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Julian Casablancas em conversa com Jennifer Herrema – sobre tédio, estilo e as virtudes de se clonar

Entrevista publicada em 01/11/2018 na Hero. Introdução por Alex James Taylor. Entrevista por Jennifer Herrema. Fotos por Georgia Mitropoulos

Julian Casablancas está sentado no camarim do anfiteatro Starlight em Kansas City. Em turnê com sua banda The Voidz, tocando com Beck, eles estarão logo no palco para tocar faixas de seu segundo disco, Virtue.

Lançado no começo desse ano, essa segunda oferta da banda é um disco espiral e psicodélico. Se a estréia da banda de 2014 – Tyranny – coçou a cabeça, esse disco é mais uma massagem: um trabalho nas feridas e tensões. Seguindo dos solos esticados e fora de tom para sintetizadores sci-fi através de distorções de auto-tunes e uma série de tropos anos 80, Casablancas e companhia provam é possível encontrar conforto fora da caixa.

Além da música, o etos robusto e misturado pulsa na trajetória da banda: um conjunto desordenado, o grupo inclui músicos de vários diferentes grupos e projetos, todos reunidos pela amizade, apreciação musical e uma tendência a forçar os limites da ética até que se dissolvam deliciosamente.

É um modo de operação sônico – e esculpido – por uma certa Jennifer Herema, líder iconoclasta de Royal Trux, RTX e mais tarde, Black Bananas (também entrevistadora de meio período). Fã de Royal Trux, aqui Casablancas e seu companheiro de banda Jacob “Jake” Bercovici se conectam com Herrema via Skype, do camarim em Kansas City até Herrema na costa oeste.

Jennifer Herrema: Você está em turnê, certo? Indo bem?

Julian Casablancas: Sim, está indo bem.

JH: Você consegue me ouvir? Disseram que eu murmuro bastante.

JC: Conseguimos te ouvir. Me dizem que murmuro muito também, acho que é uma forma estranha de economizar energia.

JH: Sim, acho que você tem razão. Não que eu esteja sussurrando pra você, porque estou tentando ser profissional aqui. Mas sim, acho que você está certo, metade das coisas que murmuro não são tão importantes, quer dizer, falo comigo mesma. Eu tinha um gato, então agora é como se falasse comigo mesma porque não há mais gato [risos]

JC: Você tem tocado ultimamente?

JH: Sim. Acabamos de mixar um disco novo pra Royal Trux, ontem. Então estivemos trabalhando muito ouvindo as mesmas músicas de novo e de novo, sabe como é, certo? Então, onde vocês gravaram seu último disco, Virtue?

Jacob “Jake” Bercovici: Gravamos a maior parte em Los Angeles na casa do Beardo, meio que um pouco num estúdio aqui e ali, e um quarto, talvez.

JH: Por aí, por aí. Foi um processo? Vocês meio que começaram e então com o tempo… ou vocês disseram estamos fazendo um disco e então boom, estavam nisso?

JC: Erm, tivemos meio que uma coisa oficial quando passamos um mês num estúdio em Los Angeles e rascunhamos tipo 100 ideias, limitamos algumas e então fomos pra garagem do Beardo e colocávamos uma música em um dia ou a cada dois ou três dias.

JH: Legal, então não ficaram vagando por dois anos entre os discos? Ou quatro anos de jornada, certo? Foi só um intervalo?

JC: Sim, foi um longo processo, acho que os vocais levaram muito tempo, pra estarmos todos no mesmo lugar levou tempo. Mas sim, estamos sempre meio ocupados de certa forma.

JH: Você tem família, certo?

JC: Sim, tenho.

JH: Estar em diferentes lugares e ter diferentes responsabilidades realmente tende a reduzir o ritmo. Com a Royal Trux todo mundo está disperso, então juntar todos é difícil. Mesma coisa.

JB: A velocidade das gravações muda de quando você tem 19 anos e faz tudo em um dia ou o que for.

JH: Totalmente, também tem muito mais música. Não é como se eu ouvisse, realmente. Mas tem um monte de falação, conteúdo em todo lugar. Então acho que é interessante quando as pessoas fazem um disco que é mais reflexivo e toma tempo pra não jogar mais conteúdo no mundo de qualquer jeito.

JC: acho que o problema maior é turnê, se não tivéssemos que fazer turnê poderíamos facilmente fazer um disco por ano. Atrasa em termos de escrita, ao menos pra mim. É como se você tivesse que estar fora da turnê por alguns meses para juntar seus escritos em ideias e músicas.

JH: Então com Tyranny e Virtue, você escolheu títulos de uma palavra, estou no meio do processo de encontrar um título para meu disco, então estou interessada.

JC: Sim, bem, acho que estávamos meio que tentando reunir os títulos em um sentido. Uma das discussões que tivemos…é engraçado, minha mãe não sugeriu o título mas ela estava tipo “Ok, você disse que está contra algo, então a favor de que você está?” Então é mudar pra encontrar o lado positivo.

JH: Isso é legal. Totalmente sem sentido, mas eu estava ouvindo Tyranny… Blue Öyster Cult é uma das minhas bandas favoritas, então Tyranny and Mutation é um dos meus discos favoritos de todos os tempos e conta uma história esquisita. Estava ouvindo Virtue e sei que você é de Nova Iorque e a banda se chama The Voidz, você obviamente teve alguma influência de Richard Hell.

JC: Pra mim, a maior influência … eu lembro quando comecei e as pessoas nos comparavam com outras bandas de Nova Iorque, especialmente Television. Mas pra mim, aquele mundo de Nova Iorque começou com The Velvet Underground, eles foram meio que os padrinhos, de certa forma. Sendo assim, se você vive em Nova Iorque, você vai ser influenciado por eles e acho que é o porquê sempre vai haver similaridades entre as bandas. Eu não ouvi Television tanto assim, de fato eu acho que só os ouvi mais tarde. Então foi mais Velvet Underground e estar em Nova Iorque que nos influenciou, mais que a própria cena de Nova Iorque.

JH: Sim, entendi. Sua voz meio que lembra um mix entre Tom Verlaine e, acho que talvez Alex Chilton um pouquinho, pra mim.

JC: Tyranny foi gravado logo acima da Strand Bookstore em Nova Iorque onde a gerente tem um sobrado e ela aluga para pessoas artísticas e ecléticas, então havia compositores, gravadoras, e nós basicamente assumimos uma voz no estúdio e iríamos toda noite perto das sete, ou a hora que a Strand fechasse. De qualquer maneira, eu vi Tom Verlaine o tempo todo.

JH: Você falou com ele?

JC: Não.

JH: Droga.

JC: Eu sei, você nunca sabe o que fazer nessas situações. É difícil sentir a energia e pareceu que ele não estaria a fim.

JH: É, acho que não. Eu ouvi que ele se leva muito a sério. Eu deveria fazer uma entrevista com ele quando o último Black Bananas saiu, 4 ou 5 anos atrás. Minhas perguntas não eram todas sérias, mas eu conhecia sua ex-mulher muito bem, mas ele não estava a fim. Ele queria falar sobre a natureza linear de como esse som de Nova Iorque se transformou. Eu não liguei muito para sua interpretação.

JC: [risos] Mas com Television, eu não me conecto com sua tendência para finalizações falsificadas. Eu não sei se eles não sabem como terminar uma música ou se eles não gostam de terminar uma música, mas lembro de vê-los uma vez nove anos atrás e eles estavam [Jullian canta] ““And the songggg isss endingggg nowwwwwww” [batida] “But maybe it’s notttttt.”. Tipo, dez diferentes finalizações, bem dramáticas, “And now we’re out of the song!”. E então voltavam a ela.

JH: [risos] Eu nunca os vi ao vivo. Quando era muito jovem, Little Johnny Jewel era uma das minhas músicas favoritas, meu primo tocava pra mim e era formidável. Você descobriu alguma música nova ou algo recentemente que ficou com você, mas uma que não te leva a um tempo nostálgico?

JC: Não uma música, mas uma coisa que me fascinou recentemente é o tédio, ou como você cansa de algo. Sobre ouvir uma música sem parar, pra mim, é a coisa mais triste da música no fim. Digamos que você ouviu a música mais incrível de todos os tempos, você a ouve, eu vou ficar cansado dela.

JH: É verdade. Eu falei sobre isso antes, algumas músicas só representam  padrões em minha vida agora, tipo “Oh, essa era a música quando eu fiz isso”. Ou você ouve uma música e imediatamente te leva a uma certa emoção. Você entende, certo?

JC: Eu tenho isso mais com cheiros, acho.

JB: Eu lembro de quando era criança e ouvi Joe Jackson a primeira vez, eu lembro de ouvir um trilhão de vezes. Eu nunca a coloco pra tocar, mas se ouvir, tem o mesmo efeito que tinha.

JC: Sim, se eu descubro uma música que realmente gosto, eu tento não ouvir.

JH: Você tenta preservar? Eu entendo isso.

JC: Eu fiz o contrário quando era mais jovem, se eu gostava de uma música, eu ouvia incessantemente. Mas estou fascinado com o conceito de ficar entediado com algo, em geral, uma vista, uma casa, amigos, qualquer coisa. Pra mim, há qualquer coisa de fascinante em ficar cansado de algo, é como uma coisa evolutiva. É da humanidade, não é uma lei universal, você poderia ser um parasita preso num monte e apreciar até morrer. Acho que é algo relacionado a evoluir e querer continuar caçando.

JH: E seguir em frente.

JC: Sim, você não pode estar em um lugar ou sua tribo vai ser morta, ou que quer que seja.

JH: Haveriam muitos fãs de Beatles abatidos.

JC: [risos]. Sim, é uma chatice. Você encontra algo que gosta e seria bom apreciar pra sempre.

JH: Mas tem a ver com a química do cérebro em mudança constante, certo? Como lembrar de quando era criança e que tinha que ir à escola e o verão estava a milhões de anos, mas agora, ao menos pra mim, não parece tão distante.

JC: Isso foi tipo 10% da sua memória.

JH: Exatamente, eu só estou falando coisas, não sou uma cientista, mas acho que o cérebro muda com o tempo e faz as coisas parecerem diferentes.

JC: Um exemplo é que você pode estar fazendo algo e não exatamente apreciando, mas então quando acaba você olha pra trás como uma memória afeiçoada e você está “Por que eu não aproveitei tanto quando estava lá?”

JH: Exatamente! Eu sinto dessa forma, não é assim com tudo, mas como estar no momento, dividir tudo em pequenas partes e então olhar pra trás e ver o quadro todo.

JC: É uma lição de viver o momento, é como olhar uma fotografia, talvez você não estava se divertindo, mas você olha a fotografia e pode sentir uma saudade alegre daquele momento.

JB: Sim, como uma experiência distorcida …[ a linha cai]

JH: Espere, você soa como Darth Vader.

JC: [risos] grande elogio.

JH: Vocês tem um estilo impecável, qual sua relação com moda e estilo? Me parece que vocês não são autoconscientes sobre ter um estilo tão legal. Tipo meu ex-marido, ele colocaria a pior blusa feminina porque eu dizia que a outra era legal. Quão importante é a imagem pra vocês?

JC: Acho que pra mim, pessoalmente, imagem é algo com o que luto filosoficamente numa interação humana básica cara a cara. A imagem, pra mim, filosoficamente tem quase zero importância, mas acho que quando você está levando música, é quase uma tática, tem uma importância incrível. Eu lembro assim que comecei a ver bandas, quando você está assistindo a eles no palco você está olhando pra que tipo de cinto usam, seus sapatos, e tudo influencia como você ouve a música, feliz ou infelizmente. Então, pra mim, eu lembro de ter me casado numa igreja e haviam tubos enormes de órgãos que não funcionaram, então eu trouxe um Casio pequeno com a configuração de órgão e começou a tocar coros de igreja e as pessoas que trabalhavam lá estavam olhando aqueles tubos quase em lágrimas tipo “É lindo! Eu nunca tinha ouvido.” E eu estava “Não, é o teclado”. Mas porque aqueles tubos eram tão bonitos, a música estava levando as pessoas às lágrimas. Então, sim. Eu uso coisas legais porque sei que vai fazer a música soar de certo modo. Mas lá no fundo eu não dou a mínima.

JH: Sim, muitas coisas legais são definidas por estilistas ou o que for, mas há um monte de pessoas usando coisas legais e não funciona porque não parece com eles. Mas parece que você toma suas próprias decisões sobre isso, você não pode simplesmente pegar um estilista pra fazer isso, você obviamente tem jeito pra coisa.

JC: Obviamente crescer em Nova Iorque, você vê os estilos antes que realmente aconteçam, então isso me influenciou, sim, mas mesmo assim, eu não era um garoto estiloso, tem mais a ver com quando comecei na música.  Mas de novo, é sobre se editar, seja na música, ou nas roupas ou o que for. Às vezes quando coloco algo e olho no espelho, penso sobre o que alguém que me odeia diria. Eu coloco algo e “Oh, um atleta confuso” e eu tiro e coloco outra coisa e é como “Uau, você está tentando demais, cara”. Eu tenho que me insultar no espelho para descobrir o que eu quero, então quando coloco algo e estou “Oh, não sei qual a desse cara, mas estou interessado”, é o que eu vou usar [risos]

JH: Sim. Estou sendo sincera, você faz isso muito bem. Você alguma vez diz aos caras algo como, não use shorts no palco ou algo assim?

JC: [risos]

JB: Beardo disse algo outro dia, ele disse “usar shorts no palco é suicídio de carreira”.

JH: [risos]

JC: Beardo e eu na banda, acho que somos meio que a polícia da moda na banda. Não repreendemos ninguém, somos todos amigos, mas sabe, você está numa banda e alguém “Hey, o que você acha disso?” e você recebe olhares inexpressivos.

JH: Então, ele não vai usar esses shorts no palco? [aponta para Jake]

JB: Oh, Deus, não [ risos]. Eu fico com calor, tenho sangue quente então preciso me manter o mais fresco possível.

JC: Está muito quente em Kansas City agora, terrivelmente quente.

JH: Se você pudesse se clonar, quantos colocaria na reserva?

JC: se eu pudesse me clonar?

JH: Ok, digamos que você tem uma oportunidade de se clonar mas cada vez sai um pouquinho desbotado. Quantas vezes faria isso?

JC: Como Michael Keaton no filme Multiplicity?

JH: Sim!

JC: ahn

JH: Eu faria duas vezes.

JC: Eu tenho uma pergunta maior, se você pudesse se clonar, você se clonaria? E se não se deteriorasse em nada, quantas você faria?

JH: Se não deteriorasse nada e a memória ficasse no mesmo lugar de quando o DNA foi extraído … acho que seis. Suficiente para 300 anos, em caso de emergências.

JC: [risos] Eu não faria nenhum porque ficaria paranóico que eles causassem desordem.

Entrevista: Julian Casablancas para Redacted Tonight

Julian Casablancas foi entrevistado por Lee Camp para o Redacted Tonight. A conversa girou em torno da música e de política. Fizemos uma tradução da maior parte da conversa, tentando manter o ritmo da entrevista. Esperamos que gostem!

L – Tenho aqui ninguém menos que Julian Casablancas, o líder dos Strokes e de sua nova banda The Voidz. Ele tem espantado algumas pessoas recentemente com um tipo de música politicamente profunda e provocativa com The Voidz.

Então, queria falar com ele e ouvir mais sobre o impacto da música em nossa cultura e o que ele sente que precisa mudar. Além disso, eu vou abrir pra The Voidz sexta-feira e sábado… então, sem mais, aqui minha conversa com Julian Casablancas. Obrigado por se juntar a mim, estou honrado em tê-lo aqui, irmão, é um prazer.

J- Obrigado pelo convite pro seu programa ou internet ou onde quer que estejamos.

L – Um pouco de cada. Um pouco na TV e um pouco na internet. Então, para as duas pessoas por aí que não sabem que você tem uma banda de sucesso, The Strokes, vocês ainda saem em turnê juntos, e que agora você tem outra banda, The Voidz, que tem um monte de ideias políticas nas músicas e letras, o que é em parte a razão pra eu querer conversar com você… Por que você criou The Voidz?

J – Pra mim, é uma evolução de uma mesma missão, acho. Talvez dois lados da mesma moeda. Não sei como eu diria. The Voidz tem sido meu foco principal recentemente e é talvez um pouco mais sombrio ou underground ou de vanguarda, não sei como descrever. Pra mim, The Strokes está sempre lá, é família, eles serão sempre irmãos… não sei, como percebo, é como se fosse um filme. Você faz filmes diferentes e não significa que só vai trabalhar com um grupo de pessoas ou nunca mais vai trabalhar com aquelas pessoas de novo.

L – Ambas são excelentes. Ouvi o último álbum, eu adoro, claro, há uma música que me pegou, Pyramid of bones, a última do disco. Como você disse, é bastante sombrio e cobre vários tópicos que acho que acho que algumas pessoas não falam, vários artistas se esquivam, pessoas em geral se esquivam de falar de certos tópicos. O que aquela música significa pra você, o que te levou a fazer aquela música?

J – Começou meio como uma piada. Jake, da banda, tem uma voz em barítono, baixa e está sempre fazendo vozes e tem algo que ele faz, é como um espírito de um velho escravo, algo assim… não ouça a banda ‘branca’ (risos). Era uma piada e estávamos trabalhando num tipo de riff como Black Sabbath e as coisas se encaixaram. É  meio sarcástico e … lembro de ler recentemente uma citação de James Baldwin e ele fala sobre o poder ‘branco’, não de pessoas brancas, é mais como falar do poder como o do Chase Manhattan Bank ou algo do tipo.

– James Baldwin, ele foi um autor e orador brilhante. Quando eu estava falando com você antes, você chamou Martin Luther King de, não sei, se era como um líder espiritual ou algo assim. O que ele significa pra você?

J – Sabe, depois de Bush, da segunda vez que ele ganhou, foi meio que um choque pra mim e um tipo de despertar e comecei a ler muito. De tudo que eu li, acho que sim, a autobiografia de Martin Luther King, os discursos, obviamente, pra mim ele é tipo, ele é imagem de “dê uma chance à paz”. Pra mim ele está em outro nível em seu intelecto filosófico e sua mente genialmente estratégica. Pra mim, mostra como se você soubesse como ganhar. Não é só sobre estar certo, é sobre ser esperto, ser mais esperto que o oponente… obviamente você precisa disso. Pra fazer o que é certo e o que acredita ser o certo, você precisa disso se quer ajudar as pessoas, mas acho que ele o que ele mostrou é, acho que é, como conseguir…

P – Sabe, acho que em qualquer momento histórico há muito que você, sabe, simplificar ou reduzir ou resumir a algo menor para comprimir a verdade, mas precisou um bocado de estratégia para vencer a luta dos direitos civis e havia um grande debate sobre como conseguir isso. Então não era um caminho direto.

J – Ele nunca disse nada que não fosse verdade, ele manteve a verdade num nível muito alto como um valor muito importante e se você olhar aquele período, havia um grande movimento com muita gente e muita energia trabalhando pra isso, mas você não pode negar que sua abordagem era sobre seguir os passos necessários para realmente conseguir alguma vitória e fazer progresso.

– Quero te perguntar outra coisa. Você esteve no James Corden recentemente e ele estava fazendo piadas sobre os bolsos do seu colete e você respondeu sobre uma guerra invisível, temos que estar preparados… há uma especulação sobre o que você estava falando.

J – Eu amo James Corden, e é um show de comédia que passa à noite… eu tenho recebido muito essa pergunta. Mais como uma piada. “Invisible war”, [risos].

Acho que é mais, acho que é uma batalha entre os que entendem que não temos mais uma democracia e entre os que tentam manter as coisas assim. E você sabe, muitas pessoas não estão cientes disso, mas no fundo, é o que está acontecendo.

P – É, muita gente não está ciente. Temos estudos extensos que encontraram que estamos numa oligarquia e que se os americanos querem algo que não se alinha com os interesses corporativos então não vão conseguir e as pequenas vitórias que as pessoas podem ter e dizer ‘conseguimos’, de alguma forma se alinham aos interesses corporativos. Queria te perguntar, você obviamente sabe que estamos falando de política, queria perguntar se você, quando você acordou, porque eu não era ativista ou político na faculdade, então depois comecei a ler Howard Zinn, John Perkins, Chris Hedges e todos os outros… você sempre foi político ou houve um momento… você disse mais cedo que talvez a segunda vitória de Bush teve impacto em você.

J – É, foi mais a segunda vitória de Bush, acho que o momento que trouxe certa urgência. Mas não, eu acho que sempre fui meio político, talvez não político, mas obcecado com, não sei o que você chamaria, realidade ou verdade ou …mesmo quando comecei a tocar música, acho que a música pra mim sempre foi um meio para um fim. Talvez soe brega, mas tentar fazer do mundo um lugar melhor. Então, acho que as pessoas que você mencionou, “Confissões de um assassino econômico”, é um livro fascinante, sabe, obviamente Howard Zinn e também Oliver Stone, meio que uma história mais recente, acho que é incrível “A história não contada dos EUA”. Mas como disse, Martin Luther King é provavelmente o que me atingiu mais, sabe, com soluções orientadas…

P – Considerando como as coisas estão terríveis agora no país e no mundo e o meio ambiente, tecnologia e vigilância, você poderia pensar que agora seria a era de ouro para música política, mas … eu não estou muito nisso como você, mas não parece como se houvesse muito, sabe. Então eu meio que queria colocar você nisso, porque não estamos ouvindo mais? E numa pergunta separada mas relacionada, você acha que a cultura ajuda a música ou a música define a cultura?

J – Acho que o entendo o que você quer dizer. Acho que a arte é e sempre foi um reflexo da vida da sociedade e eu acho que o reflexo que você fala é basicamente que mais pessoas não entendem claramente o que está acontecendo de maneira simples. Entendem coisas diferentes que eles vêem que está errado, mas não há esse simplicidade de fundo, como nos anos 60, por exemplo, com a guerra do Vietnã, uma guerra de conquista. Eles falam sobre comunismo, mas estavam tentando… Estavam tentando emular a América do começo. Acho que você vê o Vietnã, não é só o Vietnã, mas também há um projeto mandatório…sabe, há uma segregação, pessoas negras que não poderiam votar, esse tipo de questão clara e pelo que entendo, a educação era mais forte e as pessoas estavam mais informadas em certo sentido. Você não poderia ignorar o que estava acontecendo nos anos 60 e é diferente agora. Historicamente, acho que no final dos anos 80, a música de protesto que evoluiu eu diria que é mais o rap, que pegou o manto e acho que mesmo agora, pessoas como Tupac, claro, mas também um tipo de movimento punk. Se você quer que seja o próximo nível, nível Noam Chomsky, é mais o punk hardcore. Acho que esse tipo de música está mais sabe, bem informado, de tudo e não é mainstream.

P – Não é mainstream, é a música mais marginalizada. Existe, mas não está geralmente no rádio ou não chega ao mainstream. Você acha que é porque a maioria das emissoras são corporações agora?

J – Não acho que está conectado dessa forma. Acho que você não vê porque, é como eu disse, reflete a sociedade, as pessoas que estão informadas são um percentual pequeno. É como, arte é como um lugar onde você pode saber a verdade sem filtro, acho que mesmo pessoas como Bill Maher e John Oliver de quem eu sou fã, acho que no fim são comediantes de outro nível e sabe, realmente engraçados e incríveis em seus shows e entendo que eles estejam se preparando para ter mais acessos, mas muito disso sob o prisma da mídia corporativa. Sabe, pra mim, você já começa o argumento em um lugar que não é real e acho que, então as corporações não precisam barrar as músicas políticas, elas não existem realmente. Eles já fizeram o trabalho escondendo as lutas reais então, sim, a arte não está, já está tão do lado de fora que não precisam fazer nada específico pra isso.

P – Estamos ficando sem tempo. O que você sente que é o principal problema nos encarando agora?

J – Você pode dizer e, primeiro de tudo, quero dizer que sou pro companhias, pro capitalismo. Pra mim não é que o setor privado esteja louco, se você vive numa democracia então as pessoas, suas vozes deveriam ser mais fortes que a voz das companhias. Acho que elas se tornaram mais claramente poderosas que os governos democráticos e de certa forma sempre tivemos isso na história humana, então… o que é um pouco frustrante nessa época e acho que a mídia corporativa tem uma parte grande nessa operação. Sabe, eles conectam todas as pessoas doando pra campanhas e é tudo,você sabe, tudo investido de interesses financeiros e acho que assumir que não vai afetar a agenda das pessoas… é a razão da Redacted Tonight você sabe, operar quase como um tipo de, o maior tipo de mídia independente de notícias que você pode ter fora da TV ainda que obviamente, a agenda russa ainda … Você ainda tem que olhar… do ponto de vista do inimigo do seu inimigo é seu aliado e acho que você sabe se o inimigo é uma corporação predatória o que quer que queira chamar, eu honestamente acho que… você sabe direita, esquerda, eu respeito pontos de vista conservadores e obviamente…

P – Eu ouço o que você está dizendo e eu tenho minha própria agenda, então eu não estou seguindo a agenda de ninguém, mas entendo o seu ponto, isso é um dos únicos lugares em que não estou como você disse, ligado a uma corporação e não falo sobre Wall Street ou sobre guerras ou isso…

J – Sim, quero dizer, você sabe que entendemos as agendas, mas o que acho que o futuro das notícias poderia ser, você seguindo sua agenda e então você pode dizer suas coisas e a mídia colocar um rótulo ou algo nisso, mas pra mim o único lugar na América onde intelectuais que eu respeito podem falar e não serem  colocados numa lista negra é Redacted Tonight, quer dizer, se você acha que pessoas como Bernie ou, mais cedo falamos sobre eles no Redacted Tonight e você pode argumentar que é porque estão tentando bagunçar a América. Eles estão dizendo coisas que são verdade e as pessoas acreditam e ninguém quer ouvir alguém como Jesse Ventura que eu amo sabe, Chris Hedges ou Chomsky não serão entrevistados em nenhum outro canal, então…

P – Falamos de muitos problemas acontecendo no mundo. O que te dá esperança, sabe, é uma pergunta fácil, o que te dá esperança?

J – Acho que honestamente, estive pensando recentemente e, sabe, a forma que o capitalismo evoluiu pra essa super besta e acho que seria sombrio e sem esperança sem a internet. Mas temos internet e ainda tenho fé, sabe, de que as ideias e a informação são transmitidas depressa e acho que me dá muita esperança que as ideias certas circulem eventualmente. Se vai ser rápido num dia ou se precisa do tipo energia jovem entre as gerações pra sabe ganhar o mundo…

P – Temos que manter o campo, manter a revolução da informação em curso. Bem, vejo você em uma semana em Houston, estarei abrindo pra vocês estou ansioso. Obrigado de novo Julian.

J – Obrigado, muito obrigado.

Março de 2018: o que teve?

Foi um mês intenso de divulgação dos novos discos de The Voidz e Albert Hammond Jr.

The Voidz

Dia 28 de março, The Voidz esteve no programa The Late show with James Corden. Em resposta aos comentários de James sobre seu colete, Julian disse que “estamos em uma guerra invisível, temos que estar preparados”. Ainda, James comentou sobre o filho mais novo de Julian – Zephyr – que estaria de aniversário no dia seguinte. Acho que foi a primeira vez que o vimos falar dos filhos assim, não foi? Depois da conversa, vimos The Voidz tocando QYURRYUS.

Dia 29 a gente pôde assistir ao clipe oficial de Pyramid of Bones, sombria, política, curiosa:

O segundo disco da banda foi lançado oficialmente no dia 30de março, quando, todas as faixas estavam disponíveis em plataformas digitais e pudemos ouvir todas as 15 músicas – diferentes entre si, com letras e referências políticas.


Albert Hammond Jr

Francis Trouble veio ao mundo oficialmente em 09 de março e Albert está trabalhando pesado para divulgar o disco, com muitos shows, entrevistas, sessões de autógrafo. Dia 08, ele esteve no programa de James Corden e apresentou Set to attack (atualização: o vídeo original foi deletado, encontramos esse com legendas em espanhol):

Ele esteve no dia 11 de março, na Zia Records, para uma sessão de fotos e autógrafos do disco novo. Alguns registros super fofos:

E o vídeo oficial de Set to Attack, que veio em 30 de março:

Fevereiro

The Voidz

The No dia 01 de fevereiro saiu a pré-venda da edição especial em vinil duplo colorido do disco Virtue, de The Voidz, na loja Newbury Comics, limitada a 1000 cópias (com entrega apenas nos EUA).

Pointlessness, mais uma música de Virtue, veio nos deixar mais ansiosos pelo disco completo:

Ainda, All the wordz are made up:

 

Albert Hammond Jr

Albert esteve no programa do Conan no dia 1º de fevereiro, estreando a música Muted Beatings, que foi liberada para streaming no mesmo dia. Saiba mais aqui.

Filmado em 35mm, dirigido por Fraser Rigg e com participação da atriz Portia Doubleday (Mr. Robot), o vídeo oficial de Muted Beatings ficou emocionante. A

“Segui Fraser dentro do abismo. Ele tinha uma visão que expressou dizendo ‘O amor é o que transcende o tempo e o espaço’. Senti como se ele tivesse se movido pela música e soubesse como capturá-la visualmente. Entendi o que ele quis dizer mas pra mim o amor não representava conexão humana. Eu sabia que seria uma forma mais universal de mostrar isso visualmente mas me encontrei percebendo que o ciclo de quem eu era o que estava prestes a me tornar, com a morte do meu antigo eu e o nascimento desta nova pessoa, era o que transcendia tempo e espaço. Aquele amor pela vida, aquele desejo pela vida está sempre se remodelando” – Albert Hammond Jr

Summer Moon

E acabou a turnê de Summer Moon. A banda irá se recolher para trabalhar em material novo.

Tradução: Entrevista com Cody Smyth

Cody Smyth, fotógrafo e amigo de longa data dos Strokes, está prestes a lançar o livro que documenta uma década da história da banda. Com data de lançamento prevista para 10 de outubro, o livro – que promete ser incrível – está em pré-venda na Amazon. Abaixo, a tradução de uma entrevista que o fotógrafo concedeu a Alejandra Ramirez em 10 de maio de 2016, em que ele conta de sua amizade com a banda e de como foi estar lá acompanhando o começo da carreira. Confiram!

 

 

The Strokes, Nova Iorque, e o fotógrafo que estava lá

Cody Smyth assistiu à transição de frequentadores de bares para uma das maiores bandas de rock do mundo

Como The Strokes chegou tão longe? Pense em 2001, quando os roqueiros de Nova Iorque lançaram seu álbum de estreia, Is This It. Aquele título, modesto e autocrítico, não combinava exatamente com o perfil de uma banda marcada para a onipresença e longevidade. Um sinal ainda maior da iminente morte da banda era o fato de críticos terem atribuído a eles expectativas messiânicas, saudando-os como a segunda vinda de The Velvet Underground (as raízes post-punk e produção sem frescura de Is This It também tornaram inescapáveis as comparações a Television ou Stooges).

Mas os verdadeiros Strokes eram algo mais simples que tudo isso: uma grande banda de rock. No início dos anos 2000 eles ajudaram Nova Iorque a ser excitante de novo e todos esqueceram o adágio solene “o rock está morto”, mesmo que por um momento. 15 anos e 4 discos depois, a influência da banda é clara, facilmente reconhecível nas marcas deixadas pelas execuções de Julian Casablancas ou pelas distorções irregulares da guitarra de Albert Hammond Jr.

Parece que Strokes dispararam para o estrelato em questão de segundos, mas sua fama não veio da noite para o dia. Pergunte ao velho amigo e fotógrafo da banda, Cody Smyth, que começou a reunir a história deles no final dos anos 1990. Smyth ficou com o grupo enquanto eles transitaram de regulares frequentadores de bar em jaquetas de couro para atração principal de festivais, tirando quantas fotos podia pelo caminho. No ano que vem, ele vai lançar um livro de fotografias talvez intitulado The Strokes 1996-2016, que ele descreve como “um registro de 20 anos de amigos próximos que se tornaram uma das maiores bandas de rock do mundo”.

Consequence of Sound falou recentemente com Smyth sobre seus planos para o livro, suas lembranças com a banda, e o que ele vê para o futuro dos Strokes. Com música nova a caminho e confirmados para o Governors Ball Music Festival neste verão, esse futuro pode ser tão fotogênico quanto o passado.

Então, qual a história por trás do livro que você vai lançar?

Eu conheci Nick, Julian, Fab e Nikolai em 1995, na escola. Nos tornamos amigos instantaneamente. Então começou lá atrás comigo fotografando amigos porque meus pais cresceram nessa indústria. Começou lá e cresceu para um documento inteiro.

Um amigo próximo da família que é editor da Lesser Gods sabia que eu os tinha fotografado. Ele trabalhou para a MTV Books, e eu acho que ele sabia que eu tinha esse registro que não foi visto… que eu tinha mais ou menos mantido para mim por quase 20 anos. Então eu o encontrei, e ele olhou algumas das fotos e pensou que era definitivamente suficiente para contar uma história de dentro – não só pra lucrar com ela. É tipo um registro íntimo de 20 anos viajando com eles, mas o livro surgiu porque ele se interessou e viu outras fotos além das que estão em meu site.

Desde então, eu procurei os caras, e eles sabem sobre meu trabalho e sempre apoiaram. Eles foram super legais a respeito e realmente estão animados e felizes com isso. (mais…)

Nick Valensi no podcast “2 Hours” com Matt Pinfield

CRX lançou seu disco de estreia “New Skin” em Outubro e Nick voltou a ser o Stroke preferido do jornalistas. Dessa vez temos 2h inteiras de conversa com o nosso guitarrista sobre as primeiras memórias com os Strokes, como foi ser pai de gêmeos, conhecer David Bowie, e trabalhar with Josh Homme em sua nova banda.

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Ouça agora na íntegra Nick Valensi em “2 Hours” com Matt pharmacie en ligne france viagra Pinfield:

#FuturePresentPast: saiba tudo que aconteceu com os Strokes durante o mês de junho

O final do mês de maio e todo o mês de junho foi cheio de ótimas

novidades sobre o nosso quinteto nova-iorquino favorito, a começar pelo lançamento do EP de três músicas e um remix: Future Present Past. É o primeiro lançamento da banda no selo de Julian Casablancas, a cada vez mais estimada Cult Records (clique na imagem abaixo para ouvir o EP no Spotify).

FPP

O EP pôde ser comprado em vinil, em cinco opções de cores (as cinco do arco-íris da capa), em ações de parcerias com empresas e lojas de discos.

vinis

Foto: @toddruof no instagram

Outra ação envolvendo produtos que nos fez nos contorcer foi a abertura da loja pop up em Nova Iorque, o único lugar onde era possível comprar essa jaqueta…

pop up

O lançamento do EP foi acompanhado de dois ótimos shows, cheios de novidades nos

setlists, incluindo a estreia de todas as três novas músicas e o retorno de músicas que não eram tocadas desde a turnê do First Impressions of Earth (entre dez e seis anos atrás), além de um cover de Clampdown do The Clash, que a banda tocou em 2004 durante shows da turnê do Room on Fire. Assista a seguir o show completo no Governors Ball, e confira os setlists das duas últimas apresentações.

https://www.youtube.com/watch?v=rJ1F9Ok5IeE

(mais…)

Feliz aniversário, Fab!

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Hoje, 02 de junho, é aniversário do baterista mais queridos de todos: Fabrizio Moretti!
E para homenageá-lo, resolvemos listar algumas curiosidades:

– O pai do Fab nasceu na Itália, e a mãe nasceu no Brasil.

– Fab nasceu no Brasil, mas foi para os EUA quando tinha 4 anos.

– Ele conheceu Julian e Nick quando estudavam na Dwight High School

– Mitologia é um dos seus temas prediletos. Ele pôde trabalhar com o tema no projeto Fuzlab (lembra?)

– Fabrizio

disse em entrevista, à época da Little Joy, que faria um clipe em Recife se pudesse, porque acha o lugar incrível, ou em Porto Alegre, por ter sido onde a Little Joy fez o primeiro show no Brasil.

2– Além da música, ele também é talentoso desenhando ou fazendo esculturas.

– Em 2013, fez uma instalação de arte no exterior da loja de roupas Rag & Bone – um painel em alto relevo, com astronautas esculpidos.

– Ele passou uma longa temporada em Paris, porque queria aproveitar o clima da cidade para se dedicar a outros projetos. (A gente falou disso anteriormente aqui)

– Fab fez um remix da música Inside Out, lançada por Spoon em 2015

Abaixo, uma entrevista das mais antigas, quando eles se apresentaram no Roskilde Festival:

Nós, da Equipe TSBR, e todos os fãs brasileiros, desejamos um dia maravilhoso e muitos anos de vida.

Feliz aniversário, Fabrizio!

Fontes: Spoon & Rolling Stone