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Tradução: Entrevista com Cody Smyth

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Cody Smyth, fotógrafo e amigo de longa data dos Strokes, está prestes a lançar o livro que documenta uma década da história da banda. Com data de lançamento prevista para 10 de outubro, o livro – que promete ser incrível – está em pré-venda na Amazon. Abaixo, a tradução de uma entrevista que o fotógrafo concedeu a Alejandra Ramirez em 10 de maio de 2016, em que ele conta de sua amizade com a banda e de como foi estar lá acompanhando o começo da carreira. Confiram!

 

 

The Strokes, Nova Iorque, e o fotógrafo que estava lá

Cody Smyth assistiu à transição de frequentadores de bares para uma das maiores bandas de rock do mundo

Como The Strokes chegou tão longe? Pense em 2001, quando os roqueiros de Nova Iorque lançaram seu álbum de estreia, Is This It. Aquele título, modesto e autocrítico, não combinava exatamente com o perfil de uma banda marcada para a onipresença e longevidade. Um sinal ainda maior da iminente morte da banda era o fato de críticos terem atribuído a eles expectativas messiânicas, saudando-os como a segunda vinda de The Velvet Underground (as raízes post-punk e produção sem frescura de Is This It também tornaram inescapáveis as comparações a Television ou Stooges).

Mas os verdadeiros Strokes eram algo mais simples que tudo isso: uma grande banda de rock. No início dos anos 2000 eles ajudaram Nova Iorque a ser excitante de novo e todos esqueceram o adágio solene “o rock está morto”, mesmo que por um momento. 15 anos e 4 discos depois, a influência da banda é clara, facilmente reconhecível nas marcas deixadas pelas execuções de Julian Casablancas ou pelas distorções irregulares da guitarra de Albert Hammond Jr.

Parece que Strokes dispararam para o estrelato em questão de segundos, mas sua fama não veio da noite para o dia. Pergunte ao velho amigo e fotógrafo da banda, Cody Smyth, que começou a reunir a história deles no final dos anos 1990. Smyth ficou com o grupo enquanto eles transitaram de regulares frequentadores de bar em jaquetas de couro para atração principal de festivais, tirando quantas fotos podia pelo caminho. No ano que vem, ele vai lançar um livro de fotografias talvez intitulado The Strokes 1996-2016, que ele descreve como “um registro de 20 anos de amigos próximos que se tornaram uma das maiores bandas de rock do mundo”.

Consequence of Sound falou recentemente com Smyth sobre seus planos para o livro, suas lembranças com a banda, e o que ele vê para o futuro dos Strokes. Com música nova a caminho e confirmados para o Governors Ball Music Festival neste verão, esse futuro pode ser tão fotogênico quanto o passado.

Então, qual a história por trás do livro que você vai lançar?

Eu conheci Nick, Julian, Fab e Nikolai em 1995, na escola. Nos tornamos amigos instantaneamente. Então começou lá atrás comigo fotografando amigos porque meus pais cresceram nessa indústria. Começou lá e cresceu para um documento inteiro.

Um amigo próximo da família que é editor da Lesser Gods sabia que eu os tinha fotografado. Ele trabalhou para a MTV Books, e eu acho que ele sabia que eu tinha esse registro que não foi visto… que eu tinha mais ou menos mantido para mim por quase 20 anos. Então eu o encontrei, e ele olhou algumas das fotos e pensou que era definitivamente suficiente para contar uma história de dentro – não só pra lucrar com ela. É tipo um registro íntimo de 20 anos viajando com eles, mas o livro surgiu porque ele se interessou e viu outras fotos além das que estão em meu site.

Desde então, eu procurei os caras, e eles sabem sobre meu trabalho e sempre apoiaram. Eles foram super legais a respeito e realmente estão animados e felizes com isso. (mais…)

Tradução: Entrevista com Nick Valensi

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Foto por Amanda de Cadenet

 

Em 2006, Nick Valensi concedeu uma entrevista por telefone a Daniel Robert Epstein, do site SuicideGirls, uma página dedicada a publicar material e fotos eróticas de garotas estilo pin up.  A seguir, nossa tradução:

Daniel Robert Epstein: Hey, Nick, onde você está hoje?

Nick Valensi: Estou no Brooklyn, Nova Iorque. Onde você está?

Daniel: Astoria, Nova Iorque. Somos rivais.

Nick: Sim, somos rivais, mas também estamos intimamente ligados.

Daniel: Então, você estará no Saturday Night Live amanhã à noite.

Nick: Sim, estaremos no SNL. Tivemos uma agenda agitada nos últimos dois ou três meses.

Daniel: Vocês vão participar de algum dos esquetes do SNL?

Nick: Acho que não. Eles não nos pediram [risos]. Mas no ensaio de ontem, filmamos umas duas chamadas para comerciais.

Daniel: Eu vi, são realmente engraçados. Aquele personagem de Horatio Sanz’s é realmente perturbador.

Nick: Sim, cara, é pior ao vivo. Mas estivemos realmente ocupados e eu sinto como se não tivesse tempo suficiente no dia. Você conhece a sensação?

Daniel: Eu tive isso hoje.

Nick: Me parece que falei com umas duas pessoas hoje que tiveram dias agitados. Talvez seja o ciclo astrológico mesmo que eu não acredite realmente nessas coisas.

Daniel: Acho que é o aquecimento global.

Nick: Ok, culpe-o por isso. Então, suicidegirls.com, é um site pornô, né? (mais…)

Entrevista – Um americano em Paris: Fabrizio Moretti

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Dia 10 de julho, foi publicada aqui no Elledérive uma entrevista com Fabrizio Moretti, sobre seu tempo em Paris. Leia nossa tradução logo a seguir:

Você vive em Paris já faz um ano. Quando descobriu a cidade pela primeira vez?

Eu vim com minha família quando era pequeno, mas ainda tenho algumas lembranças daquela visita. Para mim, era só mais uma grande cidade, ou uma outra viagem em família. Por outro lado, eu lembro perfeitamente quando vim em 2002 com os Strokes. Nossa banda estava começando, e ficamos em um hotel perto do Gare Du Nord. Eu andei bastante pela cidade e pensei “Tem uma energia forte nessa cidade, um dia vou morar aqui”.

Por que decidiu se mudar pra cá?

Eu precisava de um tempo pra pensar sobre o que iria fazer da minha vida. A banda estava em uma espécie de ‘hiato’, e eu me senti meio preso na rotina em Nova Iorque. Eu estava só vendo as pessoas que saíam e viviam uma vida de excessos e estava cansado disso. Mas eu não sabia onde ir! Então eu lembrei do que senti naquele pequeno hotel perto da Gare Du Nord, e lembrei da promessa que fiz a mim mesmo.

Primeiro, eu estava tão perdido quando cheguei! Eu pensei: “F*, o que estou fazendo aqui?” (risos). Mas então conheci Liz, um ilustrador que estava apaixonado por música, e nós começamos a trabalhar juntos em um projeto artístico que chamamos FUZLAB, um afresco de alguns metros, evocando o mito de Teseu e o Minotauro. Este trabalho me permitiu muitas coisas: primeiro, me deu um objetivo, então Luz e eu construímos uma amizade sólida, e finalmente, me deu um novo olhar sobre criação, e mudou minha forma de fazer música.

Como assim?

Eu me tornei mais disciplinado na bateria. O trabalho de um ilustrador requer flexibilidade nas mãos, e o de um baterista também, e eu trabalhei nessa flexibilidade. Além disso, quando você desenha, você não sabe realmente onde está indo, mas você tem que dizer a si mesmo que está indo em direção a algo lindo. Eu aprendi a aplicar a mesma abordagem de confiar no improviso na música.

Paris é uma cidade inspiradora, para um artista?

Sim, definitivamente. Os museus são tão ricos, e a arquitetura é incrivelmente bem preservada também. Você pode sentir que está em um lugar atemporal. Essa atemporalidade encoraja você a pensar que o que você cria também é atemporal. Não me entenda errado, não significa que eu crio coisas incríveis. Mas aqui, eu sinto que posso ir mais longe ao explorar minha criatividade. Eu posso ir em direção à fantasia. Sabia que William S. Burroughs escreveu Naked Lunch em Paris? Ele costumava passer um bocado de tempo na Shakespeare and Co.

Quais seus outros locais usuais?

Eu moro no 3º arrondissement*, e saio pela vizinhança. Vou tomar café no Fragments. Eles fazem um café ótimo. No almoço, às vezes vou ao Merci. Sim, é um pouco esnobe, mas as pessoas que gerenciam o local são muito doces. E pra jantar, eu amo o Nanashi, é tão bom!

Outra coisa que adoro fazer em Paris é visitar os museus à noite. O Louvre, Orsay ou Pompidou: é fabuloso ir lá quando a noite cai e está tão calmo, sereno.

O que você acha da imagem veiculada pela mídia internacional da mulher parisiense – livre, sofisticada, chique e boêmia ao mesmo tempo?

É uma pergunta difícil pra mim, porque quando eu ando por aí ou conheço as pessoas, não importa pra mim se são homens ou mulheres. Mas – e talvez isso se deva ao fato de não ser bilíngue e não compreender completamente o que as pessoas estão dizendo – eu tenho a impressão de que as pessoas aqui são mais mente aberta, mais tolerantes à excentricidade.

Mais que em Nova Iorque?

Sim, absolutamente.

Falando em excentricidade, qual a coisa mais maluca que você vivenciou em Paris?

Eu estava com Luz. Depois de abrir a exibição FUZLAB, fomos convidados à casa de alguém que não conhecemos, o filho de um alto funcionário libanês, alguém rico. Era em um apartamento luxuoso em Île St Louis. Não sei porque, mas Luz estava vestido de branco aquela noite. Depois de algumas bebidas (era quando eu ainda bebia, isso está no passado agora), começamos a fazer bagunça. Tinha uma grande tigela de melado, e começamos a usar pra pintar as roupas brancas de Luz, enquanto dançávamos. O filho do oficial libanês achou impressionante, e estava gritando: “estamos festejando no inferno!” (risos). Estávamos bem limpos e arrumados quando fomos à festa, mas quando saímos estávamos cobertos de melado, no meio da noite, no coração da Île St Louis. Foi um absurdo total, mas uma grande lembrança de riso histérico.

*arrondissement: divisões administrativas da cidade de Paris.

Fonte: Elledérive Paris

Tradução: Equipe TSBR

Tradução – Talvez você não viva só uma vez: O novo vácuo de Julian Casablancas

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Foto por Abby Ross

Na edição de abril de 2015 da Noisey foi publicada uma matéria sobre Julian Casablancas, na qual o artista fala de música, política e suas aspirações. Vejam a seguir a nossa tradução:

Depois de meses tentando desembrulhar o cérebro do líder dos Strokes, ainda não temos certeza do que descobrimos. No fim, esse deve ter sido o plano o tempo inteiro.

O sol começa a tocar as árvores e desaparecer de vista enquanto Julian Casablancas e eu sentamos olhando um lago na área rural de Nova Iorque. É um dia fresco e claro de outubro, e ele está brincando com a ideia de dirigir até a cidade. Ariel Pink tem um show no Brooklyn. Não é um pouco tarde para entrar na lista? “Meu rosto é meu passe para o backstage,” ele ironiza, completando rapidamente, “Courtney Love me disse isso um tempo atrás. Ela e Winona Ryder estavam dirigindo depois de um show e Courtney gritou, ‘Venha ser famoso conosco!’”

O líder dos Strokes não é famoso de muitos flashs, mas ele é reverenciado em uma espécie de culto, especialmente no cenário musical de Nova Iorque. Ele é o tipo de cara que você nota, mesmo que não tenha certeza do motivo. Hoje sua figura de 1,88m está vestida em calças jeans brancas sujas e uma camisa vermelha de flanela que aparece pouco por dentro da velha e lustrosa jaqueta preta dos Knicks, que ele viria a vestir cada vez que nossos caminhos se cruzaram poucos meses à frente. No terreno cercado de cidade perfeita onde nos encontramos mais cedo aquele dia, ele estava genuinamente incongruente, dirigindo um Monte Carlo SS da Chevrolet dos anos 80 que ele comprou no Craigslist. Todo preto com detalhes vermelhos e um interior amarronzado, ele abraça a estrada lentamente e o motor emite um profundo ruído agradável. O cantor de 36 anos cruza o estacionamento da linha do trem e para. Ele sai do carro, sorrindo, e abre a porta do passageiro. Depois, quando estacionamos em um café-restaurante tão singular que parece uma ilustração, um homem de meia idade passa por perto com sua esposa e balança a cabeça, apreciativo: “Esse é um carro clássico. Essa coisa é maravilhosa!”

Estou encontrando Casablancas para conversar sobre seu disco Tyranny. É seu segundo disco fora dos Strokes – depois de Phrazes for the Young de 2009 –, mas seu primeiro com uma nova gangue vestida em couro, The Voidz. Sugerido por ele, nos encontramos a poucos passos do local para onde ele, sua esposa e filhinho recentemente se mudaram, é assim que nos encontramos caminhando por uma estradinha meio escondida, pisando em folhas secas até um lago bem próximo. Sentamos em nossos casacos perto da água. Álcool, cigarros, maconha e café são todos vícios do passado. Red Bull tipicamente ajuda Casablancas a se tornar mais comunicativo e atingir o requisito necessário para uma entrevista, mas não há nenhum Red Bull por perto. Hoje, ele bebe água vitaminada. É roxa.

A primeira vez que conheci The Strokes foi dia 1º de fevereiro de 2001, em Brighton, Inglaterra. Era seu primeiro show principal no Reino Unido, e eles haviam lançado o EP The Modern Age poucos dias antes. Mesmo sendo de Nova Iorque, eles foram maiores primeiro no Reino Unido, onde o burburinho tinha uma ordem de magnitude mais alta de que qualquer outro artista da época. Caminhei por aquela casa de shows suja enquanto uma passagem de som ecoava, uma estudante de jornalismo com algumas entrevistas a tiracolo. Eu usava calças jeans desbotadas porque era o que todo mundo usava na época, e J.Lo, Limp Bizkit, Eminem, Britney e Christina estavam em rotação permanente na MTV. Eu conduzi uma entrevista terrível. Os Strokes eram amáveis e ansiosos para falar; alguns deles eram oblíquos (Valensi), outros estupefatos e levemente impacientes (Casablancas). Em algum momento perguntei, “Então, Britney ou Christina?” (mais…)

Tradução — Entrevista com Julian Casablancas para Les Inrocks

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Fotografia: Liliane Callegari

Julian Casablancas, a entrevista: “Eu ainda estou com raiva”

por JD Beauvallet

À margem dos Strokes, Julian Casablancas encontrou uma gangue de durões tatuados para tocar juntos um rock físico. Punk, new-wave, hardcore: o americano revisita com voz perfeita as músicas agitadas de sua adolescência. Mas com a consciência política de um adulto.

Seu novo grupo, The Voidz, é uma forma de escapar da pressão dos Strokes, de reencontrar a leveza?

Não, o desafio é mais forte com The Voidz, me obriga a cavar mais fundo, a enfrentar as coisas que eu tendia a evitar. Esses últimos anos, com os Strokes, o que mais importava pra mim era que nos dávamos bem, estou aberto aos outros. Eu queria que em cada canção, estivéssemos felizes, positivos. No começo, eu sem dúvida me importava menos com os desejos e as reações de cada um. Foram necessários anos para não haver mais guerra nos Strokes. Então, hoje, estamos em paz, avançamos na mesma direção. Sem dúvida hoje será mais fácil apresentar minhas ideias malucas aos Strokes… por muito tempo, se eu chegasse falando: ‘vamos fazer uma introdução de mais de dois minutos’, eles me olhariam como um marciano (risos)…

Você se sente mais à vontade com The Voidz?

Mesmo estando à frente, não é preciso acreditar que The Voidz representa meu ego. É preciso usar a mesma força de convicção que com os Strokes pra mover os outros. Levei algum tempo para encontrar pessoas com quem estivesse exatamente no mesmo comprimento de onda, humanamente, musicalmente. Nos sentimos fortes como uma gangue com The Voidz… A primeira vez que cruzamos juntos Nova Iorque às três da manhã, nos olhávamos e pensávamos: ‘caramba, eu não passaria por esses caras à noite num beco’ (risos)… Nós cuidamos uns dos outros, somos irmãos.

Um dos aspectos estranhos de seu álbum Tyranny é a justaposição entre um som explosivo, bastante colérico e o canto cada vez mais melancólico, desiludido…

São sem dúvida os temas que pedem esse tom. Eu quero oferecer um pouco de esperança no fim, mas no caminho, vou forçosamente atravessar passagens esmagadoras. É o preço a pagar pelo realismo. Continuo com raiva, há sempre esse sentimento de desespero e fúria em mim. A diferença, é que hoje o sentimento é de jogar contra o relógio. Eu sei que vivemos totalmente em uma bolha, no castelo de Versailles (risos)… é preciso que vejamos as coisas com nossos próprios olhos para acreditar nelas: a menos que sejamos violentamente vítimas do sistema, nos acomodamos, nos fazemos de avestruz. Quando voltamos aos sistemas feudais tirânicos como da Idade Média… vivemos totalmente uma ilusão de democracia: quanto mais de nós reconheçamos o interior de nossa bolha, melhor será.

Você se sente mais exasperado/irritado com a idade?

Não me sinto nem político, nem radical. Mas muitos artistas são insensíveis à moralidade: é meu cavalo de batalha. Os anos Bush sem dúvida abriram meus olhos… O objetivo da música deveria ser de oferecer uma escapatória a essa realidade, eu sei bem. Mas tenho a sorte de ter um microfone, eu não posso tratar o que faço de forma leve. O verdadeiro desafio, é de ser universal, de poder ser compreendido por todos em todos os lugares. É por isso que frequentemente uso frases de duplo sentido, para que ninguém se sinta excluído. Mas em Tyranny, havia sem dúvida uma necessidade de ser mais preciso, porque o inimigo é muito mais visível a olho nu, os problemas aparecem mais claramente. Não era uma vontade: era a situação que, nos últimos anos, me levou a escrever essas músicas.

Você já pensou em escrever além de música, artigos, por exemplo?

Concordo, não acho que a música pop seja suficiente. É um veiculo para transmitir minhas pequenas reflexões ao grande público. Mesmo essa magra contribuição pode ajudar. Mas escrever artigos, não, muito trabalho pra mim (risos)… eu preciso da música pra escrever. Por exemplo, meu poeta preferido, Rumi, escrevia sobre a música – e eu nem me comparo, hein?

A música de Tyranny – punk, new-wave, hardcore – é pra você tingida de nostalgia?

Sempre gostei da intensidade das músicas hostis, agressivas. Mas também amo as coisas muito pop, e poucos grupos tiveram sucesso, como Nirvana, em reunir os dois. Minha prática de música vai nesse sentido, eu não ouço necessariamente os discos, mas um clássico praiano, um pouco de hip-hop, depois outro country alternativo totalmente louco…

De fora, temos a impressão que sua participação em Random Access Memories de Daft Punk revolucionou sua maneira de cantar. A experiência foi tão forte?

Eu os adoro, estou orgulhoso de ter sido convidado, eu cheguei a ganhar uma pequena estatueta do Grammy graças a eles. A canção Veridis Quo é sem dúvida uma das minhas favoritas de todos os tempos. Muito se fala de suas bases funky, que também amo, mas o que me toca mais é seu lado barroco. Sua maneira de misturar o clássico e o sintetizador é realmente mágica. Quando ouvi a canção que me propuseram, Instant Crush, imediatamente pensei em Veridis Quo, em sua simplicidade. E minha primeira reação foi dizer: ‘deixe instrumental, não a estrague com a minha voz!’ Trabalhar com eles nos obriga nos superar. Talvez eles quisessem que eu cantasse como Strokes, com aquele canto grave como Lou Reed… Mas eu disse que queria um capacete, um codificador de voz, me tornar um robô vermelho vivo. E cantei os agudos, pela primeira vez.

Onde estão os Strokes?

Fizemos alguns shows esse ano, compusemos algumas músicas. O ambiente é bom, positivo, e já não era esse o caso por algum tempo. Sem dúvida iremos nos reencontrar em janeiro para trabalhar em novas ideias. Mas não se empolgue muito: isso pode levar dois ou três anos.

Tradução: Equipe TSBR

Fotografia: Liliane Callegari

(Leia a  entrevista original em francês no site lesinrocks.com)

Julian Casablancas e Honor Titus na NME

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Honor Titus (Cerebral Ballzy) entrevistou Julian Casablancas para o especial “Heroes” que veio na NME de março de 2014. Julian falou sobre Lou Reed e Bob Marley, e vocês podem conferir nossa tradução a seguir:

Julian Casablancas e Honor Titus não poderiam chegar ao local escolhido para essa cúpula de heróis NME – uma casa na suburbana Austin, Texas, no último dia do SXSW – de forma mais diferente se eles tentassem. Primeiro? Um veículo enorme disponibilizado pelo festival onde Julian tocou com sua nova banda, The Voidz.  O último? De braços abertos no teto do maltratado ônibus de turnê do Cerebral Ballzy, que parece uma torradeira com rodas, tendo sacrificado o seu lugar dentro da van para que eu pudesse me espremer entre os skates, bongs e os suados companheiros de banda.

A incongruência de pegar esta permanentemente chapada rua do punk de Manhattan para entrevistar o rei de Nova Iorque não é ignorada por ninguém, mas uma vez que os dois vocalistas se veem, sorrisos e abraços fraternais surgem. Julian assinou com Ballzy para a Cult Records, e eles se tornaram amigos rapidamente – cheque os elementos mais hardcore da nova música de The Voidz para ter uma prova disso.

Além do mais, apesar de ter feito nada menos que quatro shows no dia do nosso encontro, Honor passou a tarde trabalhando numa série de questões para seu novo chefe…

(mais…)

ALBERT HAMMOND JR PARA THIS IS FAKE DIY – TRADUÇÃO

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entrevistaAlbert Hammond Jr foi entrevistado para a edição de janeiro da revista This is Fake DIY.

Leia nossa tradução a seguir:

“Não tem nada mais divertido que trabalhar com amigos”. Em outubro do ano passado, Albert Hammond Jr. lançou o EP “AHJ”, seu primeiro lançamento solo desde ‘Como te llama’ (2008); pela Cult Records, de seu companheiro de Strokes, Julian Casablancas.

“Ele é um bom amigo, somos sempre tão criativos juntos. Falamos muito sobre música e como vemos as coisas. De certa forma somos similares, e de outras formas somos diferentes, e essa combinação sempre foi divertida como amigos, então realmente parece isso. Quando pensei que ia lançar algo, sabia imediatamente que seria pela sua gravadora”.

O lançamento de cinco faixas é ao mesmo tempo novo e familiar, pegando elementos tanto do seu primeiro quanto dos últimos trabalhos. “Há coisas que eu gostei no primeiro álbum, há coisas que gostei no segundo. Espero que haja coisa que eu goste num terceiro. Terei que fazer uma mistura de tudo, cedo ou tarde. Até eu ter misturado tanto que as pessoas digam que soa como merda e eu precise começar de novo”, ele ri.

A decisão de gravar um EP em vez de um disco completo não foi, ele explica, consciente. “Não era uma coisa real, embora soasse boa, e certa, e tínhamos tempo, mas não sabia quanto levaria para terminar a gravação. Então pensamos, você sabe, um pouco menos de pressão, dependendo do que eu queria fazer com aquilo. Tudo apenas parecia certo e fácil.”

“Foi realmente ótimo ficar excitado com algo, e então sentar e ouvir, e tentar outras coisas. Eu não estava pensando ‘Deveria fazer isso?’ ou ‘Deveria tentar aquilo?’, apenas faria o que queria fazer.”

E enquanto ele pede para não lembrar mais do que a produção do EP (“posso estar no meio de uma frase e esquecer o que quero falar”, ele admite), ele descreveu ‘AHJ’ previamente como algum tipo de renascimento, uma estrela nova. “Foi a primeira coisa que eu fiz sozinho num tempo”, ele diz, “e foi a primeira coisa que fiz sozinho que era… acho …sóbrio”

Mas o não-tanto-autointulado não era, ele explica, uma referência direta a emergência do melhor lado da sua bem-documentada luta com o vício. De fato, foi acidental, o disco tinha um título diferente.

“Seria ótimo se fosse ‘sim, eu pensei em tudo nos mínimos detalhes'”, ele ri. “Nós tínhamos a arte, e estávamos tentando algo com ela, e Warren [Fu] apenas escreveu minhas iniciais com sua letra e eu estava ‘wow, é muito legal'”.

Fonte: Cult Records

Ele também já começou a trabalhar em algo novo – tentando, escrever “uma canção inteira, mas não completa” depois de uma pequena viagem ao norte do estado de Nova Iorque recentemente. Ele também está pronto para voltar ao Reino Unido. “Há planos de voltar”, ele diz, “e haverá planos para alguns festivais. Tudo depende de pegar shows dos produtores. O que não é uma coisa fácil”.

Fonte: Página da Cult Records, no Facebook

TIME OUT CHICAGO: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE

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A resenha mais concisa sobre Comedown Machine foi publicada dia 12 de março pela Time Out Chicago. É um faixa-a-faixa, e vocês podem ler a nossa tradução logo a seguir:

The Strokes – Comedown Machine | Resenha faixa a faixa

por Brent DiCrescenzo

“They found our city under the water / Had to get our hands on something new”  (“Eles encontraram nossa cidade debaixo d’água / Tivemos que colocar nossas mãos em algo novo”)
– Primeira linha de Comedown Machine

The Strokes estão condenados se o fizerem, e condenados se não o fizerem.

Ater-se ao roteiro de Is This It, é isso. Se repetem suas glórias passadas, críticos vão dizer que não estão evoluindo; se evoluem, críticos vão destruí-los por não repetirem os altos de seu disco de estreia. Este é o caso recorrente de bandas cujos discos de estreia dão luz ao fusível de um movimento inteiro. Como portadores da tocha, eles progridem e alienam discípulos. Mas se eles teimosamente se desconectam desse mesmo som, especialmente depois de passada uma década, eles estão condenados a cair do penhasco de irrelevância na medida em que seu som inevitavelmente perde o gosto. Apenas quase todos os caras com uma guitarra (bem, todos os caras com uma guitarra na Inglaterra) tentaram imitar o som dos Strokes. Portanto, os Strokes o abandonaram.

No entanto, os Strokes cobriram suas apostas ao promover seu quinto álbum, Comedown Machine, oferecendo um pouco do velho e do novo. Primeiro, houve “One Way Trigger”, um estranho número propulsor que corria como nervosismo provocado por cafeína com Julian Casablancas cantando em um falsete muito bagunçado por cima de um ousado riff de teclado. O primeiro single oficial, “All the Time”, trovejou em uma garagem cara com instrumentação de rock padrão e aprumo de tamanhos de arenas. No papel, “Trigger” foi a nova direção excêntrica, enquanto “Time” satisfez os puristas. Mas, francamente, o primeiro foi mais verdadeiro ao espírito original do grupo de hiper-composições velozes e emotivas com misturas não convencionais. “All the Time” poderia se passar por Pearl Jam. Nenhuma é um indicativo de como o resto do álbum soa. Absolutamente.

De certo modo, The Strokes emulam um Blur inverso. Dalmon Albarn e Graham Coxon enjoaram do arco brilhante do Britpop e abraçaram diferentes estilos americanos de rock underground no LP homônimo de 1997. The Strokes liberam seus “novaiorquismos” para uma manhosa aproximação continental. Se há qualquer traço da Big Apple, é a grande sombra do Blondie, que fez truques similares mais tarde em sua carreira. O pessoal da festa diz que o quinteto mergulhou fundo nos anos 80. Eu acho que um ponto de referência melhor é a virada do milênio em Paris: discos como United do Phoenix e 10,000 Hz Legend do Air.

Tendo isto em mente, começamos:

“Tap Out”
Uma explosão de exibições de guitarra te dá um tapa na cara. Os Strokes estão limpando a garganta, tirando meleca do nariz no rock & roll, e aliviando o clima. Rapidamente ela desliza em uma vibe Michael Jackson, funk alegre construído a partir de palmas mudas, pedais de refrão e solos de cocaína. Um Casablancas relaxado canta em arejadas notas altas: “Drifting / You don’t want to know what’s going down.” A banda nunca soou tão suave, e é esse clima que carrega metade das faixas. Já a outra metade…

“All the Time” 
Como mencionei antes, eu não encontro uma semelhança com os dois primeiros álbuns, mas ela é forte e enérgica. Com o som dos cinco tocando juntos em um grande estúdio, ela parece mais com First Impressions of Earth. É o único corte quando seus cérebros são deliberadamente desligados e eles simplesmente tocam por instinto. É também a música menos interessante aqui.

“One Way Trigger” 
Casablancas canta em falsete em muitas músicas de Comedown, mas nunca de forma tão intensa como em “Trigger”. Eu acho que é intencional, já que a letra fala sobre um relacionamento em crise, mas ela certamente foi uma pílula difícil de engolir. De qualquer forma, o vocalista está em sua melhor forma no álbum, exibindo uma notável série e soando o mais engajado de que ele tem sido em uma década. Ele também não tinha cantado tanto assim sobre sexo desajeitado e meninas desde 2003. Só para acrescentar à anormalidade desta música: esta é a única vez que um violão faz uma aparição.

“Welcome to Japan” 
Empacotando dois refrões, um bridge pensativo, discoteca assobiada, um solo fabuloso e uma ótima piada, “Japan” é o melhor single dos Strokes desde “You Only Live Once”, sua “Rapture”. Pelo menos, se RCA souber o que está fazendo. É simplesmente uma explosão. O traço mais negligenciado de Casablancas é o seu senso de humor. Esta é a primeira vez na canção ele lembrou o público que ele é um cara que amava MacGruber e brincou sobre o nome deste álbum ser Rollerbladin’. Especialmente quando ele proclama: “Oh, welcome to Japan!” antes de comicamente cantar “Super dance-y funk down.” Ou algo do tipo. Tanto como está destinada “I didn’t really know this / What kind of asshole drives a Lotus” a ser a linha mais citada, o subsequente refrão quase-rap ganha: “Come on, come on, get with me / I want to see you Wednesday / Come on, come on, come over / Take it off your shoulder / Come on and call me over / We’ve got to get to work now / Sliding it off your shoulder / As we’re falling over. Como quatro músicas inteligentemente compactadas (uma das quais é “Taken for a Fool” do ultimo disco), esta é uma composição imaculada e irritantemente viciante.

“’80s Comedown Machine” 
De alguma forma, nada demonstra a composição detalhada de uma música como uma versão cover em 8-bit. É como encostar o rosto contra um relógio para ver como todos os mecanismos funcionam. Não existem melhores exemplos de que músicas dos Strokes transformados em versões japonesas low-tech. Para ter exemplos, veja aqui e aqui. A abafada faixa-título bate a Internet com um soco, soando um tanto semelhante a um cartucho de Nintendo tocando “Chariots of Fire” e “Lucy in the Sky with Diamonds”. Casablancas flutua levemente sobre os loops sossegados do mellotron. “Why don’t you close the blinds / for the night?”, ele gentilmente pede.

“50/50”
Agora, “All The Time” é o modo como soa um clássico Strokes. E, bem, como Soundgarden um pouco também. Fazendo algo meio Badmotorfinger com um riff tipo “Rusty Cage”, este punker tenso e sarcástico vê Julian retirando seu microfone batido de Is This It de uma caixa empoeirada em seu armário e rosnando com uma ferocidade que não se ouvia desde “Reptilia”. Além disso, se você ouvir atentamente, você pode ouvir o cantor diz no fundo, “…the record for the worst foul shot, in the history of the playoffs*”. Por que não?

“Slow Animals”
Em tempo, Angles será visto como um recomeço. Muito do LP anterior vem como demos para Comedown Machine. O cruzeiro calmante de “Animals” em particular pega algo de “Life is simple in the Moonlight” e “Two Kinds of Happiness”, ajustando os conceitos e polindo as arestas. O que significa que não é muito diferente do Mirage de Fleetwood Mac. Staccato*, guitarras abafadas, sintetizadores oscilantes e o mais curiosamente abafado solo de guitarra da história deles, crescendo lentamente. Mas não se preocupe, um solo estridente segue o verso seguinte. Os caras caem na risada ao final, sublinhando sua camaradagem recentemente redescoberta. Apesar da mudança radical no som e a publicidade bizarra em torno desse lançamento, os cinco estão tão unidos e focados como foram no primeiro mandato de Bush.

“Partners in Crime” 
Zumbidos e batidas bobas de Nick Valensi, muito parecida com a abertura do álbum, ambas zombam do rock clássico e abraçam sua prazerosa ridicularidade. Em cima de uma estrutura de sequência de bateria de Adam Ant e o salto de “Lust for life” (muito parecido com outra música de Strokes com a qual você certamente está familiarizado) por Fabrizio Moretti, todos têm uma explosão. “Leave all your tears alone/ run down your face”, Casablancas canta antes de friamente declarar “I’m on the guest list” com sarcasmo. Como “50/50”, parte da metade do álbum (ah, esse título começa a fazer mais sentido) que sem dúvida poderia caber em Room on Fire

“Chances” 
…Ao contrário dessa dança lenta aqui. Há uma subcultura que sinto vergonha de anunciar que tenho familiaridade. Seria a de garotas-obcecadas-com-desenhos-sonhadores-tipo-fanart-de-Julian-Casablancas. (Procure no Google, é muito engraçado.) Essa é dedicada fortemente a todas as paixonites por aí. Um sintetizador pesado deixa vazar uma saudade de John Hughesian. “I waited for ya / I waited on ya / but now I don’t”, Casablancas canta num alto falsete alto sob luzes cintilantes da discoteca. A mais romântica balada em seu catálogo. Pistas de patins ainda existem, certo?

“Happy Endings”
Ao lado de “Welcome to Japan”, a faixa mais provável para deslumbrar os fãs famintos para que Strokes recuperem a energia apaixonada da primeira era. Como “Slow Animals “e “Japan” misturam ideias de Angles, “Happy Endings” recicla as guitarras e elementos sci-fi  de “Machu Picchu”, acrescenta uma pitada de Room on Fire e termina com algo maravilhosamente eletrizante. Por mais que eu tenha adorado, Angles soa um pouco como peças juntadas num computador por membros de uma banda que dificilmente se comunicavam. Comedown Machine é o som do grupo revigorado, colaborando. Com um título carregado, “Endings” deve ser deslumbrante ao vivo. Se eles fizerem turnê.

“Call It Fate, Call It Karma” 
Fechando as cortinas na curva final, “Fate” estala como a gravação de um calliope* tocando rumba cubana. Trazendo Blur de volta, faz um loop de forma muito semelhante a “Optigan 1,” e o final para  13. “Close the door, not all the way,” Casablancas canta baixinho. “Please understand / We don’t understand.” No refrão, “I waited around…”, que traz à mente uma velha letra dos Strokes que estou deixando de colocar, ele usa suas notas mais altas ainda, trazendo Frankie Valli ou um Beach Boy. Essa mistura de nostalgia e estranheza, poderia figurar em um filme de David Lynch ou Tim Burton. Vamos pensar sobre isso, não está muito longe do que Karen O fez para Frankeenweenie. Yeah Yeah Yeahs passou corajosamente de riffs de guitarra para faiscantes discotecas e baladas ternas. Quem vai dizer que os irmãos de Nova Iorque não podem fazer o mesmo?

*Notas
Playoff: tipo de desempate em algumas competições esportivas nos EUA.
Staccato: uma técnica de execução instrumental ou vocal.
Calliope: tipo de instrumento, veja aqui.

Fonte: timeoutchicago.com

Tradução: Equipe TSBR