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Megapost — The Strokes e JC+The Voidz no Governors Ball, Nova Iorque (6 e 7 de junho de 2014)

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Megapost duplo porque no tão esperado Governors Ball Music Festival aconteceram dois shows de nosso interesse!

Na última sexta (6 de maio), Julian Casablancas + The Voidz fizeram um show de sete músicas, entre elas seis novas e “Instant Crush”, lançada ano passado em parceria com Daft Punk. Sim, nenhuma música do seu primeiro lançamento solo Phrazes for The Young.

Uma novidade que veio junto com a setlist de músicas novas é que o disco com The Voidz tem lançamento previsto para setembro deste ano. (Via @stereogum)

Enquanto isso, ontem (7 de maio), The Strokes repetiram a setlist do show no Capitol Theatre (veja megapost do show aqui), desta vez para muito mais fãs e firmaram definitivamente que voltaram aos palcos em muito boa forma. Até mesmo amigos da banda estão reforçando o pedido de que eles façam uma turnê:

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O correspondente da Noisey, Eric Sundermann, escreveu o seguinte sobre a experiência do show e a vitalidade da banda: “Nós apenas dançamos. Nós apenas cantamos. Nós apenas nos lembramos como nossas vidas eram como quando ouvimos pela primeira vez as bizarramente belas progressões de acordes abafados de ‘Is This It’.” (Leia a resenha completa aqui, com lindas fotos.)

Acompanhando alguns comentários que andaram sendo feitos nas redes sociais, sabemos que Julian soltou um “YOLOOO” quando a introdução de “You Only Live Once” foi tocada. Sobre a interação da banda sobre os palcos, muitas brincadeiras, conversas ao pé do ouvido entre eles e sorrisos imensos estampados nos rostos.

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Para ver mais imagens do show, visite nossa galeria de fotos. E vídeos logo abaixo:

(mais…)

Megapost — The Strokes no Capitol Theatre, Nova Iorque (31 de maio de 2014)

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Enfim, de volta aos palcos. E de forma triunfal. Com um setlist impecável, The Strokes se apresentaram na noite do dia 31 de maio de 2014 no Capitol Theatre de Nova Iorque para menos de duas mil pessoas. Foi o primeiro show da banda desde o encerramento da turnê de Angles, no Planeta Terra Festival de 2011, aqui no Brasil, em 5 de novembro.

Abaixo, alguns registros da noite:

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Setlist (com links de vídeos)

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Entrada / intro de 80’s Comedown Machine

  1. Barely Legal
  2. Welcome to Japan
  3. Automatic Stop
  4. Machu Picchu
  5. Reptilia 2 3 (fragmentos)
  6. Razorblade
  7. Take it or Leave it 2 (fragmentos)
  8. One Way Trigger
  9. Under Control 2 3 (fragmentos)
  10. Heart in a Cage
  11. Hard to Explain
  12. 12:51 2 (fragmentos)
  13. Someday 2 3 (fragmentos)
  14. Mama Love Her Baby Blues/ Happy Ending
  15. The End Has No End
  16. You Only Live Once
  17. Last Nite
  18. New York City Cops

 

Resenhas

BILLBOARD — “(…) a performance foi nada além de um setlist carregado de hits que mostrou a banda em seu melhor.”

“Em meio ao setlist de 18 músicas, Casablancas fez uma pausa para refletir sobre a história dos Strokes. ‘Nikolai [Fraiture] e eu, nós viemos aqui ver Jane’s Addiction tocar,’ disse, lembrando do show com um sorriso, acrescentando, ‘Sou um velho homem com velhas histórias para contar, mas porr* nós estamos de volta.'” (Leia a resenha completa aqui.)

THE CAPITOL THEATRE — “Cada nota foi ouvida. Cada palavra foi sentida. Todos estavam explosivos.” (Leia a resenha completa aqui.)

SPIN: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE

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Dia 25 de março saiu uma review de Comedown Machine no site da Spin, que dá nota 6 ao disco. A tradução vocês conferem a seguir:

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Ninguém mais pergunta o que Strokes vão fazer a seguir. (“Nenhum resultado encontrado para “‘O que os Strokes vão fazer a seguir?’” Temos uma evidência!). Então quando o eletro de One Way Trigger explodiu nos fones de ouvido em janeiro, nos desafiando a não chamá-la de um tributo a A-Ha, seus sintetizadores animados e falsete maduro soaram como um surpreendente desafio. Adicione uma irônica piscadela do título do álbum, e claramente esses caras estão convidando todos a ter fortes opiniões sobre eles mais uma vez.

Não tão rápido. Nós, felizes sobreviventes do grande debate Strokes de 2001 podemos lembrar com carinho da energia juvenil dissipada na busca de determinar, com absoluta certeza, se esses caras eram gênios sexy salvando o rock ou ainda, pirralhos preservando-o. Mas não seremos enganados de novo, e nem você será. Seguros, profissionais obedientemente ultrajados emprestando um punhado de sucintos e não entusiasmados tweets sobre o “desapontamento” dos fãs sobre a nova direção da banda. (Imagina se o Twitter já estivesse por aí antes de Is This It?). Mesmo os britânicos, seu estranho investimento na destemida vitalidade dos Strokes, pareciam hesitantes sobre dar um veredicto final a Comedown Machine.

Aqui está: uma arranhada, mas aperfeiçoada banda pop que nunca foi menos que a soma de suas influências lança uma nova rede, ou talvez só esteja em águas diferentes. A abertura Tap Out falsamente te leva a uma erupção de guitarra antes de dar lugar, prematuramente, a um sintetizador que não é exatamente Smooth Criminal de Michael Jackson, mas exala vibrações indiferentes de Bad. Então as armadilhas de 80’s Comedown Machine ecoam como Prince ao infinito, enquanto seu sintetizador clássico-falso poderia funcionar se alguém decidisse recriar o álbum Asia sem realmente escutar Ásia de verdade. Happy Endings soa um pouco como Madonna em Holiday. E assim por diante.

A comparação em resumo se assemelha, ao menos superficialmente, à influência de Is This It, mas o hype carregado dos rapazes que certa vez juntaram os cacos publicamente de suas músicas favoritas que estão agora mais experientes e conduzem sua maestria de gêneros e eras. De longe, muito bom. E ainda, em vez de nos dar um álbum cheio de lembranças de The Strokes dos anos 80, a banda cai repetidamente numa imitação de si mesma. O single All the time é obedientemente rock o bastante, fornecendo um ponto show único da habilidade de Nick Valensi de condensar um solo como um navio numa garrafa. (Em outra narrativa, ele assinaria como um tocador de sessões com Dr. Luke e energizaria singles de Ke$ha, ou talvez apenas iria para Nashville.) Mas como uma concessão para quem pede que Strokes sejam mais como Strokes, é um soco e um dos muitos aqui.

O fardo de fazer algum sentido em tudo isso cai competentemente nos ombros de Julian Casablancas, cuja voz sobe ao menos uma oitava. Ele nunca precisou explorar suficientemente seu barítono de Iggy e quando ele brincou com essa similaridade no disco solo Phrazes for the Young, de 2009, ele não poderia ter se convencido mais que seu tédio tem importância crucial. Mas o falsete que ele ostenta em Comedown Machine orgulhosamente proclama “Eu sinto”. E talvez ele sinta.

As românticas e mundanas negociações que Casablancas uma vez heroicamente se recusou a trabalhar agora o deixam frenético e atormentado. Mas de “We don’t have to know each other’s name” para “I’ll play your game” e “You don’t have to try so hard”, o pai e marido soa como se tivesse sido reduzido a uma encenação. Quando ele sai com uma linha como “What kind of asshole drives a Lotus?” seu resmungo pode sugerir “I’ve seen it all before, baby”. Exceto que ‘it’ parece se referir a uma seleção do Netflix.

O lugar de Strokes na história poderia estar assegurado desde Is This It. Não para trazer o rock de volta: Jack White não precisou da ajuda deles (embora Vines tenha precisado), e um grupo pós-colégio buscando metas mais adequadas a seu apetite de que boy bands – e/ou mais guitarras urbanas do que o nu-metal tinha a oferecer – poderia ter satisfeito seus desejos de algum modo. Não, o que importa sobre essa banda era como o entusiasmo de seus fãs instigaram flutuantes críticas: a ascensão de The Strokes foi quando nós todos decidimos como iríamos discutir sobre babaquices online.

Então que objeto cultural vai atingir os colegiais de hoje e não ser grande coisa daqui a doze anos? Girls? Zooey Deschanel? Sim, algo na TV, provavelmente. Não apenas uma banda de rock, certamente, muito menos um disco de uma banda de rock. Algumas pessoas vão gostar muito dessas músicas. Outras não. Se um dos lados fizer grandes esforços pra convencer o outro, suas interações vão explodir a internet. E sim, num sentido menor, Comedown Machine mudou o mundo. Uma vez que o mundo só tinha 4 discos de estúdio de Strokes. Agora tem cinco.

Fonte: Spin

Tradução: Equipe TSBR

NME: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE (8 ESTRELAS DE 10)

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A NME foi uma das primeiras revistas a dar dicas sobre o Comdown Machine com o faixa a faixa que traduzimos e publicamos aqui no site há pouco mais de um mês (sim, só faz isso de tempo!). Agora, a revista publicou finalmente a sua resenha com o veredito final: 8 estrelas de 10.

Confiram a tradução logo depois da scan (clique na imagem para ampliar).

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 THE STROKES – COMEDOWN MACHINE

Quinto álbum dos nova iorquinos que deram o pontapé inicial do renascimento indie dos anos 2000 é cheio de grandes riffs, vocais difusos e uma noção de que eles devem estar na verdade divertindo-se uns com os outros

por Dan Stubbs

Na última década, fãs de Strokes viram a banda desaparecer diante de seus olhos. Não apenas uma série de álbuns produzidos com cuidado decrescente, mas com um monte de concertos cada vez mais desbotados também. Eles nem se importam mais em fazer turnê, promovendo Angles em 2011 com vários shows em festivais onde os cinco membros pareciam preferir dividir o palco com um cadáver.

Mas os fãs ainda têm esperança. The Strokes é a banda que deram o pontapé inicial aos anos 2000. Sem eles não haveria o renascimento indie, nem o cenário de Nova Iorque, nem Arctic Monkeys, provavelmente. E as vendas da Converse teriam sido beeem mais lentas. O impacto inicial da banda foi tão monumental que, a cada vez que lançam um álbum, nós secretamente desejamos que seja tão destruidor e incrível como Is This It. Mas é realmente justo julgar uma banda pelo seu inigualável sucesso anterior?

No começo do lançamento do seu quinto álbum, os sinais não eram bons.  A capa – um antigo modelo de capas de fitas da RCA não é icônica como a arte inspirada em ‘Smell the Glove’ do seu álbum de início. Transpirava que a banda não iria fazer entrevistas, nem datas de turnê tinham sido anunciadas. Acima de tudo, tem o título: Comedown Machine. Entediante.

Quando uma faixa saiu, o consenso popular decidiu que soava como Take on Me, do A-Ha. One Way Trigger tem sintetizadores, guitarras estampidas e Julian Casablancas cantando como uma garota. Mas é aí que as coisas ficam excitantes. Por um lado. Take on Me é uma das maiores canções populares já escritas. De outro, sugere que os dias de afinidade de Julian Casablancas com os sintetizadores dos anos 80 finalmente se casaram com a potência emotiva das guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond Jr.

A título de confirmação, o álbum abre com um riff abafado de guitarra que dá um tom de tropical-pop: Tap Out é Strokes via Phoenix, com um grande refrão. All the Time segue, com Fabrizio Moretti martelando a bateria e muita guitarra. Então Welcome to Japan, com sua batida disco, guitarras imitando a voz de Casablancas e letras insinuantes que perguntam “what kind of asshole drives a Lotus?”.

80’s Comedonw Machine diminui o ritmo, construída num loop espremido que poderia ser a trilha de um anúncio de âmbito nacional antes de 50/50, que apropriadamente marca a metade com seu grande riff e vocais difusos. E você respira com alívio, porque até agora isso é bom.

Então fica um pouco estranho. A segunda metade é o momento Bee Gees, com Julian quebrando o alto registro de Slow Animals e Chances, que soam como uma B-side de Daniel Bedingfield. Call it Fate, Call it Karma soa como algo saindo de um radio de plástico antigo numa praia havaiana, e termina o álbum com um curioso corte. No meio há Partners in Crime, possivelmente a música mais surpreendente que The Strokes já fizeram, com seu amigável refrão de jornalista “I’m on the guestlist”.

E isso é Comedown Machine.  Não um álbum importante, nem um que vai definir os tempos. As pessoas que querem outro Is This It não vão encontrá-lo. As pessoas que querem outro Room on Fire também não. É falho, imperfeito e, francamente, estranho em alguns pontos, mas é embalado com sintonias atadas. Mais do que tudo, é divertido – uma grande conquista considerando que não parecia divertido estar nos Strokes por anos. Se é assim que a “Comedown” soa, nós queremos um pouco do que eles estão vindo*.

*Trocadilho em inglês, no original: we want some of what they’re coming down from.

Tradução: Equipe TSBR

Scan: shesfixingherhair.co.uk

FOLHA DE SÃO PAULO: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE

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Saiu ontem, dia 20 de março, no jornal Folha de São Paulo uma crítica do disco Comedown Machine, que vocês podem ler a seguir:

Novo CD do Strokes se afasta do rock

The Strokes

por Thales de Menezes

Quando você começa a ouvir um disco novo do Strokes e a primeira música se assemelha muito a Pet Shop Boys, alguma coisa deve estar muito errada. Ou muito certa.

No caso do quinto álbum da banda nova-iorquina, “Comedown Machine”, pode cravar a segunda alternativa. O disco, que começa a ser vendido no próximo dia 26, é esquisito, no bom sentido.

A usina de ideias musicais mostrada no incensado disco de estreia, “Is This It?” (2001), que foi perdendo força a cada trabalho lançado pela banda, está de volta.

No primeiro álbum, e um pouco no segundo, “Room on Fire” (2003), essa criatividade apareceu forte, mas centrada em influências que exploravam notadamente o punk e o pré-punk de Nova York –de Television e Modern Lovers, entre outros.

Mas, uma década depois, o Strokes resolveu desprezar rótulos e diferenças geográficas e temporais. Tem de tudo um pouco nas 11 faixas, o que coloca “Comedown Machine” na condição, cada vez mais rara, de um disco que capaz de surpreender.

Entre pouca guitarra e esboços de synth pop, o repertório passeia por uma sonoridade que lembra hits radiofônicos dos anos 1970 e 1980.

PÓS-DISCOTECA

Se é algo meticulosamente planejado ou não, o fato é que “One Way Trigger” parece saída de um disco do Alphaville (aquele do “Forever Young”) e “Welcome to Japan” emula o balanço do pop europeu chique pós-discoteca, só falta um globo espelhado girando no teto.

O mesmo Julian Casablancas que já foi chamado de vocalista pouco inspirado desta vez é uma caixinha de surpresas. Canta em falsete em algumas faixas, dobra voz com vocalistas de apoio ou pistas pré-gravadas em outras e paga tributo descarado ao Bowie fase Berlim em “80’s Comedown Machine”.

Se este for o único disco do Strokes que uma pessoa conheça, será difícil convencê-la de que se trata de uma guitar band. Brincar com sintetizadores e programações foi uma diversão no estúdio.

“Slow Animals” soa como funk pop americano do final dos anos 1970, e dos bons. Mesmo quando o rock ronca, como em “50 50”, as afinações e os pedais jogam as guitarras para um embalo situado em algum lugar entre Roxy Music e Santana.

Quem quiser o bom e velho Strokes pode baixar apenas o primeiro single, “All The Time”. Ali estão os riffs nervosos e repetitivos saudados como a salvação do rock no início da década passada.

É difícil para o fã que glorifica esse rock rápido gostar também do pop balançado de “Happy Ending”, feita para chacoalhar os quadris, um tanto “latina”. Ou de “Call It Fate Call It Karma”, que fecha o novo disco quase sambinha, quase bossa nova.

Os fãs desse novo Strokes precisam esquecer a antiga banda focada em rock básico e direto e manter a cabeça aberta para todos os sons. Porque as cabeças dos integrantes do quinteto já estão escancaradas para qualquer mistura.

COMEDOWN MACHINE
ARTISTA: The Strokes
GRAVADORA: Sony Music
QUANTO: pré-venda em lojas digitais, por cerca de R$ 25
AVALIAÇÃO: bom

Fonte: Folha de S. Paulo

*Dica: Luis Nery

ROLLING STONE: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE (3 DE 5 ESTRELAS)

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A resenha mais pessimista de Comedown Machine tinha que vir de algum lugar e enfim veio da Rolling Stone. Sinceramente, achamos que o jornalista estava com pressa para fazer outra coisa porque é uma resenha bem preguiçosa e metida a engraçada, diferentemente da resenha da Time Out Chicago (que traduzimos aqui), mas estamos sendo democráticos e demos espaço à voz de Rob Shieffield e traduzimos a sua opinião sobre o quinto disco.

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Passo oitentista de The Strokes: difícil de explicar

Reis do Lower East Side tentam novos truques com sintetizadores, mas não conseguem recapturar glórias passadas

por Rob Sheffield

Não é muito evidente a razão porque os Strokes fazem algums, não é? Eles não parecem aproveitar muito isso, e não têm tido ideias musicais inovadoras que exigem ser liberadas. Ainda assim, os discos não são inúteis – longe disso. Comedown Machine é basicamente uma viagem solo para o vocalista Julian Casablancas, mostrando ainda como ele respeita a New Wave dos anos 80. Por que Comedown Machine é um disco oficial dos Strokes ao invés de outro disco solo de Julian Casablancas? Apenas um Stroke poderia te dizer.

O synthpop dos anos 80 é sempre a área desse cara, levando em consideração que suas composições tendem a se unir à melodia e soam desajeitadas com a batida. Ele começa forte em “Tap Out”, um tributo a DeBarge com um solo de guitarra cafona tirada diretamente de “Running With the Night” de Lionel Richie. “One Way Trigger” copia A-ha incompetentemente, e “80’s Comedown Machine” tem como objetivo o lado mais suave de Howard Jones. “Welcome to Japan” é meramente o mais óbvio dos vários momentos devidos de Duran Duran. (Uma ótima pergunta também: “Que tipo de babaca dirige um Lótus?”) Mas baladas como “Chances” provam que ele ainda não pode cantar falsetes. E apenas para relembrar vocês de suas pretensões, ele termina com uma dolorosa paródia de Tom Waits, embora Waits faria uma tatuagem de One Direction antes de recorrer a um título de música como “Call It Fate, Call It Karma”.

Tradução: Equipe TSBR

TIME OUT CHICAGO: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE

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A resenha mais concisa sobre Comedown Machine foi publicada dia 12 de março pela Time Out Chicago. É um faixa-a-faixa, e vocês podem ler a nossa tradução logo a seguir:

The Strokes – Comedown Machine | Resenha faixa a faixa

por Brent DiCrescenzo

“They found our city under the water / Had to get our hands on something new”  (“Eles encontraram nossa cidade debaixo d’água / Tivemos que colocar nossas mãos em algo novo”)
– Primeira linha de Comedown Machine

The Strokes estão condenados se o fizerem, e condenados se não o fizerem.

Ater-se ao roteiro de Is This It, é isso. Se repetem suas glórias passadas, críticos vão dizer que não estão evoluindo; se evoluem, críticos vão destruí-los por não repetirem os altos de seu disco de estreia. Este é o caso recorrente de bandas cujos discos de estreia dão luz ao fusível de um movimento inteiro. Como portadores da tocha, eles progridem e alienam discípulos. Mas se eles teimosamente se desconectam desse mesmo som, especialmente depois de passada uma década, eles estão condenados a cair do penhasco de irrelevância na medida em que seu som inevitavelmente perde o gosto. Apenas quase todos os caras com uma guitarra (bem, todos os caras com uma guitarra na Inglaterra) tentaram imitar o som dos Strokes. Portanto, os Strokes o abandonaram.

No entanto, os Strokes cobriram suas apostas ao promover seu quinto álbum, Comedown Machine, oferecendo um pouco do velho e do novo. Primeiro, houve “One Way Trigger”, um estranho número propulsor que corria como nervosismo provocado por cafeína com Julian Casablancas cantando em um falsete muito bagunçado por cima de um ousado riff de teclado. O primeiro single oficial, “All the Time”, trovejou em uma garagem cara com instrumentação de rock padrão e aprumo de tamanhos de arenas. No papel, “Trigger” foi a nova direção excêntrica, enquanto “Time” satisfez os puristas. Mas, francamente, o primeiro foi mais verdadeiro ao espírito original do grupo de hiper-composições velozes e emotivas com misturas não convencionais. “All the Time” poderia se passar por Pearl Jam. Nenhuma é um indicativo de como o resto do álbum soa. Absolutamente.

De certo modo, The Strokes emulam um Blur inverso. Dalmon Albarn e Graham Coxon enjoaram do arco brilhante do Britpop e abraçaram diferentes estilos americanos de rock underground no LP homônimo de 1997. The Strokes liberam seus “novaiorquismos” para uma manhosa aproximação continental. Se há qualquer traço da Big Apple, é a grande sombra do Blondie, que fez truques similares mais tarde em sua carreira. O pessoal da festa diz que o quinteto mergulhou fundo nos anos 80. Eu acho que um ponto de referência melhor é a virada do milênio em Paris: discos como United do Phoenix e 10,000 Hz Legend do Air.

Tendo isto em mente, começamos:

“Tap Out”
Uma explosão de exibições de guitarra te dá um tapa na cara. Os Strokes estão limpando a garganta, tirando meleca do nariz no rock & roll, e aliviando o clima. Rapidamente ela desliza em uma vibe Michael Jackson, funk alegre construído a partir de palmas mudas, pedais de refrão e solos de cocaína. Um Casablancas relaxado canta em arejadas notas altas: “Drifting / You don’t want to know what’s going down.” A banda nunca soou tão suave, e é esse clima que carrega metade das faixas. Já a outra metade…

“All the Time” 
Como mencionei antes, eu não encontro uma semelhança com os dois primeiros álbuns, mas ela é forte e enérgica. Com o som dos cinco tocando juntos em um grande estúdio, ela parece mais com First Impressions of Earth. É o único corte quando seus cérebros são deliberadamente desligados e eles simplesmente tocam por instinto. É também a música menos interessante aqui.

“One Way Trigger” 
Casablancas canta em falsete em muitas músicas de Comedown, mas nunca de forma tão intensa como em “Trigger”. Eu acho que é intencional, já que a letra fala sobre um relacionamento em crise, mas ela certamente foi uma pílula difícil de engolir. De qualquer forma, o vocalista está em sua melhor forma no álbum, exibindo uma notável série e soando o mais engajado de que ele tem sido em uma década. Ele também não tinha cantado tanto assim sobre sexo desajeitado e meninas desde 2003. Só para acrescentar à anormalidade desta música: esta é a única vez que um violão faz uma aparição.

“Welcome to Japan” 
Empacotando dois refrões, um bridge pensativo, discoteca assobiada, um solo fabuloso e uma ótima piada, “Japan” é o melhor single dos Strokes desde “You Only Live Once”, sua “Rapture”. Pelo menos, se RCA souber o que está fazendo. É simplesmente uma explosão. O traço mais negligenciado de Casablancas é o seu senso de humor. Esta é a primeira vez na canção ele lembrou o público que ele é um cara que amava MacGruber e brincou sobre o nome deste álbum ser Rollerbladin’. Especialmente quando ele proclama: “Oh, welcome to Japan!” antes de comicamente cantar “Super dance-y funk down.” Ou algo do tipo. Tanto como está destinada “I didn’t really know this / What kind of asshole drives a Lotus” a ser a linha mais citada, o subsequente refrão quase-rap ganha: “Come on, come on, get with me / I want to see you Wednesday / Come on, come on, come over / Take it off your shoulder / Come on and call me over / We’ve got to get to work now / Sliding it off your shoulder / As we’re falling over. Como quatro músicas inteligentemente compactadas (uma das quais é “Taken for a Fool” do ultimo disco), esta é uma composição imaculada e irritantemente viciante.

“’80s Comedown Machine” 
De alguma forma, nada demonstra a composição detalhada de uma música como uma versão cover em 8-bit. É como encostar o rosto contra um relógio para ver como todos os mecanismos funcionam. Não existem melhores exemplos de que músicas dos Strokes transformados em versões japonesas low-tech. Para ter exemplos, veja aqui e aqui. A abafada faixa-título bate a Internet com um soco, soando um tanto semelhante a um cartucho de Nintendo tocando “Chariots of Fire” e “Lucy in the Sky with Diamonds”. Casablancas flutua levemente sobre os loops sossegados do mellotron. “Why don’t you close the blinds / for the night?”, ele gentilmente pede.

“50/50”
Agora, “All The Time” é o modo como soa um clássico Strokes. E, bem, como Soundgarden um pouco também. Fazendo algo meio Badmotorfinger com um riff tipo “Rusty Cage”, este punker tenso e sarcástico vê Julian retirando seu microfone batido de Is This It de uma caixa empoeirada em seu armário e rosnando com uma ferocidade que não se ouvia desde “Reptilia”. Além disso, se você ouvir atentamente, você pode ouvir o cantor diz no fundo, “…the record for the worst foul shot, in the history of the playoffs*”. Por que não?

“Slow Animals”
Em tempo, Angles será visto como um recomeço. Muito do LP anterior vem como demos para Comedown Machine. O cruzeiro calmante de “Animals” em particular pega algo de “Life is simple in the Moonlight” e “Two Kinds of Happiness”, ajustando os conceitos e polindo as arestas. O que significa que não é muito diferente do Mirage de Fleetwood Mac. Staccato*, guitarras abafadas, sintetizadores oscilantes e o mais curiosamente abafado solo de guitarra da história deles, crescendo lentamente. Mas não se preocupe, um solo estridente segue o verso seguinte. Os caras caem na risada ao final, sublinhando sua camaradagem recentemente redescoberta. Apesar da mudança radical no som e a publicidade bizarra em torno desse lançamento, os cinco estão tão unidos e focados como foram no primeiro mandato de Bush.

“Partners in Crime” 
Zumbidos e batidas bobas de Nick Valensi, muito parecida com a abertura do álbum, ambas zombam do rock clássico e abraçam sua prazerosa ridicularidade. Em cima de uma estrutura de sequência de bateria de Adam Ant e o salto de “Lust for life” (muito parecido com outra música de Strokes com a qual você certamente está familiarizado) por Fabrizio Moretti, todos têm uma explosão. “Leave all your tears alone/ run down your face”, Casablancas canta antes de friamente declarar “I’m on the guest list” com sarcasmo. Como “50/50”, parte da metade do álbum (ah, esse título começa a fazer mais sentido) que sem dúvida poderia caber em Room on Fire

“Chances” 
…Ao contrário dessa dança lenta aqui. Há uma subcultura que sinto vergonha de anunciar que tenho familiaridade. Seria a de garotas-obcecadas-com-desenhos-sonhadores-tipo-fanart-de-Julian-Casablancas. (Procure no Google, é muito engraçado.) Essa é dedicada fortemente a todas as paixonites por aí. Um sintetizador pesado deixa vazar uma saudade de John Hughesian. “I waited for ya / I waited on ya / but now I don’t”, Casablancas canta num alto falsete alto sob luzes cintilantes da discoteca. A mais romântica balada em seu catálogo. Pistas de patins ainda existem, certo?

“Happy Endings”
Ao lado de “Welcome to Japan”, a faixa mais provável para deslumbrar os fãs famintos para que Strokes recuperem a energia apaixonada da primeira era. Como “Slow Animals “e “Japan” misturam ideias de Angles, “Happy Endings” recicla as guitarras e elementos sci-fi  de “Machu Picchu”, acrescenta uma pitada de Room on Fire e termina com algo maravilhosamente eletrizante. Por mais que eu tenha adorado, Angles soa um pouco como peças juntadas num computador por membros de uma banda que dificilmente se comunicavam. Comedown Machine é o som do grupo revigorado, colaborando. Com um título carregado, “Endings” deve ser deslumbrante ao vivo. Se eles fizerem turnê.

“Call It Fate, Call It Karma” 
Fechando as cortinas na curva final, “Fate” estala como a gravação de um calliope* tocando rumba cubana. Trazendo Blur de volta, faz um loop de forma muito semelhante a “Optigan 1,” e o final para  13. “Close the door, not all the way,” Casablancas canta baixinho. “Please understand / We don’t understand.” No refrão, “I waited around…”, que traz à mente uma velha letra dos Strokes que estou deixando de colocar, ele usa suas notas mais altas ainda, trazendo Frankie Valli ou um Beach Boy. Essa mistura de nostalgia e estranheza, poderia figurar em um filme de David Lynch ou Tim Burton. Vamos pensar sobre isso, não está muito longe do que Karen O fez para Frankeenweenie. Yeah Yeah Yeahs passou corajosamente de riffs de guitarra para faiscantes discotecas e baladas ternas. Quem vai dizer que os irmãos de Nova Iorque não podem fazer o mesmo?

*Notas
Playoff: tipo de desempate em algumas competições esportivas nos EUA.
Staccato: uma técnica de execução instrumental ou vocal.
Calliope: tipo de instrumento, veja aqui.

Fonte: timeoutchicago.com

Tradução: Equipe TSBR

BBC: RESENHA DE COMEDOWN MACHINE

1 Comentário

Continuam vindo mais e mais resenhas. Essa foi publicada no site da BBC, dia 13 de março, e o original vocês podem conferir no link ao final do post.

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Músicas pop brilhantes – e algumas vezes, isso é tudo que realmente importa. por James Skinner

Pra todos que estavam na imprensa musical na virada do século, The Strokes eram onipresentes.

Aclamados como os salvadores da cena alternativa que tinha crescido e estava estagnando, eles explodiram nas mentes do público com o EP The Modern Age seguido de Is This It, um dos mais perfeitos álbuns de estreia da história recente.

A carreira deles desde então – assim diz o senso comum – é uma curva decrescente: álbuns que nunca alcançaram a referência inicial, brigas internas, lançamentos solo e um longo hiato.

Mas talvez seja a hora do senso comum ser um pouco revisto. Depois de tudo, o triunfo de Is This It não derrubou o apelo da estética desgrenhada nem a ideia de que a banda seja um azarão.

Celebrando o passado enquanto buscam algo contemporâneo e significativo, a estreia foi bem sucedida porque estava cheia de brilhantes canções pop.

E aqui está o negócio: The Strokes sempre tiveram brilhantes músicas pop. Talvez não seja tão fácil esses dias: as gravações para Angles, 2011 teriam sido cheias de tensão.

Claro, talvez a magia inicial não seja sentida tão fortemente. Mas o acertar-e-errar que perpassa toda sua discografia é notável.

O mesmo acontece em Comedown Machine. As músicas aqui podem demorar um pouco mais para emplacar que as predecessoras, mas nenhuma delas tem uma nota falsa. Embora a marcante assinatura do grupo esteja presente e correta, elas formam o pano de fundo para uma ampla variedade de estilos e abordagens.

Mais do que nunca, a ênfase está em um groove apertado como a faixa de abertura Tap Out. A seguinte All the time é bem como manda o figurino, mas os sinais ‘A-Ha’ de One way trigger são um pouco estranhos e mais originais.

A quase-música-título 80’s Comedown Machine é uma grande representante da década, como o nome indica. Ela encontra Julian Casablancas em uma forma pesarosa e mostra como The Strokes se abrem a novas possibilidades aqui.

Welcom to Japan é sedutoramente estranha, Slow Animals apresenta um agridoce refrão, enquanto finalmente Call it Fate, Call it Karma é, de algum modo sonhadora, a coisa mais incomum que eles já fizeram.

Músicas pop brilhantes, então. Algumas vezes, isso é tudo que realmente importa.

Fonte: BBC Reviews

Tradução: Equipe TSBR