, guitarrista] tinha. Então é uma mistura de duas músicas e nós jogamos fora a outra música.

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Albert respondeu ainda algumas perguntas rápidas sobre o Natal e o que aconteceu em 2013 para a NME. Tradução a seguir:

ALBERT4NMEXMASQual foi seu pior Natal?

Ano passado eu estava adoentado e sozinho em meu apartamento. Eu tinha terminado com a minha namorada e todo mundo estava com suas famílias. Eu só assisti filmes, fechei as cortinas, comi miojo e tomei Vick. Foi bem deprimente. Este ano vai ser maravilhoso, mas meu Deus, você pensa em muitas maluquices quando está sozinho desse jeito.

O que você vai lembrar de 2013?

Eu gravei e lancei as melhores cinco músicas que já escrevi. Sei que estou em uma banda de sucesso, mas apenas sendo o guitarrista e não o cantor, não é um dado que se possa voltar atrás. Eu não quero ser chato sobre isso, mas estou totalmente correndo o risco.

Qual música de Natal você secretamente queria poder ouvir durante o ano todo?

“The Chipmunk Song” de Alvin e Os Esquilos. Christmas With The Chipmunks foi o primeiro vinil que eu tive quando era criança.

Conte-nos uma piada de Natal.

Rosas são vermelhas, violetas são azuis, se não fosse o Natal, seríamos todos Judeus.*

*A rima está em inglês.

 

 

Q MAGAZINE: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE (4 ESTRELAS DE 5)

Faltando mês para o lançamento de Comedown, enfim saiu a primeira resenha do disco, da Q Magazine.

Q MAG

Q Magazine: Comedown Machine (4 estrelas de 5)

por Niall Doherty

The Strokes estavam tão perfeitamente formados durante sua chegada em 2001 que havia uma sensação de que se eles alguma vez se separassem, eles nunca seriam colocados juntos de novo do mesmo jeito. Bandas de rock de garagem eram ‘dois centavos’ para a maioria dos anos 2000, então é fácil esquecer que tipo de viradores de jogo eles eram, puxando o banquinho de bandas de baixo como Travis, Turin Brakes e Starsailor. Para ser mais direto, ninguém tinha visto alguém ficar tão bem numa jaqueta de couro por muito tempo.

Mas isso foi há 11 anos. Quando Q entrevistou a banda – vocalista Julian Casablancas, guitarristas Albert Hammond Jr e Nick Valensi, baixista Nikolai Fraiture e baterista Fabrizio Moretti – em 2011, logo depois do lançamento do 4º disco Angles, a mentalidade do grupo estava desgastada. Se antes eles eram como irmãos de sangue como em The Outsiders, de Francis Ford Coppola, agora eles mal se falavam. Valensi culpava Casablancas. Fraiture culpava Hammond Jr, Hammond Jr culpava as drogas. Casablancas culpava todos. Ninguém culpou a si mesmo. O álbum resultante teve um grande momento – a crise melancólica em Under Cover of Darkness – mas todo o resto soava meia boca e inacabado. The Strokes tinha esquecido como ser The Strokes.

Essa crise de identidade é o que torna seu 5º álbum funcionar. Eles soam como eles mesmos – aqueles tensos golpes rítmicos, cortes de guitarra sustentando os vocais suspirantes de Julian Casablancas – mas nada como eles mesmos ao mesmo tempo. O estridente pop de One Way Trigger, lançado para download gratuito no final de Janeiro, é um aperitivo perfeito para o restante do álbum. Assim como aquela música fez muitos se perguntarem se The Strokes tinham descoberto A-ha, há uma ranhura dos anos 80 de mexer os quadris que passa pela linha central de Comedown Machine. Em seu próprio jeito disfuncional, The Strokes soam como se estivessem se divertindo.

O brilho da produção está um mundo além das gravações no-fi do seu álbum de estreia e do seguinte Room on Fire, mas Comedown Machine compartilha a natureza concisa daquelas marcas do início da carreira. Tap Out é uma abertura um tanto sonhadora com influências Gálicas, com as arejadas mudanças vocais de Casablancas sugerindo que Human League poderia ter tido alguma radiodifusão nos discos de A-ha. Maravilhosamente, influências estranhas aparecem em todo lugar, os obstáculos prolixos do refrão de Welcome to Japan parecem ter sido trazidos diretamente do hit Get Up! (Before the night is over) de Technotronic.

Mesmo quando aumentam o ritmo, há uma restrição que caracteriza Comedown Machine, até mesmo em seus momentos de rock mais resistente. Nesse sentido, parece seu disco menos nova iorquino até agora; é um álbum de luz e espaço, nada correu enquadrado. Essa abordagem é mais bem capturada em Slow Animals, toda a suavidade das guitarras se construindo lentamente em torno do falsetto sussurrado de Casablancas.

É impossível saber se The Strokes estão em terreno seguro como banda – no momento de divulgação eles insistem em não fazerem entrevistas ou novas fotos que devem acompanhar seu novo álbum – mas talvez fechar-se para o mundo tenha feito bem a eles. Comedown Machine é o melhor álbum desde que eles alcançaram a perfeição com seu primeiro disco. Você prefere pensar que eles estão entrando numa nova vida como banda. Vindo de The Strokes, poderia também sua agridoce despedida.

Download: Tap Out / All The Time/ 50/50 / Slow Animals