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ENTREVISTA — ALBERT SOBRE OS STROKES: “ACHO QUE NUNCA VAMOS PARAR […] ESTAMOS APENAS JUNTOS”

Ontem (26), durante o programa na BBC de Zane Lowe, o jornalista bateu um papo com Albert antes de divulgar sua novíssima faixa “Rude Customer” (que você pode ouvir aqui).

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Nosso querido Zane, que sempre tá promovendo primeiras execuções de faixas dos Strokes e seus integrantes, é fã declarado da banda e mesmo colocando palavras na boca do Albert, conseguiu certamente a melhor “entrevista” que tivemos desde o lançamento do Comedown Machine no que toca o assunto The Strokes.

Confiram a tradução a seguir:

Zane Lowe: Eu sempre penso naquele icônico comentário que o Julian fez no começo, que foi “Se nós pudermos ser tão bons como Guided By Voices, eu serei feliz.” Vocês de certa forma estão meio que voltando para esses pontos de partida que inspiraram vocês, ao que parece.

Alber Hammond Jr.: Isso estranhamente acontece às vezes. Eu tenho percebido que você sempre meio que acaba voltando para suas raízes iniciais. Você tem esse começo e depois muda muito rápido para coisas diferentes porque você se empolga e você cresce. Então de repente, você meio que lembra daquilo de novo porque foi a faísca de toda a história, e leva você para outra direção. Não posso dizer ao certo, já que estou no meio disso, se isso é algo normal, se isso acontece sempre ou se é apenas algo que estou vivenciando agora e nunca vou experimentar de novo.

ZL: Nós adoramos esse  EP de cinco faixas, e você parece bem feliz e de certa forma livre. Parece que você está fazendo a música que quer fazer e não há nada sobre os seus ombros aqui.

AHJ: Não poderia existir melhor descrição. Quando fui fazer música com Gus (Oberg, produtor), chegamos em um ponto em que eu tinha músicas suficientes e senti que precisava gravar para meio que escrever músicas novas. Eu estava bem empolgado. Nos sentamos e não íamos fazer nada; não era como se tivéssemos algo acabado, e cada dia tínhamos uma música. Todo dia era como “Oh, uau, isso pode ser algo.” Isso simplesmente deixou a gente bem excitado e em seguida empolgamos o Julian, que depois nos animou para fazer um EP. Mas nunca foi, “Ok, temos que fazer outro.” Era mais “Isso! Vamos fazer mais uma.” Tudo nos levava a mais.

ZL: Isso é o que é engraçado sobre toda essa situação com você e seus amigos, e os Strokes também, é que me parece — e por favor me corrija se eu estiver errado — mas, sabe, o modo como vocês estrearam com um canhão de empolgação, essa chama azul que estourou de forma tão clara e rápida, parece que de certa forma, aspectos da banda ou certamente a banda estava tentando ganhar alguma perspectiva sobre isso — ganhar algum controle da situação — e só agir tipo “Olha, nós apenas queremos ser esta banda, não necessariamente aquela banda.” E agora me parece que vocês meio que alcançaram isso. Eu vejo Comedown Machine, vejo onde você está agora com o seu EP, vejo onde vocês estão e parece que vocês são a banda que sempre quiseram ser, que é serem julgados por suas próprias expectativas, fazendo as coisas com o andamento que vocês desejam e vocês parecem dissipar tudo isso com sucesso. Soa justo?

AHJ: É, eu acho que no processo não é como algo resolvido, mas definitivamente é algo, de modo positivo, que tem acontecido. Não percebemos que isso pudesse acontecer. Agora acontece algo que não aconteceria quando nós começamos.

ZL: Acho que o que estou tentando dizer é que, de certa forma, durante o tempo em que vocês estiveram em hiato, eu não tinha certeza se íamos ter outro disco dos Strokes. Agora eu sinto, como um fã, que eu acho que vocês poderiam fazer 10 álbums dos Strokes.

AHJ: A propósito, tudo que você disse e descreveu sobre a minha vida é melhor de que eu descrevo. Eu quero pegar essa citação sua porque eu não vou repetir isso de novo. Mas sim, nunca senti tanto isso como sinto agora também. Pode ser que haja momentos em que não estamos trabalhando juntos, mas acho que nunca vamos parar. Meio que chegamos a um ponto — temos feito isso por tanto tempo e passamos por tantas coisas — que assim, por que anunciar alguma coisa além das coisas que estamos fazendo? Não é como se nós vamos ficar “Oh, terminamos a banda.” “Oh, estamos juntos de novo.” Estamos apenas juntos.

*Agradecimentos ao Eric do The Strokes News por transcrever e compartilhar a entrevista.

BBC: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE

Continuam vindo mais e mais resenhas. Essa foi publicada no site da BBC, dia 13 de março, e o original vocês podem conferir no link ao final do post.

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Músicas pop brilhantes – e algumas vezes, isso é tudo que realmente importa. por James Skinner

Pra todos que estavam na imprensa musical na virada do século, The Strokes eram onipresentes.

Aclamados como os salvadores da cena alternativa que tinha crescido e estava estagnando, eles explodiram nas mentes do público com o EP The Modern Age seguido de Is This It, um dos mais perfeitos álbuns de estreia da história recente.

A carreira deles desde então – assim diz o senso comum – é uma curva decrescente: álbuns que nunca alcançaram a referência inicial, brigas internas, lançamentos solo e um longo hiato.

Mas talvez seja a hora do senso comum ser um pouco revisto. Depois de tudo, o triunfo de Is This It não derrubou o apelo da estética desgrenhada nem a ideia de que a banda seja um azarão.

Celebrando o passado enquanto buscam algo contemporâneo e significativo, a estreia foi bem sucedida porque estava cheia de brilhantes canções pop.

E aqui está o negócio: The Strokes sempre tiveram brilhantes músicas pop. Talvez não seja tão fácil esses dias: as gravações para Angles, 2011 teriam sido cheias de tensão.

Claro, talvez a magia inicial não seja sentida tão fortemente. Mas o acertar-e-errar que perpassa toda sua discografia é notável.

O mesmo acontece em Comedown Machine. As músicas aqui podem demorar um pouco mais para emplacar que as predecessoras, mas nenhuma delas tem uma nota falsa. Embora a marcante assinatura do grupo esteja presente e correta, elas formam o pano de fundo para uma ampla variedade de estilos e abordagens.

Mais do que nunca, a ênfase está em um groove apertado como a faixa de abertura Tap Out. A seguinte All the time é bem como manda o figurino, mas os sinais ‘A-Ha’ de One way trigger são um pouco estranhos e mais originais.

A quase-música-título 80’s Comedown Machine é uma grande representante da década, como o nome indica. Ela encontra Julian Casablancas em uma forma pesarosa e mostra como The Strokes se abrem a novas possibilidades aqui.

Welcom to Japan é sedutoramente estranha, Slow Animals apresenta um agridoce refrão, enquanto finalmente Call it Fate, Call it Karma é, de algum modo sonhadora, a coisa mais incomum que eles já fizeram.

Músicas pop brilhantes, então. Algumas vezes, isso é tudo que realmente importa.

Fonte: BBC Reviews

Tradução: Equipe TSBR

PRIMEIRA ENTREVISTA SOBRE COMEDOWN MACHINE COM NIKOLAI

Depois de conversa no twitter, Niko e Zane conseguiram combinar uma entrevista leve que foi ao ar hoje na BBC Radio 1. É a primeira vez que um integrante da banda se pronuncia sobre o quinto disco. Aparentemente eles não querem muito contato com a imprensa dessa vez.

Vocês podem ouvir a entrevista clicando na foto a seguir, e logo abaixo destacamos algumas das informações mais importantes.

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“Sendo entrevistado por @ zanelowe no alpendre velho de Bob Dylan no West Village”

 

Em resumo, Niko afirmou na entrevista que eles gravaram no Electric Lady Studios em NYC, todos juntos dessa vez, diferentemente do que aconteceu em Angles. Ele disse também que houve altos e baixos durante o processo de gravação, mas que isso é normal, e em geral se sente bem com o clima na banda atualmente.

O mais intrigante está no que foi dito sobre uma eventual turnê. No momento em que Zane perguntou se haviam planos de uma turnê, Niko pausou por um segundo para responder que “não sabe” e solta um risinho, Zane soltou uma gargalhada de volta e mudou a pergunta, perguntando se pessoalmente ele gostaria de sair em turnê, a resposta de Niko foi que ele “adoraria”.

Antes que haja um surto geral de quem espera vê-los ao vivo, por favor, não se precipitem. Pelo tom de voz do Nikolai e os risos, o “eu não sei” soou mais como um “eu ainda não posso falar sobre isso”, então vamos ser otimistas de que eles podem estar preparando tudo em segredo como aconteceu com a gravação e lançamento de Comedown Machine, às escondidas.

Agradecimentos a Louise por ter gravado o audio.