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Tradução — Entrevista com Julian Casablancas para Les Inrocks

Fotografia: Liliane Callegari

Julian Casablancas, a entrevista: “Eu ainda estou com raiva”

por JD Beauvallet

À margem dos Strokes, Julian Casablancas encontrou uma gangue de durões tatuados para tocar juntos um rock físico. Punk, new-wave, hardcore: o americano revisita com voz perfeita as músicas agitadas de sua adolescência. Mas com a consciência política de um adulto.

Seu novo grupo, The Voidz, é uma forma de escapar da pressão dos Strokes, de reencontrar a leveza?

Não, o desafio é mais forte com The Voidz, me obriga a cavar mais fundo, a enfrentar as coisas que eu tendia a evitar. Esses últimos anos, com os Strokes, o que mais importava pra mim era que nos dávamos bem, estou aberto aos outros. Eu queria que em cada canção, estivéssemos felizes, positivos. No começo, eu sem dúvida me importava menos com os desejos e as reações de cada um. Foram necessários anos para não haver mais guerra nos Strokes. Então, hoje, estamos em paz, avançamos na mesma direção. Sem dúvida hoje será mais fácil apresentar minhas ideias malucas aos Strokes… por muito tempo, se eu chegasse falando: ‘vamos fazer uma introdução de mais de dois minutos’, eles me olhariam como um marciano (risos)…

Você se sente mais à vontade com The Voidz?

Mesmo estando à frente, não é preciso acreditar que The Voidz representa meu ego. É preciso usar a mesma força de convicção que com os Strokes pra mover os outros. Levei algum tempo para encontrar pessoas com quem estivesse exatamente no mesmo comprimento de onda, humanamente, musicalmente. Nos sentimos fortes como uma gangue com The Voidz… A primeira vez que cruzamos juntos Nova Iorque às três da manhã, nos olhávamos e pensávamos: ‘caramba, eu não passaria por esses caras à noite num beco’ (risos)… Nós cuidamos uns dos outros, somos irmãos.

Um dos aspectos estranhos de seu álbum Tyranny é a justaposição entre um som explosivo, bastante colérico e o canto cada vez mais melancólico, desiludido…

São sem dúvida os temas que pedem esse tom. Eu quero oferecer um pouco de esperança no fim, mas no caminho, vou forçosamente atravessar passagens esmagadoras. É o preço a pagar pelo realismo. Continuo com raiva, há sempre esse sentimento de desespero e fúria em mim. A diferença, é que hoje o sentimento é de jogar contra o relógio. Eu sei que vivemos totalmente em uma bolha, no castelo de Versailles (risos)… é preciso que vejamos as coisas com nossos próprios olhos para acreditar nelas: a menos que sejamos violentamente vítimas do sistema, nos acomodamos, nos fazemos de avestruz. Quando voltamos aos sistemas feudais tirânicos como da Idade Média… vivemos totalmente uma ilusão de democracia: quanto mais de nós reconheçamos o interior de nossa bolha, melhor será.

Você se sente mais exasperado/irritado com a idade?

Não me sinto nem político, nem radical. Mas muitos artistas são insensíveis à moralidade: é meu cavalo de batalha. Os anos Bush sem dúvida abriram meus olhos… O objetivo da música deveria ser de oferecer uma escapatória a essa realidade, eu sei bem. Mas tenho a sorte de ter um microfone, eu não posso tratar o que faço de forma leve. O verdadeiro desafio, é de ser universal, de poder ser compreendido por todos em todos os lugares. É por isso que frequentemente uso frases de duplo sentido, para que ninguém se sinta excluído. Mas em Tyranny, havia sem dúvida uma necessidade de ser mais preciso, porque o inimigo é muito mais visível a olho nu, os problemas aparecem mais claramente. Não era uma vontade: era a situação que, nos últimos anos, me levou a escrever essas músicas.

Você já pensou em escrever além de música, artigos, por exemplo?

Concordo, não acho que a música pop seja suficiente. É um veiculo para transmitir minhas pequenas reflexões ao grande público. Mesmo essa magra contribuição pode ajudar. Mas escrever artigos, não, muito trabalho pra mim (risos)… eu preciso da música pra escrever. Por exemplo, meu poeta preferido, Rumi, escrevia sobre a música – e eu nem me comparo, hein?

A música de Tyranny – punk, new-wave, hardcore – é pra você tingida de nostalgia?

Sempre gostei da intensidade das músicas hostis, agressivas. Mas também amo as coisas muito pop, e poucos grupos tiveram sucesso, como Nirvana, em reunir os dois. Minha prática de música vai nesse sentido, eu não ouço necessariamente os discos, mas um clássico praiano, um pouco de hip-hop, depois outro country alternativo totalmente louco…

De fora, temos a impressão que sua participação em Random Access Memories de Daft Punk revolucionou sua maneira de cantar. A experiência foi tão forte?

Eu os adoro, estou orgulhoso de ter sido convidado, eu cheguei a ganhar uma pequena estatueta do Grammy graças a eles. A canção Veridis Quo é sem dúvida uma das minhas favoritas de todos os tempos. Muito se fala de suas bases funky, que também amo, mas o que me toca mais é seu lado barroco. Sua maneira de misturar o clássico e o sintetizador é realmente mágica. Quando ouvi a canção que me propuseram, Instant Crush, imediatamente pensei em Veridis Quo, em sua simplicidade. E minha primeira reação foi dizer: ‘deixe instrumental, não a estrague com a minha voz!’ Trabalhar com eles nos obriga nos superar. Talvez eles quisessem que eu cantasse como Strokes, com aquele canto grave como Lou Reed… Mas eu disse que queria um capacete, um codificador de voz, me tornar um robô vermelho vivo. E cantei os agudos, pela primeira vez.

Onde estão os Strokes?

Fizemos alguns shows esse ano, compusemos algumas músicas. O ambiente é bom, positivo, e já não era esse o caso por algum tempo. Sem dúvida iremos nos reencontrar em janeiro para trabalhar em novas ideias. Mas não se empolgue muito: isso pode levar dois ou três anos.

Tradução: Equipe TSBR

Fotografia: Liliane Callegari

(Leia a  entrevista original em francês no site lesinrocks.com)

Novo vídeo de Julian Casablancas + The Voidz para a música “Where No Eagles Fly”

Depois dos 11 minutos de Human Sadness, a progressão do disco “Tyranny” de Julian Casablancas + The Voidz é um soco. “Where No Eagles Fly” — que já foi exaustivamente tocada pela banda ao vivo — é agressiva, e já ganhou um vídeo oficial. Assista a seguir:

No email enviado por Julian hoje foi também compartilhada a letra da música (o que é muito importante porque não é fácil entender muito daqueles gritos).

WNEF

LETRA DE WHERE NO EAGLES FLY

please, come on babe, they’ll end up all confused,
what’s the point of telling people if they won’t use it?

fly on the wall, bird of prey in the mall
it’s the eye in the sky, where no eagles fly

meat,
predators eat meat.
predators eat meat.

ceremony or a speech,
in a church or on a beach,
predators eat.

the wolf will cry sheep as they take him away,
we plot in our sleep but follow orders all day

the rhythm is for you but the song is for me,
the meaning might be secret but the melody is free

meat,
predators eat meat.
predators eat meat.

let all my big dreams sink in,
no one to enjoy it with.
oblivious… stay oblivious,
why can you not be more like me?
hiding in a nearby tree.

business, business, i forget,
pray for predators i guess
uh-oh, uh-oh, here we go, all our future’s thru that door

future future’s come to this, everybody cheats i guess
let’s go down to mexico, ‘there’s a couple guys i know’

all our future’s come to this, i don’t want my friends to know
all our future’s come to this, i don’t want our friends

“Tyranny” tem lançamento marcado para 23 de setembro deste ano e está disponível para pré-venda em formato digital, CD, cassette, vinil (a ser enviado no fim do ano) e USB/Isqueiro no site da Cult.

Julian Casablancas + The Voidz lança o primeiro single de “Tyranny”

Finalmente, foi liberada a versão oficial da música “Human Sadness”, que estará no novo álbum de Julian Casablancas com o The Voidz, intitulado “Tyranny”. A canção chegou a aparecer no vídeo do teaser do disco (a partir de 1:13), e para a nossa surpresa tem quase 11 minutos de duração. Uma demo da faixa já havia sido liberada na internet como trilha sonora para o curta “The Unseen Beauty” de Sam Adoquei, padrasto de Julian.

Ouça a música:

A letra de “Human Sadness” foi enviada por email (com o título “don’t be sad”) para todos registrados no mailing da Cult Records e olha, está uma coisa fina. Veja ao fim do post clicando em “mais…”.

TYRANNY_VOIDZ_HR_REVIZED

E as novidades não param por aí. Foi divulgada também a tracklist oficial de “Tyranny”, aquela compartilhada na fanpage de Julian foi só mais uma “zoeira” do vocalista. São no total doze faixas, listadas a seguir:

1. Take Me in Your Army
2. Crunch Punch
3. M.utually A.ssured D.estruction
4. Human Sadness
5. Where No Eagles Fly
6. Father Electricity
7. Johan Von Bronx
8. Business Dog
9. Xerox
10. Dare I Care
11. Nintendo Blood
12. Off to War…

“Tyranny” tem lançamento marcado para 23 de setembro deste ano e está disponível para pré-venda em formato digital, CD, cassette, vinil (a ser enviado no fim do ano) e USB/Isqueiro no site da Cult.

(Colaboração de Luciana Lino do Portal Tracklist.)
(mais…)

Megapost: The Strokes no The Cosmopolitan e FYF Festival (inclui Albert Hammond Jr e Julian Casablancas + The Voidz)

A segunda rodada de shows dos Strokes no ano de 2014 aconteceu na Costa Oeste dos Estados Unidos. Foram dois shows, o primeiro no dia 20 de agosto, em Las Vegas e com Albert Hammond Jr como banda abertura.

via @helloimjackysetlist_albert

 

“Quero agradecer aos Strokes por me ter abrindo o show deles”, Albert falou no meio do show.

Quanto ao show dos Strokes, subiram aos palcos com um atraso considerável, mas foram perdoados pela qualidade do show. Foi compartilhado um vídeo tremido, feito da plateia que estava no Cosmopolitan, mas do show completo:

A maior surpresa foi a volta de “Killing Lies” à setlist! A música não é tocada há muito tempo, desde a época da turnê do First Impressions of Earth, em 2006. O setlist oficial ainda marcava que “Tap Out” seria tocada, mas acabou não sendo.

O segundo show aconteceu em Los Angeles, no FYF Festival. No sábado, dia 23 de agosto, Albert Hammond Jr e Julian Casablancas + The Voidz tocaram, cada um com suas bandas. E a plateia aproveitou para cantar parabéns para o Julian:

https://www.youtube.com/watch?v=BovRFcICZQA

FYF Fest 2014 - Day 1 fyf julian

No domingo, dia 24 de agosto, os Strokes novamente atrasados – praticamente uma tradição da banda – apresentaram uma setlist parecida com a do Cosmopolitan, sem maiores novidades, além de “Killing Lies” mais uma vez. Confira fotos a seguir:

FYF Fest 2014 - Day 2 FYF Fest 2014 - Day 2 FYF Fest 2014 - Day 2 FYF Fest 2014 - Day 2 FYF Fest 2014 - Day 2 dannymasterson

 

Megapost — The Strokes e JC+The Voidz no Governors Ball, Nova Iorque (6 e 7 de junho de 2014)

Megapost duplo porque no tão esperado Governors Ball Music Festival aconteceram dois shows de nosso interesse!

Na última sexta (6 de maio), Julian Casablancas + The Voidz fizeram um show de sete músicas, entre elas seis novas e “Instant Crush”, lançada ano passado em parceria com Daft Punk. Sim, nenhuma música do seu primeiro lançamento solo Phrazes for The Young.

Uma novidade que veio junto com a setlist de músicas novas é que o disco com The Voidz tem lançamento previsto para setembro deste ano. (Via @stereogum)

Enquanto isso, ontem (7 de maio), The Strokes repetiram a setlist do show no Capitol Theatre (veja megapost do show aqui), desta vez para muito mais fãs e firmaram definitivamente que voltaram aos palcos em muito boa forma. Até mesmo amigos da banda estão reforçando o pedido de que eles façam uma turnê:

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O correspondente da Noisey, Eric Sundermann, escreveu o seguinte sobre a experiência do show e a vitalidade da banda: “Nós apenas dançamos. Nós apenas cantamos. Nós apenas nos lembramos como nossas vidas eram como quando ouvimos pela primeira vez as bizarramente belas progressões de acordes abafados de ‘Is This It’.” (Leia a resenha completa aqui, com lindas fotos.)

Acompanhando alguns comentários que andaram sendo feitos nas redes sociais, sabemos que Julian soltou um “YOLOOO” quando a introdução de “You Only Live Once” foi tocada. Sobre a interação da banda sobre os palcos, muitas brincadeiras, conversas ao pé do ouvido entre eles e sorrisos imensos estampados nos rostos.

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Para ver mais imagens do show, visite nossa galeria de fotos. E vídeos logo abaixo:

(mais…)

VÍDEOS DE JULIAN CASABLANCAS + THE VOIDZ NO SXSW

[atualizado em 2015, o vídeo completo do show, publicado anteriormente, saiu do ar]

Assista a um trechinho de Julian Casablancas + The Voidz tocando Glass, no SXSW que foi transmitido ao vivo por stream:

[Post original]

Na noite de ontem (14), Julian tocou no ilustre festival texano SXSW e o usuário do youtube Dave Meek fez o favor de filmar oito vídeos do show, em sua maioria de músicas novas.

Desde o último sábado (8), Julian tem feito pequenos shows nos Estados Unidos sem nenhum aviso prévio oficial em seu site. Os shows aconteceram em Washington DC (no Deep Space Arts, dia 8 de março), New Orleans (no One Eyed Jacks, dia 10 de março) e Flórida (no The Handlebar, dia 11 de março).

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No setlist acontece uma mistura de músicas novas com faixas do Phrazes, algumas dos Strokes (até agora, Reptilia e Ize of The World) e até mesmo “Instant Crush”, que ele gravou para o último lançamento do Daft Punk.

Hoje, Julian Casablancas + The Voidz toca novamente no SXSW e tudo indica que haverá livestream no site do The Fader.

Enquanto isso, Albert Hammond Jr segue em turnê, também com shows no SXSW. E alguns fãs chegaram a encontrar Fabrizio Moretti fazendo discotecagem por lá.

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O TSBR estará divulgando novas fotos e outros vídeos desses shows nas contas do Twitter e Facebook. Acompanhe a agenda de shows de Albert, Julian e dos Strokes no box “TURNÊS” aqui ao lado.