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Assista: Julian Casablancas faz show secreto com The Voidz em Los Angeles

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A fase 2 do projeto de Julian Casablancas com os Voidz ainda não começou oficialmente, mas depois de confirmar as primeiras datas da turnê Hollywood Bolivar na América do Sul – que vai passar pela Colômbia, pelo Chile, pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai em outubro -, o vocalista dos Strokes fez ontem um show secreto com seus companheiros em Los Angeles, sob o nome “YouTube Comments”.

Foto: Raymond Lew – https://instagram.com/rayyleww

O anúncio veio ontem através de um tweet um tanto quanto suspeito da Cult Records, dizendo que o show se tratava da primeira apresentação da banda, que era um tributo aos Voidz. Porém, quem vem acompanhando o projeto paralelo desde o comecinho, se lembrou imediatamente que “YouTube Comments” era um dos nomes das faixas falsas do anúncio de Tyranny feito em 2014.

Mesmo sem previsão de quando teremos versões de estúdio das novas músicas dos caras, um público restrito ouviu ontem pela primeira vez algumas das novidades da banda, no Moroccan Lounge.

Para sentir um gostinho de como são os próximos lançamentos de Julian com os Voidz, assista ao livestream que o usuário @diegodlv fez no Instagram das primeiras músicas do show:

SETLIST – Julian Casablancas And The Voidz @ Moroccan Lounge, LA, 22/09:

Wink
We’re Where We Were
Father Electricity
M.A.D.
Alienation
Nintendo Blood
My Friend The Walls
Coul As A Ghoul
Instant Crush
Where No Eagles Fly
Lazy Boy
Business Dog
Human Sadness

Assista: Julian Casablancas se une aos Growlers e faz cover de The Doors no Beach Goth Festival

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Natalie Somekh

Foto: Natalie Somekh

O Beach Goth é um festival organizado pela banda The Growlers,

na Califórnia, que já chegou em sua quarta edição. A banda é uma das preferidas de Julian Casablancas na atualidade, que já fez muitas menções em sua conta do twitter. Os Growlers também abriram shows de Julian enquanto ele promovia seu primeiro disco solo, Phrazes for the Young.

Enfim, dado esse contexto da amizade entre eles, fica mais fácil entender de onde surgiu a participação de Jules durante o show dos Grolwers, cantando um cover de “People are Strange” de The Doors.

O resultado dessa união pode ser

conferido no vídeo a seguir:

Durante o Beach Goth neste fim de semana Julian Casablancas + The Voidz era uma das bandas do lineup, e a banda também entregou um cover de Milli Vanilli “Girl You Know it’s True”:

Megapost — Albert Hammond Jr, Julian Casablancas+The Voidz e The Strokes no Primavera Sound 2015, em Barcelona

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No ultimo fim de semana de maio, aconteceu em Barcelona o Primavera Sound Festival, que teve apresentações de Albert Hammond Jr, com seu projeto solo, Julian Casablancas + The Voidz e The Strokes.

Albert-Hammond-Jr-03-Dani-Canto-primavera-sound
Foto de Dani Cantó

Albert Hammond Jr fez seu show no dia 28 de maio, que foi transmitido ao vivo. Com sua banda de apoio, ele tocou músicas de seus álbuns anteriores e duas canções do novo Momentary Masters, que será lançado no dia 31 de julho.

Assista ao show completo:

https://youtu.be/XQSa1-NaDGA

ryan niko albert
Ryan e Nikolai com Albert, antes de sua apresentação no festival.

O show de Julian Casablancas + The Voidz foi no dia 29 de maio. Não houve transmissão, mas felizmente sempre podemos contar com os fãs, que disponibilizaram alguns vídeos da apresentação.

voidz
Foto de Tom Spray

https://youtu.be/HMQ_5tYUAgg

E então, no dia 30 de maio, The Strokes, no palco principal do Primavera Sound. O show foi transmitido ao vivo pela internet, e você pode assisti-lo a seguir:

https://youtu.be/8xkvwy3nPPE

SETLIST

Machu Picchu
Someday
Heart in a cage
Barely Legal
Automatic Stop
One Way Trigger
You talk way too much
All the time
Juicebox
Taken for a fool
You only live once
Is this it
Reptilia
Last Nite
Take it or leave it
The Modern Age
Under cover of darkness
Hard to explain
New York City cops

Tradução – Entrevista de Julian Casablancas + The Voidz para GQ Magazine

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Julian Casablancas está farto de tentar te salvar

Há uma década, como líder dos Strokes, ele era o messias de Nova York que deveria salvar o rock ‘n’ roll. Até que no fim das contas ele precisou de salvação. Agora ele saiu da cidade, (meio que) mudou de banda, e criou um novo (pesado!) som. Bem vindo de volta, Julian

julian-casablancas-gq-magazine-september-2014-01

por Zach Baron

Por um momento, Julian estava perfeitamente ciente do motivo porque deixou Nova Iorque, sua casa durante a infância e o lugar onde sua banda, The Strokes, que antes era sinônimo de tudo de cru e sedutor sobre a cidade, primeiramente deu as caras. “Eu ando por Nova York agora e fico chateado,” ele tinha dito. Muitos bares de suco, basicamente. Poucos caras genuinamente cool como, bem – Julian Casablancas. Mas um dia depois ele parece se arrepender até mesmo dessa pequena frase dita. “Eu não diria que a razão é que eu ando por lá e odeie todo mundo que mora lá. Isso seria rude.” Com relutância ele me disse o nome da cidade ao norte para onde ele se mudou com sua mulher e filho. Agora ele parece reconsiderar essa informação também. “Você se importa se eu apenas disser que é ao ‘norte’, só por…”

Se você não odeia todo mundo em Nova York, o que fez você sair de lá?

“Hm, nós apenas encontramos um lugar legal que gostamos, que quisemos ir, e também… eu não sei… desculpa…”

É assim que ele fala. Como se estivesse constantemente pensando o que Julian Casablancas – quem quer que ele seja – diria, ou deveria dizer. Do outro lado da mesa, entre a escuridão do restaurante mexicano onde estamos sentados em algum lugar de Los Angeles, onde ele vem ensaiar com a sua nova banda, ele já parece estar sofrendo. Estamos aqui há onze minutos.

“De repente não estou fazendo isso muito bem, saindo dos trilhos, confuso entre o que é privado e o que não é…”

Ele parece ter um pouco mais de cabelo do lado direito da cabeça de que no esquerdo – é desigual e longo e angelical daquele modo esfarrapado familiar que está se tornando cada vez mais assustador enquanto ele envelhece. Ele decidiu não dizer muito sobre si mesmo – ele nunca realmente disse muito sobre si mesmo; ele balbucia coisas, é desajeitado, algumas vezes conflituoso – mas ele continua deslizando.

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Tradução – ClashMusic resenha “Tyranny” de Julian Casablancas + The Voidz

Tyranny
Uma saudação com o dedo do meio ao seu passado…

Por Benji Taylor

Seria uma coincidência que Julian Casablancas, conhecido líder e cantor dos roqueiros indies mais cool de NY The Strokes, compartilha das mesmas iniciais que Jesus Cristo?

Casablancas é um messias musical: um homem que fez um dos melhores álbuns de lançamento de todos os tempos – “Is This It?” de 2001 – uma bíblia aural que aspirantes a deuses do rock têm bajulado e copiado desde então. No entanto, como a história nos ensina, sociedades rotineiramente se tornam contra seus salvadores, e certas seções da imprensa musical têm crucificado Casablancas a cada lançamento desde aquele astronômico primeiro disco.

“Tyranny” é o disco de estreia com a nova banda The Voidz, e marca um emocionante Novo Testamento em seu cânone. Ele é uma bizarra e maravilhosa mistura de assinaturas de tempos estranhos, estruturas musicais nada convencionais e, em geral, uma loucura desenfreada. Ele funciona porque, tentando priorizar o estado de espírito sobre a melodia, estilo sobre substância e, citando o próprio Casablancas, “vaidade sobre sabedoria” (“vanity over wisdom”), o LP acaba enlaçando todos esses atributos.

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Tradução — Entrevista com Julian Casablancas para Les Inrocks

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Fotografia: Liliane Callegari

Julian Casablancas, a entrevista: “Eu ainda estou com raiva”

por JD Beauvallet

À margem dos Strokes, Julian Casablancas encontrou uma gangue de durões tatuados para tocar juntos um rock físico. Punk, new-wave, hardcore: o americano revisita com voz perfeita as músicas agitadas de sua adolescência. Mas com a consciência política de um adulto.

Seu novo grupo, The Voidz, é uma forma de escapar da pressão dos Strokes, de reencontrar a leveza?

Não, o desafio é mais forte com The Voidz, me obriga a cavar mais fundo, a enfrentar as coisas que eu tendia a evitar. Esses últimos anos, com os Strokes, o que mais importava pra mim era que nos dávamos bem, estou aberto aos outros. Eu queria que em cada canção, estivéssemos felizes, positivos. No começo, eu sem dúvida me importava menos com os desejos e as reações de cada um. Foram necessários anos para não haver mais guerra nos Strokes. Então, hoje, estamos em paz, avançamos na mesma direção. Sem dúvida hoje será mais fácil apresentar minhas ideias malucas aos Strokes… por muito tempo, se eu chegasse falando: ‘vamos fazer uma introdução de mais de dois minutos’, eles me olhariam como um marciano (risos)…

Você se sente mais à vontade com The Voidz?

Mesmo estando à frente, não é preciso acreditar que The Voidz representa meu ego. É preciso usar a mesma força de convicção que com os Strokes pra mover os outros. Levei algum tempo para encontrar pessoas com quem estivesse exatamente no mesmo comprimento de onda, humanamente, musicalmente. Nos sentimos fortes como uma gangue com The Voidz… A primeira vez que cruzamos juntos Nova Iorque às três da manhã, nos olhávamos e pensávamos: ‘caramba, eu não passaria por esses caras à noite num beco’ (risos)… Nós cuidamos uns dos outros, somos irmãos.

Um dos aspectos estranhos de seu álbum Tyranny é a justaposição entre um som explosivo, bastante colérico e o canto cada vez mais melancólico, desiludido…

São sem dúvida os temas que pedem esse tom. Eu quero oferecer um pouco de esperança no fim, mas no caminho, vou forçosamente atravessar passagens esmagadoras. É o preço a pagar pelo realismo. Continuo com raiva, há sempre esse sentimento de desespero e fúria em mim. A diferença, é que hoje o sentimento é de jogar contra o relógio. Eu sei que vivemos totalmente em uma bolha, no castelo de Versailles (risos)… é preciso que vejamos as coisas com nossos próprios olhos para acreditar nelas: a menos que sejamos violentamente vítimas do sistema, nos acomodamos, nos fazemos de avestruz. Quando voltamos aos sistemas feudais tirânicos como da Idade Média… vivemos totalmente uma ilusão de democracia: quanto mais de nós reconheçamos o interior de nossa bolha, melhor será.

Você se sente mais exasperado/irritado com a idade?

Não me sinto nem político, nem radical. Mas muitos artistas são insensíveis à moralidade: é meu cavalo de batalha. Os anos Bush sem dúvida abriram meus olhos… O objetivo da música deveria ser de oferecer uma escapatória a essa realidade, eu sei bem. Mas tenho a sorte de ter um microfone, eu não posso tratar o que faço de forma leve. O verdadeiro desafio, é de ser universal, de poder ser compreendido por todos em todos os lugares. É por isso que frequentemente uso frases de duplo sentido, para que ninguém se sinta excluído. Mas em Tyranny, havia sem dúvida uma necessidade de ser mais preciso, porque o inimigo é muito mais visível a olho nu, os problemas aparecem mais claramente. Não era uma vontade: era a situação que, nos últimos anos, me levou a escrever essas músicas.

Você já pensou em escrever além de música, artigos, por exemplo?

Concordo, não acho que a música pop seja suficiente. É um veiculo para transmitir minhas pequenas reflexões ao grande público. Mesmo essa magra contribuição pode ajudar. Mas escrever artigos, não, muito trabalho pra mim (risos)… eu preciso da música pra escrever. Por exemplo, meu poeta preferido, Rumi, escrevia sobre a música – e eu nem me comparo, hein?

A música de Tyranny – punk, new-wave, hardcore – é pra você tingida de nostalgia?

Sempre gostei da intensidade das músicas hostis, agressivas. Mas também amo as coisas muito pop, e poucos grupos tiveram sucesso, como Nirvana, em reunir os dois. Minha prática de música vai nesse sentido, eu não ouço necessariamente os discos, mas um clássico praiano, um pouco de hip-hop, depois outro country alternativo totalmente louco…

De fora, temos a impressão que sua participação em Random Access Memories de Daft Punk revolucionou sua maneira de cantar. A experiência foi tão forte?

Eu os adoro, estou orgulhoso de ter sido convidado, eu cheguei a ganhar uma pequena estatueta do Grammy graças a eles. A canção Veridis Quo é sem dúvida uma das minhas favoritas de todos os tempos. Muito se fala de suas bases funky, que também amo, mas o que me toca mais é seu lado barroco. Sua maneira de misturar o clássico e o sintetizador é realmente mágica. Quando ouvi a canção que me propuseram, Instant Crush, imediatamente pensei em Veridis Quo, em sua simplicidade. E minha primeira reação foi dizer: ‘deixe instrumental, não a estrague com a minha voz!’ Trabalhar com eles nos obriga nos superar. Talvez eles quisessem que eu cantasse como Strokes, com aquele canto grave como Lou Reed… Mas eu disse que queria um capacete, um codificador de voz, me tornar um robô vermelho vivo. E cantei os agudos, pela primeira vez.

Onde estão os Strokes?

Fizemos alguns shows esse ano, compusemos algumas músicas. O ambiente é bom, positivo, e já não era esse o caso por algum tempo. Sem dúvida iremos nos reencontrar em janeiro para trabalhar em novas ideias. Mas não se empolgue muito: isso pode levar dois ou três anos.

Tradução: Equipe TSBR

Fotografia: Liliane Callegari

(Leia a  entrevista original em francês no site lesinrocks.com)