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Tradução: Entrevista com Cody Smyth

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Cody Smyth, fotógrafo e amigo de longa data dos Strokes, está prestes a lançar o livro que documenta uma década da história da banda. Com data de lançamento prevista para 10 de outubro, o livro – que promete ser incrível – está em pré-venda na Amazon. Abaixo, a tradução de uma entrevista que o fotógrafo concedeu a Alejandra Ramirez em 10 de maio de 2016, em que ele conta de sua amizade com a banda e de como foi estar lá acompanhando o começo da carreira. Confiram!

 

 

The Strokes, Nova Iorque, e o fotógrafo que estava lá

Cody Smyth assistiu à transição de frequentadores de bares para uma das maiores bandas de rock do mundo

Como The Strokes chegou tão longe? Pense em 2001, quando os roqueiros de Nova Iorque lançaram seu álbum de estreia, Is This It. Aquele título, modesto e autocrítico, não combinava exatamente com o perfil de uma banda marcada para a onipresença e longevidade. Um sinal ainda maior da iminente morte da banda era o fato de críticos terem atribuído a eles expectativas messiânicas, saudando-os como a segunda vinda de The Velvet Underground (as raízes post-punk e produção sem frescura de Is This It também tornaram inescapáveis as comparações a Television ou Stooges).

Mas os verdadeiros Strokes eram algo mais simples que tudo isso: uma grande banda de rock. No início dos anos 2000 eles ajudaram Nova Iorque a ser excitante de novo e todos esqueceram o adágio solene “o rock está morto”, mesmo que por um momento. 15 anos e 4 discos depois, a influência da banda é clara, facilmente reconhecível nas marcas deixadas pelas execuções de Julian Casablancas ou pelas distorções irregulares da guitarra de Albert Hammond Jr.

Parece que Strokes dispararam para o estrelato em questão de segundos, mas sua fama não veio da noite para o dia. Pergunte ao velho amigo e fotógrafo da banda, Cody Smyth, que começou a reunir a história deles no final dos anos 1990. Smyth ficou com o grupo enquanto eles transitaram de regulares frequentadores de bar em jaquetas de couro para atração principal de festivais, tirando quantas fotos podia pelo caminho. No ano que vem, ele vai lançar um livro de fotografias talvez intitulado The Strokes 1996-2016, que ele descreve como “um registro de 20 anos de amigos próximos que se tornaram uma das maiores bandas de rock do mundo”.

Consequence of Sound falou recentemente com Smyth sobre seus planos para o livro, suas lembranças com a banda, e o que ele vê para o futuro dos Strokes. Com música nova a caminho e confirmados para o Governors Ball Music Festival neste verão, esse futuro pode ser tão fotogênico quanto o passado.

Então, qual a história por trás do livro que você vai lançar?

Eu conheci Nick, Julian, Fab e Nikolai em 1995, na escola. Nos tornamos amigos instantaneamente. Então começou lá atrás comigo fotografando amigos porque meus pais cresceram nessa indústria. Começou lá e cresceu para um documento inteiro.

Um amigo próximo da família que é editor da Lesser Gods sabia que eu os tinha fotografado. Ele trabalhou para a MTV Books, e eu acho que ele sabia que eu tinha esse registro que não foi visto… que eu tinha mais ou menos mantido para mim por quase 20 anos. Então eu o encontrei, e ele olhou algumas das fotos e pensou que era definitivamente suficiente para contar uma história de dentro – não só pra lucrar com ela. É tipo um registro íntimo de 20 anos viajando com eles, mas o livro surgiu porque ele se interessou e viu outras fotos além das que estão em meu site.

Desde então, eu procurei os caras, e eles sabem sobre meu trabalho e sempre apoiaram. Eles foram super legais a respeito e realmente estão animados e felizes com isso.

Isso parece muito diferente da maioria dos livros de fotos sobre bandas. Muitos só mostram os músicos no auge da fama, ao contrário de tentar registrar suas carreiras.

É algo que eu tentei involuntariamente capturar com meu trabalho. Nós na escola, rodando pelo Central Park ou à toa tarde da noite fazendo o que não deveríamos fazer. Eu sabia que eles iriam fazer algo, mesmo no começo ou quando estavam tocando em bares em Nova Iorque tipo Baby Jupiter ou Arlene’s Grocery. Eu só queria continuar registrando e aproveitando enquanto estava acontecendo.

Eu não queria que as fotos parecessem com intenção de serem vistas ou publicadas. [elas são] uma forma de documentar uma amizade de uma perspectiva interna e externa – estando com eles, sendo amigo deles, vendo como as músicas progrediram e sabendo como eles pensam.

Alguma ideia para o título do livro?

Não tenho certeza ainda. Estou tentando ficar longe das letras das músicas deles. Houve um título que pensei que seria um extra do primeiro disco, Is This It. Quero que seja direto e bonito. Não quero que seja brega.

Você falou sobre ter conhecido Nick, Fab e Julian na escola. Como sua amizade começou?

Bem, assim que conheci Nick e Julian no inverno de 1995, nos tornamos meio inseparáveis. Durante a escola, depois da escola, nos finais de semana, andávamos juntos e fazíamos o que adolescentes de Nova Iorque faziam naqueles dias. Estávamos sempre em bicicletas e indo à casa de alguém. Central Park era basicamente nosso quintal, então passávamos muito tempo no parque. Naqueles dias, quase todos que conhecíamos apareciam num lugar chamado Meadow no parque. Íamos assistir shows de música no Roseland ou CBGB, também.

Ríamos muito, fizemos algumas coisas ilegais, entramos em algumas encrencas, e sempre queríamos estar juntos. Outra lembrança ótima que temos é de passar finais de semana prolongados na casa de praia da família de um amigo próximo. Ficava a uma hora de trem desse lugar em Long Island. Fazíamos o que adolescentes faziam sem supervisão dos pais nesses fins de semana. Mas podíamos cozinhar, jogar basquete, andar de bicicleta, ir à praia, e vagar pelo lugar. Era um ótimo escape da cidade de vez em quando. Em todos esses momentos, uma guitarra estava lá, e Nick ou Julian ou mesmo eu estaríamos tocando. Sempre tinha música tocando. Música era um grande conector pra nós.

Eles parecem ser grandes apoiadores seus, mas houve momentos em que você sentiu que a dinâmica começou a mudar enquanto a banda crescia?

Sim, eles sempre me apoiaram. Nunca houve momentos deles me dizerem para sair nem nada disso. Uma vez ou outra, Julian me diria para recuar durante uma passagem de som, mas era no começo, e por causa disso eu acabei conseguindo essa ótima foto de um salão vazio em que eles tocaram. Então, a partir daquele momento que ele disse “Saia da minha cara, não agora” , isso me permitiu entender que ele estava trabalhando. Eu não queria interferir, então isso me forçou a pegar outro ângulo. Todos eles são realmente apoiadores, especialmente Nick. Ele é como um irmão. Eles são todos artistas, também, então eles entendem.

Mas voltando à sua pergunta, eu notei que a dinâmica começaria a mudar. Sairia em turnê com eles pela Costa Leste, e outros fotógrafos viriam junto, que eram seus amigos e conhecidos, e em alguns momentos, as coisas ficariam pesadas. Mas os aspectos mudaram principalmente em relação a [gestão da banda] e a política de tudo. Meu amigo Nick sempre me deu boas-vindas tipo “temos um lugar pra você no ônibus, cara, não se preocupe” ou “apenas venha, será divertido”. Chegando lá, era como estar em família.

Vi merdas, mas isso aconteceria. Ser amigo de alguém por 20 anos vem com a possibilidade de dar nos nervos um do outro de vez em quando. Sempre tinha um passe ou crachá. Mesmo quando eles se tornaram maiores e passaram a ter seguranças – como esse cara, Rob, que eu devo ter fotografado – todo mundo sabia que eu não era um penetra. Mesmo outros agentes ou pessoas que vieram sabiam que eu não tinha más intenções ou estava fazendo apenas fotos caça-níquel para vender para a mídia.

Houve algum momento em que você pensou “Ok, essa banda tem potencial?”

Não houve um momento específico nem nada, mas eu lembro dessa circunstância em 1999 quando eles estavam tocando em locais menores em Nova Iorque. Não tinha muitos fãs. Quando Albert chegou em 1998 ou 1999, eu lembro de pensar “Ok, isso vai ser algo raro e coeso e estimulante que Nova Iorque não sente há um longo tempo”. Eu tenho só 38, mas o início dos anos 2000 foram realmente grandes para a música em Nova Iorque.

Tem um momento que eu sempre revisito. Foi um show, provavelmente em agosto de 2000 ou 2001 no Mercury Lounge. Não tinha ar condicionado, e estava horrivelmente quente. Estavam espalhando West Nile spray em toda Nova Iorque, nas ruas e grandes avenidas, então desligaram o ar condicionado. Tinha uma multidão se juntando porque havia um par de outras bandas – acho que Yeah Yeah Yeahs estavam começando. Haviam muitos amigos, e naquele show eu lembro de nós meio que sentimos que estava começando. Eu não sei se foi a sensação ou o verão, mas foi aquele show. Você podia sentir e todos os amigos podiam sentir, e foi quando tudo meio que decolou.

Quais são algumas de suas fotos favoritas que serão incluídas no livro?

Uma das minhas favoritas é essa foto em que estão todos alinhados na 8ª Avenida. Havia um local para ensaio na 8ª Avenida e eles estavam indo a Filadélfia aquela noite e eu disse a eles “Me deixem fazer uma foto de grupo, eu não fiz uma ainda”, então nos encontramos. É uma das minhas favoritas por causa da noite que se seguiu. Acabei indo com eles a Filadélfia e os irmãos Oasis apareceram nesse clube pequeno e ficaram a noite toda.

 

Algumas outras que eu tirei de Albert no banheiro da Radio City Music Hall… essas sempre ficam comigo porque eles iam tocar com The White Stripes, e todo mundo estava empolgado e era uma fase que eu queria fotos individuais deles em qualquer lugar, sempre que pudesse. Albert foi o primeiro, e eu lembro de alguém dizendo que os banheiros da Radio City eram imponentes, então eu o levei lá e fizemos algumas fotos.

The White Stripes e The Strokes? Imagino que tenha sido um show louco.

Foi! Estava realmente cheio e todo mundo estava estressado. Acho que foi 2002, mas lembro da sensação de grande energia, e um monte de gente animada que eles estavam tocando juntos. A banda estava super nervosa mas também legal sobre eu querer fazer fotos deles.

Eles estavam felizes por isso, e é esse tipo de aspecto que quero colocar no livro. Meu amigo Nick poderia facilmente ter dito “Olha, estamos estressados e é um pé-no-saco” mas ele não disse, o que foi ótimo. Enquanto eu tirava fotos, também era só um grande fã. Em alguns momentos nem saquei a câmera, estava apenas aproveitando.

Queria falar sobre umas fotos em particular. Há uma da banda no Lyric Diner. Eles parecem exaustos.

Foi noite de ano novo em 1999, e acho que era muito, muito tarde. Nem sei se estávamos fazendo algo louco aquela noite. Eles nem eram conhecidos ainda. Eles provavelmente parecem cansados porque estavam ensaiando muito mesmo e tocando bastante nos bares. Eu estava sempre buscando esse tipo de momento. Sempre pareceu linear pra mim, crescer em Nova Iorque olhando os prédios, trens e ruas. É como todos estão na foto. Estamos apenas andando por aí como amigos. Era como não saber o que viria a acontecer no futuro.

Também há algumas fotos engraçadas em que acho que Nikolai está segurando uma faca e Albert tomando uma cerveja. Eles parecem em seus próprios mundos.

Estavam todos no backstage. E Nick no piano, e eu honestamente não sei porquê Nikolai tem aquela faca na mão, mas lembro que ele a jogava na parece, acho. Lembro que estávamos em LA no Gibson Theatre, e Eagles of Death Metal iam abrir pra eles. Foi o tipo de show em que todos estavam em todo lugar… naquela foto, eles meio que agiam como eles mesmos por um momento.

Também há uma que é aquela foto “prestes a entrar no palco” que você sempre encontra em livros.

Acho que isso foi em San Diego. Eagles of Death Metal estava abrindo pra eles. Eu estava com Nick em LA e decidimos dirigir em vez de pegar o ônibus com os outros caras. Estava chovendo o caminho todo, e levou três horas. Tínhamos planejado chegar cedo, mas não aconteceu. Na hora que chegamos, Nick tinha que estar no palco em dez minutos.

Eu realmente não tinha tempo para fotografar, nada além de algumas fotos no palco. Então eu tirei uma deles indo do camarim para o palco. Mais uma vez anos depois, ainda tinha aquela câmera comigo.

A próxima foto é realmente granulada. Todos parecem estar assim, especialmente Albert, e o clube parece pequeno, também.

Esta foto foi tirada em 2000 num bar chamado Don Hill’s que está atualmente fechado. Íamos lá muito naquele ano, tanto quanto eles estavam tocando e possivelmente mais ainda quando não estavam. Alguns amigos fizeram uma festa lá chamada “TisWas”. Esses foram os primeiros dias, então era mais um show em que estavam basicamente amigos.

Ainda a tenho, mas estava usando uma pequena câmera de 35mm chamada YAshica T4. Grande pequena câmera! Muitas vezes quando só queria sair e não focar em fotografar muito, eu a levava comigo. A energia estava alta neste show, e foi ótimo assistir. Estava na frente tirando fotos, tomando uma cerveja, fumando um cigarro – nos tempos em que você podia fumar em bares. Processando o filme dias depois, estava mais do que feliz com o que consegui … Não estar preocupado acabou recompensando no fim. Tenho quase certeza de que foi uma daquelas noites que viramos, mas era bem comum naqueles dias.

Como estão todos hoje?

Todos meio que estão em seus próprios lugares. Tipo, eu fui a LA e passei bastante tempo com Nick e sua família. É bastante comum, só nos encontrar e fazer coisas normais, como ir a um jogo de beisebol ou assistir Jerry Seinfeld. Se não, vamos para a piscina e relaxamos. Nikolai é meio que um tipo família, mas eu o vejo muito porque sua filha vai à escola com meus irmãos menores, então eu o vejo sempre em West Village. Ou no playground ou na vizinhança. Albert e eu nos falamos por mensagem, também. eu diria que Julian é o mais recluso, mas quando nos encontramos, é como família.

O que você vê na trajetória da banda no futuro?

Eu os vejo fazendo música nos próximos anos e ainda fazendo turnês. Mesmo quando eles tiraram um tempo entre os discos para fazer outras coisas paralelas… eles sabem que é mágico quando estão juntos. E quanto não tocamos por 5 anos e somos atração principal num festival com grande público ainda aparecendo, isso significa algo. Eu os vejo no Rock and Roll Hall of Fame, com certeza.

Além de ser amigo e olhar para eles do ponto de vista de fã, vejo que eles são uma das bandas mais influentes dos últimos 15 anos. Como eu disse, eles e The White Stripes conseguiram inaugurar essa nova onda de rock and roll que estava faltando há muito tempo desde o início dos anos 90.

 

Entrevista original em: Consequence of Sound

Tradução: TSBR

Fotos: Cody Smyth

Tradução: Entrevista com Nick Valensi

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Foto por Amanda de Cadenet

 

Em 2006, Nick Valensi concedeu uma entrevista por telefone a Daniel Robert Epstein, do site SuicideGirls, uma página dedicada a publicar material e fotos eróticas de garotas estilo pin up.  A seguir, nossa tradução:

Daniel Robert Epstein: Hey, Nick, onde você está hoje?

Nick Valensi: Estou no Brooklyn, Nova Iorque. Onde você está?

Daniel: Astoria, Nova Iorque. Somos rivais.

Nick: Sim, somos rivais, mas também estamos intimamente ligados.

Daniel: Então, você estará no Saturday Night Live amanhã à noite.

Nick: Sim, estaremos no SNL. Tivemos uma agenda agitada nos últimos dois ou três meses.

Daniel: Vocês vão participar de algum dos esquetes do SNL?

Nick: Acho que não. Eles não nos pediram [risos]. Mas no ensaio de ontem, filmamos umas duas chamadas para comerciais.

Daniel: Eu vi, são realmente engraçados. Aquele personagem de Horatio Sanz’s é realmente perturbador.

Nick: Sim, cara, é pior ao vivo. Mas estivemos realmente ocupados e eu sinto como se não tivesse tempo suficiente no dia. Você conhece a sensação?

Daniel: Eu tive isso hoje.

Nick: Me parece que falei com umas duas pessoas hoje que tiveram dias agitados. Talvez seja o ciclo astrológico mesmo que eu não acredite realmente nessas coisas.

Daniel: Acho que é o aquecimento global.

Nick: Ok, culpe-o por isso. Então, suicidegirls.com, é um site pornô, né? (mais…)

Entrevista – Um americano em Paris: Fabrizio Moretti

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Dia 10 de julho, foi publicada aqui no Elledérive uma entrevista com Fabrizio Moretti, sobre seu tempo em Paris. Leia nossa tradução logo a seguir:

Você vive em Paris já faz um ano. Quando descobriu a cidade pela primeira vez?

Eu vim com minha família quando era pequeno, mas ainda tenho algumas lembranças daquela visita. Para mim, era só mais uma grande cidade, ou uma outra viagem em família. Por outro lado, eu lembro perfeitamente quando vim em 2002 com os Strokes. Nossa banda estava começando, e ficamos em um hotel perto do Gare Du Nord. Eu andei bastante pela cidade e pensei “Tem uma energia forte nessa cidade, um dia vou morar aqui”.

Por que decidiu se mudar pra cá?

Eu precisava de um tempo pra pensar sobre o que iria fazer da minha vida. A banda estava em uma espécie de ‘hiato’, e eu me senti meio preso na rotina em Nova Iorque. Eu estava só vendo as pessoas que saíam e viviam uma vida de excessos e estava cansado disso. Mas eu não sabia onde ir! Então eu lembrei do que senti naquele pequeno hotel perto da Gare Du Nord, e lembrei da promessa que fiz a mim mesmo.

Primeiro, eu estava tão perdido quando cheguei! Eu pensei: “F*, o que estou fazendo aqui?” (risos). Mas então conheci Liz, um ilustrador que estava apaixonado por música, e nós começamos a trabalhar juntos em um projeto artístico que chamamos FUZLAB, um afresco de alguns metros, evocando o mito de Teseu e o Minotauro. Este trabalho me permitiu muitas coisas: primeiro, me deu um objetivo, então Luz e eu construímos uma amizade sólida, e finalmente, me deu um novo olhar sobre criação, e mudou minha forma de fazer música.

Como assim?

Eu me tornei mais disciplinado na bateria. O trabalho de um ilustrador requer flexibilidade nas mãos, e o de um baterista também, e eu trabalhei nessa flexibilidade. Além disso, quando você desenha, você não sabe realmente onde está indo, mas você tem que dizer a si mesmo que está indo em direção a algo lindo. Eu aprendi a aplicar a mesma abordagem de confiar no improviso na música.

Paris é uma cidade inspiradora, para um artista?

Sim, definitivamente. Os museus são tão ricos, e a arquitetura é incrivelmente bem preservada também. Você pode sentir que está em um lugar atemporal. Essa atemporalidade encoraja você a pensar que o que você cria também é atemporal. Não me entenda errado, não significa que eu crio coisas incríveis. Mas aqui, eu sinto que posso ir mais longe ao explorar minha criatividade. Eu posso ir em direção à fantasia. Sabia que William S. Burroughs escreveu Naked Lunch em Paris? Ele costumava passer um bocado de tempo na Shakespeare and Co.

Quais seus outros locais usuais?

Eu moro no 3º arrondissement*, e saio pela vizinhança. Vou tomar café no Fragments. Eles fazem um café ótimo. No almoço, às vezes vou ao Merci. Sim, é um pouco esnobe, mas as pessoas que gerenciam o local são muito doces. E pra jantar, eu amo o Nanashi, é tão bom!

Outra coisa que adoro fazer em Paris é visitar os museus à noite. O Louvre, Orsay ou Pompidou: é fabuloso ir lá quando a noite cai e está tão calmo, sereno.

O que você acha da imagem veiculada pela mídia internacional da mulher parisiense – livre, sofisticada, chique e boêmia ao mesmo tempo?

É uma pergunta difícil pra mim, porque quando eu ando por aí ou conheço as pessoas, não importa pra mim se são homens ou mulheres. Mas – e talvez isso se deva ao fato de não ser bilíngue e não compreender completamente o que as pessoas estão dizendo – eu tenho a impressão de que as pessoas aqui são mais mente aberta, mais tolerantes à excentricidade.

Mais que em Nova Iorque?

Sim, absolutamente.

Falando em excentricidade, qual a coisa mais maluca que você vivenciou em Paris?

Eu estava com Luz. Depois de abrir a exibição FUZLAB, fomos convidados à casa de alguém que não conhecemos, o filho de um alto funcionário libanês, alguém rico. Era em um apartamento luxuoso em Île St Louis. Não sei porque, mas Luz estava vestido de branco aquela noite. Depois de algumas bebidas (era quando eu ainda bebia, isso está no passado agora), começamos a fazer bagunça. Tinha uma grande tigela de melado, e começamos a usar pra pintar as roupas brancas de Luz, enquanto dançávamos. O filho do oficial libanês achou impressionante, e estava gritando: “estamos festejando no inferno!” (risos). Estávamos bem limpos e arrumados quando fomos à festa, mas quando saímos estávamos cobertos de melado, no meio da noite, no coração da Île St Louis. Foi um absurdo total, mas uma grande lembrança de riso histérico.

*arrondissement: divisões administrativas da cidade de Paris.

Fonte: Elledérive Paris

Tradução: Equipe TSBR

Tradução – Talvez você não viva só uma vez: O novo vácuo de Julian Casablancas

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Foto por Abby Ross

Na edição de abril de 2015 da Noisey foi publicada uma matéria sobre Julian Casablancas, na qual o artista fala de música, política e suas aspirações. Vejam a seguir a nossa tradução:

Depois de meses tentando desembrulhar o cérebro do líder dos Strokes, ainda não temos certeza do que descobrimos. No fim, esse deve ter sido o plano o tempo inteiro.

O sol começa a tocar as árvores e desaparecer de vista enquanto Julian Casablancas e eu sentamos olhando um lago na área rural de Nova Iorque. É um dia fresco e claro de outubro, e ele está brincando com a ideia de dirigir até a cidade. Ariel Pink tem um show no Brooklyn. Não é um pouco tarde para entrar na lista? “Meu rosto é meu passe para o backstage,” ele ironiza, completando rapidamente, “Courtney Love me disse isso um tempo atrás. Ela e Winona Ryder estavam dirigindo depois de um show e Courtney gritou, ‘Venha ser famoso conosco!’”

O líder dos Strokes não é famoso de muitos flashs, mas ele é reverenciado em uma espécie de culto, especialmente no cenário musical de Nova Iorque. Ele é o tipo de cara que você nota, mesmo que não tenha certeza do motivo. Hoje sua figura de 1,88m está vestida em calças jeans brancas sujas e uma camisa vermelha de flanela que aparece pouco por dentro da velha e lustrosa jaqueta preta dos Knicks, que ele viria a vestir cada vez que nossos caminhos se cruzaram poucos meses à frente. No terreno cercado de cidade perfeita onde nos encontramos mais cedo aquele dia, ele estava genuinamente incongruente, dirigindo um Monte Carlo SS da Chevrolet dos anos 80 que ele comprou no Craigslist. Todo preto com detalhes vermelhos e um interior amarronzado, ele abraça a estrada lentamente e o motor emite um profundo ruído agradável. O cantor de 36 anos cruza o estacionamento da linha do trem e para. Ele sai do carro, sorrindo, e abre a porta do passageiro. Depois, quando estacionamos em um café-restaurante tão singular que parece uma ilustração, um homem de meia idade passa por perto com sua esposa e balança a cabeça, apreciativo: “Esse é um carro clássico. Essa coisa é maravilhosa!”

Estou encontrando Casablancas para conversar sobre seu disco Tyranny. É seu segundo disco fora dos Strokes – depois de Phrazes for the Young de 2009 –, mas seu primeiro com uma nova gangue vestida em couro, The Voidz. Sugerido por ele, nos encontramos a poucos passos do local para onde ele, sua esposa e filhinho recentemente se mudaram, é assim que nos encontramos caminhando por uma estradinha meio escondida, pisando em folhas secas até um lago bem próximo. Sentamos em nossos casacos perto da água. Álcool, cigarros, maconha e café são todos vícios do passado. Red Bull tipicamente ajuda Casablancas a se tornar mais comunicativo e atingir o requisito necessário para uma entrevista, mas não há nenhum Red Bull por perto. Hoje, ele bebe água vitaminada. É roxa.

A primeira vez que conheci The Strokes foi dia 1º de fevereiro de 2001, em Brighton, Inglaterra. Era seu primeiro show principal no Reino Unido, e eles haviam lançado o EP The Modern Age poucos dias antes. Mesmo sendo de Nova Iorque, eles foram maiores primeiro no Reino Unido, onde o burburinho tinha uma ordem de magnitude mais alta de que qualquer outro artista da época. Caminhei por aquela casa de shows suja enquanto uma passagem de som ecoava, uma estudante de jornalismo com algumas entrevistas a tiracolo. Eu usava calças jeans desbotadas porque era o que todo mundo usava na época, e J.Lo, Limp Bizkit, Eminem, Britney e Christina estavam em rotação permanente na MTV. Eu conduzi uma entrevista terrível. Os Strokes eram amáveis e ansiosos para falar; alguns deles eram oblíquos (Valensi), outros estupefatos e levemente impacientes (Casablancas). Em algum momento perguntei, “Então, Britney ou Christina?” (mais…)

Tradução: Gordon Raphael conta algumas histórias de The Strokes para NME

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Gordon Raphael NME jan2015

 

“Histórias sobre os Strokes? Eu tenho um bocado delas…”

Por Jamie Fullerton
Tradução Equipe TSBR

Você provavelmente conhece Gordon Raphael como o rosto que não pertence a um dos integrantes de The Strokes – mas ganhou o mesmo destaque que eles – no encarte do seu clássico álbum de estreia de 2001, “Is This It”.

Gordon produziu esse disco em seu estúdio de porão em Manhattan, assim como o seguinte “Room on Fire” de 2003, capturando o som da banda como só ele soube. Ele foi substituído para o terceiro disco da banda “First Impressions of Earth” por David Kahne, produtor de Paul McCartney, e vive em Berlim desde 2005.

Agora ele está prestes a vir ao Reino Unido para uma série de shows no estilo pergunta e resposta. Felizmente, ele está disposto a aceitar que irá passar a maior parte do tempo respondendo um bocado de perguntas sobre como era estar no circulo de convivência de Julian Casablancas e sua gangue. “Bem, eu realmente tenho um monte de histórias sobre o tempo que passei com esses caras,” ele diz.

Alguns dos ganchos serão doces e positivos. “Eu lembro quando passeava por East Village e encontrei Albert Hammond Jr em seu pequeno terno e uma caixa embaixo do braço,” Raphael relembra. “Ele estava tipo, ‘Ei Gordon, olhe a capa!’ Era a capa do The Modern Age EP, que eu tinha acabado de produzir para eles. Ele ia para cima e para baixo em lojas de discos em St. Mark’s Place perguntando se ficariam com algumas cópias para colocar à venda.”

Algumas lembranças não são tão agradáveis, como da vez em que Julian lhe atormentou sobre não ter assinado um contrato adequado para produzir The Modern Age EP depois que ele transformou The Strokes na nova banda mais empolgante do mundo. “Ele veio até mim – eu podia sentir o cheiro de álcool – e ele me abraçou,”diz Gordon. “Então ele me olhou e disse ‘Você não gostaria que tivéssemos feito um contrato? Você está recebendo nada desses discos que estamos vendendo’ Eu disse, ‘seu babaca!’”

Gordon não trabalha com uma banda do nível dos Strokes desde então, mas ele esteve muito perto de produzir o disco de estreia de The Libertines. A banda implorou para que ele aceitasse, mas a gravadora deles, Rough Trade, vetou a opção. “Eu estava em uma festa pós show dos Strokes em Londres, muito chapado,” ele conta sobre a primeira vez que conheceu Pete e Carl. “Pete tinha 19 anos, usava um chapéu e um velho terno inglês, ficou de joelhos, deslizou seu chapéu pelo braço até a mão e cantou para mim uma velha música inglesa. Aquilo derreteu meu coração!”

O segredo dele para continuar cativando conversas, além de relembrar tóxicos encontros com lendas do indie rock? Como sua técnica de gravação com os Strokes, é simples e efetivo: “Eu visto roupas legais, subo no palco então apenas peço para que as pessoas façam perguntas!”

Tradução – Entrevista de Julian Casablancas + The Voidz para GQ Magazine

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Julian Casablancas está farto de tentar te salvar

Há uma década, como líder dos Strokes, ele era o messias de Nova York que deveria salvar o rock ‘n’ roll. Até que no fim das contas ele precisou de salvação. Agora ele saiu da cidade, (meio que) mudou de banda, e criou um novo (pesado!) som. Bem vindo de volta, Julian

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por Zach Baron

Por um momento, Julian estava perfeitamente ciente do motivo porque deixou Nova Iorque, sua casa durante a infância e o lugar onde sua banda, The Strokes, que antes era sinônimo de tudo de cru e sedutor sobre a cidade, primeiramente deu as caras. “Eu ando por Nova York agora e fico chateado,” ele tinha dito. Muitos bares de suco, basicamente. Poucos caras genuinamente cool como, bem – Julian Casablancas. Mas um dia depois ele parece se arrepender até mesmo dessa pequena frase dita. “Eu não diria que a razão é que eu ando por lá e odeie todo mundo que mora lá. Isso seria rude.” Com relutância ele me disse o nome da cidade ao norte para onde ele se mudou com sua mulher e filho. Agora ele parece reconsiderar essa informação também. “Você se importa se eu apenas disser que é ao ‘norte’, só por…”

Se você não odeia todo mundo em Nova York, o que fez você sair de lá?

“Hm, nós apenas encontramos um lugar legal que gostamos, que quisemos ir, e também… eu não sei… desculpa…”

É assim que ele fala. Como se estivesse constantemente pensando o que Julian Casablancas – quem quer que ele seja – diria, ou deveria dizer. Do outro lado da mesa, entre a escuridão do restaurante mexicano onde estamos sentados em algum lugar de Los Angeles, onde ele vem ensaiar com a sua nova banda, ele já parece estar sofrendo. Estamos aqui há onze minutos.

“De repente não estou fazendo isso muito bem, saindo dos trilhos, confuso entre o que é privado e o que não é…”

Ele parece ter um pouco mais de cabelo do lado direito da cabeça de que no esquerdo – é desigual e longo e angelical daquele modo esfarrapado familiar que está se tornando cada vez mais assustador enquanto ele envelhece. Ele decidiu não dizer muito sobre si mesmo – ele nunca realmente disse muito sobre si mesmo; ele balbucia coisas, é desajeitado, algumas vezes conflituoso – mas ele continua deslizando.

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Tradução – ClashMusic resenha “Tyranny” de Julian Casablancas + The Voidz

Tyranny
Uma saudação com o dedo do meio ao seu passado…

Por Benji Taylor

Seria uma coincidência que Julian Casablancas, conhecido líder e cantor dos roqueiros indies mais cool de NY The Strokes, compartilha das mesmas iniciais que Jesus Cristo?

Casablancas é um messias musical: um homem que fez um dos melhores álbuns de lançamento de todos os tempos – “Is This It?” de 2001 – uma bíblia aural que aspirantes a deuses do rock têm bajulado e copiado desde então. No entanto, como a história nos ensina, sociedades rotineiramente se tornam contra seus salvadores, e certas seções da imprensa musical têm crucificado Casablancas a cada lançamento desde aquele astronômico primeiro disco.

“Tyranny” é o disco de estreia com a nova banda The Voidz, e marca um emocionante Novo Testamento em seu cânone. Ele é uma bizarra e maravilhosa mistura de assinaturas de tempos estranhos, estruturas musicais nada convencionais e, em geral, uma loucura desenfreada. Ele funciona porque, tentando priorizar o estado de espírito sobre a melodia, estilo sobre substância e, citando o próprio Casablancas, “vaidade sobre sabedoria” (“vanity over wisdom”), o LP acaba enlaçando todos esses atributos.

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Tradução — Entrevista com Julian Casablancas para Les Inrocks

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Fotografia: Liliane Callegari

Julian Casablancas, a entrevista: “Eu ainda estou com raiva”

por JD Beauvallet

À margem dos Strokes, Julian Casablancas encontrou uma gangue de durões tatuados para tocar juntos um rock físico. Punk, new-wave, hardcore: o americano revisita com voz perfeita as músicas agitadas de sua adolescência. Mas com a consciência política de um adulto.

Seu novo grupo, The Voidz, é uma forma de escapar da pressão dos Strokes, de reencontrar a leveza?

Não, o desafio é mais forte com The Voidz, me obriga a cavar mais fundo, a enfrentar as coisas que eu tendia a evitar. Esses últimos anos, com os Strokes, o que mais importava pra mim era que nos dávamos bem, estou aberto aos outros. Eu queria que em cada canção, estivéssemos felizes, positivos. No começo, eu sem dúvida me importava menos com os desejos e as reações de cada um. Foram necessários anos para não haver mais guerra nos Strokes. Então, hoje, estamos em paz, avançamos na mesma direção. Sem dúvida hoje será mais fácil apresentar minhas ideias malucas aos Strokes… por muito tempo, se eu chegasse falando: ‘vamos fazer uma introdução de mais de dois minutos’, eles me olhariam como um marciano (risos)…

Você se sente mais à vontade com The Voidz?

Mesmo estando à frente, não é preciso acreditar que The Voidz representa meu ego. É preciso usar a mesma força de convicção que com os Strokes pra mover os outros. Levei algum tempo para encontrar pessoas com quem estivesse exatamente no mesmo comprimento de onda, humanamente, musicalmente. Nos sentimos fortes como uma gangue com The Voidz… A primeira vez que cruzamos juntos Nova Iorque às três da manhã, nos olhávamos e pensávamos: ‘caramba, eu não passaria por esses caras à noite num beco’ (risos)… Nós cuidamos uns dos outros, somos irmãos.

Um dos aspectos estranhos de seu álbum Tyranny é a justaposição entre um som explosivo, bastante colérico e o canto cada vez mais melancólico, desiludido…

São sem dúvida os temas que pedem esse tom. Eu quero oferecer um pouco de esperança no fim, mas no caminho, vou forçosamente atravessar passagens esmagadoras. É o preço a pagar pelo realismo. Continuo com raiva, há sempre esse sentimento de desespero e fúria em mim. A diferença, é que hoje o sentimento é de jogar contra o relógio. Eu sei que vivemos totalmente em uma bolha, no castelo de Versailles (risos)… é preciso que vejamos as coisas com nossos próprios olhos para acreditar nelas: a menos que sejamos violentamente vítimas do sistema, nos acomodamos, nos fazemos de avestruz. Quando voltamos aos sistemas feudais tirânicos como da Idade Média… vivemos totalmente uma ilusão de democracia: quanto mais de nós reconheçamos o interior de nossa bolha, melhor será.

Você se sente mais exasperado/irritado com a idade?

Não me sinto nem político, nem radical. Mas muitos artistas são insensíveis à moralidade: é meu cavalo de batalha. Os anos Bush sem dúvida abriram meus olhos… O objetivo da música deveria ser de oferecer uma escapatória a essa realidade, eu sei bem. Mas tenho a sorte de ter um microfone, eu não posso tratar o que faço de forma leve. O verdadeiro desafio, é de ser universal, de poder ser compreendido por todos em todos os lugares. É por isso que frequentemente uso frases de duplo sentido, para que ninguém se sinta excluído. Mas em Tyranny, havia sem dúvida uma necessidade de ser mais preciso, porque o inimigo é muito mais visível a olho nu, os problemas aparecem mais claramente. Não era uma vontade: era a situação que, nos últimos anos, me levou a escrever essas músicas.

Você já pensou em escrever além de música, artigos, por exemplo?

Concordo, não acho que a música pop seja suficiente. É um veiculo para transmitir minhas pequenas reflexões ao grande público. Mesmo essa magra contribuição pode ajudar. Mas escrever artigos, não, muito trabalho pra mim (risos)… eu preciso da música pra escrever. Por exemplo, meu poeta preferido, Rumi, escrevia sobre a música – e eu nem me comparo, hein?

A música de Tyranny – punk, new-wave, hardcore – é pra você tingida de nostalgia?

Sempre gostei da intensidade das músicas hostis, agressivas. Mas também amo as coisas muito pop, e poucos grupos tiveram sucesso, como Nirvana, em reunir os dois. Minha prática de música vai nesse sentido, eu não ouço necessariamente os discos, mas um clássico praiano, um pouco de hip-hop, depois outro country alternativo totalmente louco…

De fora, temos a impressão que sua participação em Random Access Memories de Daft Punk revolucionou sua maneira de cantar. A experiência foi tão forte?

Eu os adoro, estou orgulhoso de ter sido convidado, eu cheguei a ganhar uma pequena estatueta do Grammy graças a eles. A canção Veridis Quo é sem dúvida uma das minhas favoritas de todos os tempos. Muito se fala de suas bases funky, que também amo, mas o que me toca mais é seu lado barroco. Sua maneira de misturar o clássico e o sintetizador é realmente mágica. Quando ouvi a canção que me propuseram, Instant Crush, imediatamente pensei em Veridis Quo, em sua simplicidade. E minha primeira reação foi dizer: ‘deixe instrumental, não a estrague com a minha voz!’ Trabalhar com eles nos obriga nos superar. Talvez eles quisessem que eu cantasse como Strokes, com aquele canto grave como Lou Reed… Mas eu disse que queria um capacete, um codificador de voz, me tornar um robô vermelho vivo. E cantei os agudos, pela primeira vez.

Onde estão os Strokes?

Fizemos alguns shows esse ano, compusemos algumas músicas. O ambiente é bom, positivo, e já não era esse o caso por algum tempo. Sem dúvida iremos nos reencontrar em janeiro para trabalhar em novas ideias. Mas não se empolgue muito: isso pode levar dois ou três anos.

Tradução: Equipe TSBR

Fotografia: Liliane Callegari

(Leia a  entrevista original em francês no site lesinrocks.com)