ALBERT HAMMOND JR, PARA NOISEY

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Albert, em show em DC

No dia 05 de novembro saiu a entrevista de Albert Hammond Jr para a Noisey, falando sobre o disco, os vídeos que fez para promover St. Justice e Carnal Cruise e mais. Veja nossa tradução a seguir:

Albert tem malhado. Eu sei disso porque ele apareceu no escritório da Wiz Kid Management em New York’s East Village em roupas pretas de ginástica. Posso também ver os efeitos por causa da sua camiseta sem mangas e seus braços estão realmente trincados. Estão com certeza mais definidos que quando eu o encontrei pela primeira vez numa noite gelada de fevereiro em Brighton, Inglaterra, em 2001. Ele estava magro naquela época e a poucos meses de seu aniversário de 21 anos, e os Strokes – particularmente quando bêbados – eram como filhotes agitados, se abraçando e festejando e caindo uns sobre os outros enquanto a Inglaterra se apaixonava. Naquela época eu estava tão nervoso que esqueci de pressionar o botão de pausa do meu gravador.

Foi o começo e nos 12 meses que se seguiram, New York se tornou o epicentro do cool, com um pé calçando Converse chutando a porta dos anos 90, nu-metal e jeans largos o bastante pra abrigar uma família numa única perna. Uma década depois, o impacto da banda no cenário do rock moderno (e sim, na forma como as pessoas se vestem também) não pode ser exagerado. Mais cedo este ano, os Strokes lançaram Comedown Machine com pouco alarde, zero imprensa e sem turnê, mas se sente que sua história ainda não acabou. Talvez seja apenas minha ilusão, mas como Albert colocou, The Strokes é “muito uma banda” e o futuro está em aberto. Em todo caso hoje estou aqui para falar com ele sobre seu novo EP, lançado pela Cult Records, de Julian Casablancas. Gravado no estúdio de Albert em sua casa com seu melhor amigo (e produtor dos Strokes) Gus Oberg, é seu primeiro solo desde ¿Cómo Te Llama?, de 2008. Uma coleção de 5 canções em que o som dançante das guitarras compensados pelas batidas nas composições exigentes de Albert se destacam nos momentos que o baixo respira (47 segundos em Stranger Tidings), e nesse ponto doce que paira entre desconsolado e contente. Quando pergunto sobre as letras para a faixa de destaque do EP, Cooker Ship, Albert explica que o título veio aleatoriamente, e apenas depois ele conectou as palavras com as músicas de The Velvet Underground, Heroin, quando Lou canta ““I wish that I’d sailed the darkened seas/On a great big cooker ship.” (Na verdade, Lou canta “clipper ship.”)

“Algumas vezes as melhores linhas criam significado por si mesmas”, ele diz. “Depois, quando estava pronto, minha mãe disse, ‘Oh, essa linha “How did I get in a jam like this?” soa tão relacionada a drogas.’ Eu estava “Huh? Eu não achava isso. Talvez eu estivesse assim, eu escrevi sobre isso. Talvez inconscientemente estivesse lá”.

Você também pode atribuir “Self-inflicted nightmare/Lately I’m just not quite myself,” como uma alusão ao vício de Albert em heroína, quetamina, e coca,  que teve seu auge quando o guitarrista usava “um ou dois grandes no fim de semana”. Limpo, mesmo com álcool na mesa, só nos últimos meses ele começou a falar abertamente de sua luta.

“Não posso dizer ainda – acho que saberei melhor quando estiver mais velho – se criar um mito nas entrevistas é o que minha personalidade quer”, ele diz. “Algumas pessoas são realmente boas nisso, mas se estou sendo totalmente honesto, e não me importo de ser, eu sempre gosto de ser eu mesmo. Por que eu seria falso para criar um mito estranho sobre mim?”

Noisey: Vamos falar sobre o vídeo de St. Justice. Eu estava, wow, Albert tirou a camisa, tirou as armas, está fazendo uma cena no quarto…

Albert: Fiz uma piada, como se não seria engraçado fazer um vídeo em que eu estivesse com alguém e coincidentemente, Julian estava como “Você sabe, você devia fazer um vídeo em que estivesse com alguém”. Era inesperado porque normalmente esse tipo de coisa fica reservada para bandas pop e nós achamos que seria engraçado. Estavam apenas o diretor, eu e Nina [a modelo alemã Nina de Raadt], só três pessoas, fazendo um vídeo estilo gorila. Enquanto estávamos fazendo parecia inocente. Estranhamente, eu aprendi muito sobre como transar em frente à câmera.

Noisey: Quais suas dicas?

Albert: Quando você tenta fazer de forma realista – tentamos isso primeiro – e parecia horrível. É sério. Você está assistindo e está como se, “Não podemos mostrar isso!”. Não parece como o que você está fazendo em sua mente. Quando você faz mais como uma dança com a câmera, com todos os ângulos e sente que é falso, parece mais real. Eu assisti da primeira vez e estava como “Eu fiz algo com ela? Será que vai ficar ruim?”

Noisey: Então, vocês tiveram que fazer muitas tomadas?

Albert: Sim, descobrimos um monte de coisas – tipo como quando o EP surgiu – enquanto estávamos lá. Como o diretor Laurent [Briet] fazendo a técnica de girar. Demorou cinto ou dez vezes antes que tivéssemos o foco correto, o que foi bom porque nos sentimos mais naturais no momento que ele realmente fez as tomadas. Era estranho pensar, mas de repente, agora vamos fazer a cena do beijo! Eu quase queria dizer, podemos nos beijar por um segundo que é mais normal.

Noisey: Como sua namorada lidou com isso?

Albert: Bem, Nina tem um namorado também. Imagino que ambos não vão assistir.

Noisey: De jeito nenhum?

Albert: Sim, eu não sei, talvez em algum momento. Em suas cabeças acho que era mais estranho do que realmente foi. Não é romântico. Não é como se você tivesse alguém em sua casa. Ou se ficasse com outra pessoa por uma hora e então acabasse. Seria diferente. É muito “deveríamos fazer mais parecido com isso ou aquilo: Quero dizer, pode ser excitante, não vou mentir, você está numa cama com uma garota nua. Sou um homem afinal. Haha!

Noisey: Você também convidou o mundo pra sua casa.  Corajoso.

Albert: Sim, eu não pensei muito nisso, pra ser honesto. Tecnicamente isso foi coisa de orçamento, o que é legal. Há um monte de restrições quando fazemos vídeos hoje em dia. Eles não te darão o que usaram, especialmente se você está numa gravadora independente.

Noisey: Jules está amarrando os cordões apertados!

Albert: Vamos lá, Jules! Nah, mas é o mesmo com  Carnal Cruise. Meu apartamento parecia legal e de uma forma estranha é o motivo de não ter pedido a minha namorada pra fazer. Muita pessoas disseram “Por que você não usou sua namorada?” Mas é tão pessoal. É alguém com quem eu realmente faço amor, eu realmente ia querer fingir que mostro isso? Isso é apenas atuação, é: não fizemos nada antes, não vamos fazer depois.

Noisey: O que inspirou o vídeo?

Albert: Estávamos assistindo esses filmes como Breathless e outro. Eu nunca lembro o nome. Burt Reynolds fez um remake dele, mas não é o melhor, o melhor é o dos anos 70. É sobre um homem que gosta de mulheres e ele está andando e olhando as mulheres na rua e me lembrou do que você pensa quando está andando pelas ruas! [O filme que ele estava falando é L’Homme qui aimait les femmes aka The Man Who Loved Women]

Noisey: O título Carnal Cruise me faz pensar sobre uma orgia num cruzeiro com passageiros velhos. Claro que não é o que acontece na música… ou é?

Albert: Haha, não, não. O título se originou da abertura de um rifo de guitarra. Soava cru e carnavalesco, mas carnal soava melhor. Também, quando toco ao vivo, com a bateria e os rifos e tudo soando realmente forte, é intenso. É uma canção de dois minutos, mas quando terminamos todos estão mortos. É como se fosse a canção mais crua que fiz. Também um cruzeiro é uma jornada. Jornada crua também não ficaria bom.

Noisey: Não. Soa muito errado.

Albert: Jornada crua soa como se você se masturbasse a noite toda. Haha! A história de um garoto pré-adolescente e sua jornada crua!

Noisey: Um par de pessoas velhas numa orgia num cruzeiro. Então, você está saindo em turnê e pela primeira vez tocou sozinho em quatro anos no show beneficente para Ben Curtis em agosto. Como foi tocar novamente? [Ben, da escola Seven Bells foi diagnosticado com Linfoma este ano]
Albert: Estou feliz por ter ido, é tão perto de casa. E também é difícil – quer dizer, eu deveria tocar – mas ao mesmo tempo, não, deve ser um festival de sobrevivência e positividade. Eu poderia sair aquela noite e fazer outro show. Foi surreal. Senti como se estivesse tropeçando. Estava olhando em volta e tudo parecia tão real, quase como se eu estivesse drogado, foi muito estranho.

Noisey: Ficou surpreso por inspirar essa reação?

Albert: Quero dizer que fiquei gratamente surpreso por cada reação boa no meu cérebro. Não há nada que te deixe mais alto que sair de um show. Acho que é por isso que as pessoas continuam se apresentando. Quando você está lá, é como ‘Que diabos estou fazendo? Eu não quero fazer isso!’ E então quando acaba ou quando você fez um bom show, é o melhor, quando o público entende a música e tudo vem de um  pequeno e estranho ponto do seu ego quando você acreditava que poderia fazer algo. Parece quase pretensioso, como ‘Eu posso escrever músicas!’ Eu me sinto confortável dizendo que não sou um guitarrista incrível, mas sei que com o tempo eu posso fazer algo interessante e algo que soe como eu mesmo, e é difícil, soar como você mesmo. Por isso fazemos rock. É quase mais importante que soar incrível.

Noisey: Há alguns meses você começou a se abrir sobre seu vício em drogas e você poderia não ter dito nada. Por que você decidiu falar a respeito?

Albert: Eu poderia não ter dito nada, mas seria estranho estar onde estou e não falar sobre o passado – é o mesmo que falar de Strokes para explicar onde estou agora. Me sinto confortável falando sobre isso. Não parece terapêutico, só normal. ‘Onde você esteve, o que esteve fazendo?’ ‘Fiz isso por um tempo, não funcionou, graças a Deus eu saí.’ Às vezes quando você sai disso, você encontra pequenas pistas pra te ajudar a se manter no caminho, pequenas disciplinas. Você quase sente como se quisesse compartilhar e o problema é, vamos tirar isso do caminho, o primeiro pedacinho dele e então eu posso começar a compartilhar outras coisas.

Mas foi uma grande parte da minha vida. Depois dos Strokes, foi provavelmente a segunda maior coisa na minha via, um caminho de descoberta e mudança. Não era até que eu olhei pra trás e percebi, eu usei muitas drogas. Mesmo antes de fazer muito, eu estava usando muito. É interessante quando você descobre que você é uma pessoa curiosa sobre descobrir esse caminho. Há pessoas que podem mantê-lo na linha e eles não querem fazer isso.

Noisey: Você se envolvou nisso porque queria escaper de algo ou por que estava curioso sobre onde isso ia te levar…

Albert: Acho que você começa numa celebração. Você é jovem e é divertido sair de sua mente, fazer shows, e festejar. Isso abre novas portas, claro, mas se você não parar, você não pode usar essas novas portas abertas. E então você descobre uma [droga] que funciona um pouco melhor, que talvez acalme sua mente, ou você realmente não entende como você pensa de determinada maneira. Você não gasta muito tempo trabalhando consigo mesmo, então você encontra essas coisas, e então leva pra outro lugar. É quando deixa de ser uma festa, é quando você acorda de manhã e faz isso. E então você realmente não funciona. Por que você está fazendo isso? Porque você chegou num ponto em que não se importa. As pessoas estão como ‘Você não sabe que está se machucando, que você vai se matar?’ E você está como ‘Eh, bom.’

Noisey: O que te fez parar?

Albert: Todos que fazem isso vão te dizer que você chega num ponto em que você está quebrado, então um dia seu corpo decide: ‘Eu não aguento.’ Então você lida com o afastamento e você para por alguns meses e então começa a beber de novo, então você não parou realmente. Atingi um ponto em que era óbvio. Havia dois caminhos: ambos te levam a lugares que você não conhece, mas um parece muito negativo. E por qualquer razão – a forma que cresci, algo em meu DNA, um pensamento – senti muito claramente que qualquer dor que eu fosse atravessar, eu tinha que pegar o outro caminho. É como uma dor auto-inflingida. Você não quer sentir pena porque você causou isso a si mesmo, mas é algo difícil de sair. Primeiro você tira coragem daí, ‘Estou tão ferrado e passei por isso’, que é um tipo de bobagem que não é realmente coragem.

Noisey: Qual sua relação com Nova Iorque esses dias? É difícil estar numa cidade que continua adolescente, ou não adolescente mas…

Albert: Sei o que quer dizer. A beleza sobre toda grande cidade e Nova Iorque é que você pode escolher entre os diferentes mundos em que quer viver, os muitos mundos que Nova Iorque oferece. Não porque eu não quero, mas quando estou trabalhando ou ocupado, acho difícil ter energia para sair à noite e ainda ter energia pra fazer o que estou fazendo. Quando saio, é divertido, embora eu definitivamente não faça mais como antes. Mais porque não encontro a mesma satisfação na repetição. Quando era mais novo os sete dias da semana eram incríveis – era pelo que me esforçava. Agora eu aprecio, interajo com as pessoas, mas não preciso fazer isso o tempo todo. Se você não está bebendo, você percebe que em muito do tempo é a mesma conversa então você faz outra coisa! Primeiro é difícil quebrar qualquer tipo de ciclo. Ainda amo isso, só uso de forma diferente.

E algumas vezes gosto de sair da cidade para o norte, mas achava isso quando ia praquele lugar e ainda estava farreando. As pessoas falam sobre The Strokes , ‘Oh, você está diferente agora’, e é como, talvez fosse acontecer de qualquer forma na passagem dos 20 aos 30. As pessoas dizem ‘Oh, vocês não são uma turma como eram quando tinham 18’. Bem, todos exceto Fab e eu, são casados e tem filhos. Se fôssemos os mesmos eles seriam os piores pais do mundo! Você não pode ser a mesma pessoa o tempo todo e você gostaria?

Noisey: Sente falta dessa época?

Albert: Sinto, como sinto falta de tudo, porque a vida é uma série de coisas que se vão.

Noisey: Oh caramba.

Albert: Nao – mas de um jeito bonito! E quando você tem algo novo e é diferente e você aproveita. Aposto que aos 40 vai ser ‘Sente falta de quando tinha 30?’

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Albert: Yeah! Obrigado. Gosto de pensar que se fizer isso aos 70, terei perdido todos esses momentos diferentes mas também, estou feliz onde estou agora porque adquiri todos esses aspectos da vida e a compreensão. Mesmo que não tenha uma resposta certa, ainda é parte da jornada. Não acho que gostaria de viver num loop, tendo 18. Gosto de pensar sobre como estou usando o momento então eu não vou sentir saudade. Você sempre sabe como vai ser … digo essas coisas e as pessoas ficam chateadas mas acho que é a admiração que tenho pela vida e porque não sou religioso. Tudo é tão incrível: as árvores, as montanhas, as estrelas, a química em nós que faz com que sejamos nós, os impulsos em nossos cérebros que parecem mágicos mas ao mesmo tempo nos levam a fazer isso, e ainda sentimos como se tivéssemos livre arbítrio. É muito espetacular.

Datas da turnê:

11/04 – New York, NY – Marlin Room at Webster Hall *
11/05 – Teaneck, NJ – Mexicali Live *
11/06 – Philadelphia, PA – Johnny Brenda’s *
11/08 – Boston, MA – Brighton Music Hall *
11/09 – Albany, NY – The Bayou Café *
11/10 – Toronto, ON – Phoenix Theater *
11/11 – Detroit, MI – The Magic Bag #
11/13 – Chicago, IL – Double Door #
11/14 – Minneapolis, MN – Varsity #
11/15 – Kansas City, MO – The Riot Room #
11/17 – Denver, CO – Moon Room #
11/19 – Santa Ana, CA – Constellation Room #
11/20 – Los Angeles, CA – El Rey Theater #
11/21 – San Francisco, CA – Slims #
11/23 – Portland, OR  Hawthorne #
11/24 – Seattle, WA – Chop Suey #
11/25 – Vancouver, BC – Venue #

EUROPA
12/2 – Paris – Maroquinerie
12/3 – Amsterdam – Bitterzoet
12/5 – Brighton – The Haunt
12/7 – Glasgow – Broadcast
12/8 – Manchester – Night & Day Café
12/9 – Leeds – Brudenell Social Club
12/10 – London – XOYO
12/12 – Milan -Magnolia
12/13 – Rome – Circolo Degli Artisti
12.14 – Bologna – Covo

Publicação original: Noisey

Foto: Brightest Youngthings