Categories for Entrevistas

Tradução: Entrevista com Cody Smyth

Comente!

Cody Smyth, fotógrafo e amigo de longa data dos Strokes, está prestes a lançar o livro que documenta uma década da história da banda. Com data de lançamento prevista para 10 de outubro, o livro – que promete ser incrível – está em pré-venda na Amazon. Abaixo, a tradução de uma entrevista que o fotógrafo concedeu a Alejandra Ramirez em 10 de maio de 2016, em que ele conta de sua amizade com a banda e de como foi estar lá acompanhando o começo da carreira. Confiram!

 

 

The Strokes, Nova Iorque, e o fotógrafo que estava lá

Cody Smyth assistiu à transição de frequentadores de bares para uma das maiores bandas de rock do mundo

Como The Strokes chegou tão longe? Pense em 2001, quando os roqueiros de Nova Iorque lançaram seu álbum de estreia, Is This It. Aquele título, modesto e autocrítico, não combinava exatamente com o perfil de uma banda marcada para a onipresença e longevidade. Um sinal ainda maior da iminente morte da banda era o fato de críticos terem atribuído a eles expectativas messiânicas, saudando-os como a segunda vinda de The Velvet Underground (as raízes post-punk e produção sem frescura de Is This It também tornaram inescapáveis as comparações a Television ou Stooges).

Mas os verdadeiros Strokes eram algo mais simples que tudo isso: uma grande banda de rock. No início dos anos 2000 eles ajudaram Nova Iorque a ser excitante de novo e todos esqueceram o adágio solene “o rock está morto”, mesmo que por um momento. 15 anos e 4 discos depois, a influência da banda é clara, facilmente reconhecível nas marcas deixadas pelas execuções de Julian Casablancas ou pelas distorções irregulares da guitarra de Albert Hammond Jr.

Parece que Strokes dispararam para o estrelato em questão de segundos, mas sua fama não veio da noite para o dia. Pergunte ao velho amigo e fotógrafo da banda, Cody Smyth, que começou a reunir a história deles no final dos anos 1990. Smyth ficou com o grupo enquanto eles transitaram de regulares frequentadores de bar em jaquetas de couro para atração principal de festivais, tirando quantas fotos podia pelo caminho. No ano que vem, ele vai lançar um livro de fotografias talvez intitulado The Strokes 1996-2016, que ele descreve como “um registro de 20 anos de amigos próximos que se tornaram uma das maiores bandas de rock do mundo”.

Consequence of Sound falou recentemente com Smyth sobre seus planos para o livro, suas lembranças com a banda, e o que ele vê para o futuro dos Strokes. Com música nova a caminho e confirmados para o Governors Ball Music Festival neste verão, esse futuro pode ser tão fotogênico quanto o passado.

Então, qual a história por trás do livro que você vai lançar?

Eu conheci Nick, Julian, Fab e Nikolai em 1995, na escola. Nos tornamos amigos instantaneamente. Então começou lá atrás comigo fotografando amigos porque meus pais cresceram nessa indústria. Começou lá e cresceu para um documento inteiro.

Um amigo próximo da família que é editor da Lesser Gods sabia que eu os tinha fotografado. Ele trabalhou para a MTV Books, e eu acho que ele sabia que eu tinha esse registro que não foi visto… que eu tinha mais ou menos mantido para mim por quase 20 anos. Então eu o encontrei, e ele olhou algumas das fotos e pensou que era definitivamente suficiente para contar uma história de dentro – não só pra lucrar com ela. É tipo um registro íntimo de 20 anos viajando com eles, mas o livro surgiu porque ele se interessou e viu outras fotos além das que estão em meu site.

Desde então, eu procurei os caras, e eles sabem sobre meu trabalho e sempre apoiaram. Eles foram super legais a respeito e realmente estão animados e felizes com isso.

Isso parece muito diferente da maioria dos livros de fotos sobre bandas. Muitos só mostram os músicos no auge da fama, ao contrário de tentar registrar suas carreiras.

É algo que eu tentei involuntariamente capturar com meu trabalho. Nós na escola, rodando pelo Central Park ou à toa tarde da noite fazendo o que não deveríamos fazer. Eu sabia que eles iriam fazer algo, mesmo no começo ou quando estavam tocando em bares em Nova Iorque tipo Baby Jupiter ou Arlene’s Grocery. Eu só queria continuar registrando e aproveitando enquanto estava acontecendo.

Eu não queria que as fotos parecessem com intenção de serem vistas ou publicadas. [elas são] uma forma de documentar uma amizade de uma perspectiva interna e externa – estando com eles, sendo amigo deles, vendo como as músicas progrediram e sabendo como eles pensam.

Alguma ideia para o título do livro?

Não tenho certeza ainda. Estou tentando ficar longe das letras das músicas deles. Houve um título que pensei que seria um extra do primeiro disco, Is This It. Quero que seja direto e bonito. Não quero que seja brega.

Você falou sobre ter conhecido Nick, Fab e Julian na escola. Como sua amizade começou?

Bem, assim que conheci Nick e Julian no inverno de 1995, nos tornamos meio inseparáveis. Durante a escola, depois da escola, nos finais de semana, andávamos juntos e fazíamos o que adolescentes de Nova Iorque faziam naqueles dias. Estávamos sempre em bicicletas e indo à casa de alguém. Central Park era basicamente nosso quintal, então passávamos muito tempo no parque. Naqueles dias, quase todos que conhecíamos apareciam num lugar chamado Meadow no parque. Íamos assistir shows de música no Roseland ou CBGB, também.

Ríamos muito, fizemos algumas coisas ilegais, entramos em algumas encrencas, e sempre queríamos estar juntos. Outra lembrança ótima que temos é de passar finais de semana prolongados na casa de praia da família de um amigo próximo. Ficava a uma hora de trem desse lugar em Long Island. Fazíamos o que adolescentes faziam sem supervisão dos pais nesses fins de semana. Mas podíamos cozinhar, jogar basquete, andar de bicicleta, ir à praia, e vagar pelo lugar. Era um ótimo escape da cidade de vez em quando. Em todos esses momentos, uma guitarra estava lá, e Nick ou Julian ou mesmo eu estaríamos tocando. Sempre tinha música tocando. Música era um grande conector pra nós.

Eles parecem ser grandes apoiadores seus, mas houve momentos em que você sentiu que a dinâmica começou a mudar enquanto a banda crescia?

Sim, eles sempre me apoiaram. Nunca houve momentos deles me dizerem para sair nem nada disso. Uma vez ou outra, Julian me diria para recuar durante uma passagem de som, mas era no começo, e por causa disso eu acabei conseguindo essa ótima foto de um salão vazio em que eles tocaram. Então, a partir daquele momento que ele disse “Saia da minha cara, não agora” , isso me permitiu entender que ele estava trabalhando. Eu não queria interferir, então isso me forçou a pegar outro ângulo. Todos eles são realmente apoiadores, especialmente Nick. Ele é como um irmão. Eles são todos artistas, também, então eles entendem.

Mas voltando à sua pergunta, eu notei que a dinâmica começaria a mudar. Sairia em turnê com eles pela Costa Leste, e outros fotógrafos viriam junto, que eram seus amigos e conhecidos, e em alguns momentos, as coisas ficariam pesadas. Mas os aspectos mudaram principalmente em relação a [gestão da banda] e a política de tudo. Meu amigo Nick sempre me deu boas-vindas tipo “temos um lugar pra você no ônibus, cara, não se preocupe” ou “apenas venha, será divertido”. Chegando lá, era como estar em família.

Vi merdas, mas isso aconteceria. Ser amigo de alguém por 20 anos vem com a possibilidade de dar nos nervos um do outro de vez em quando. Sempre tinha um passe ou crachá. Mesmo quando eles se tornaram maiores e passaram a ter seguranças – como esse cara, Rob, que eu devo ter fotografado – todo mundo sabia que eu não era um penetra. Mesmo outros agentes ou pessoas que vieram sabiam que eu não tinha más intenções ou estava fazendo apenas fotos caça-níquel para vender para a mídia.

Houve algum momento em que você pensou “Ok, essa banda tem potencial?”

Não houve um momento específico nem nada, mas eu lembro dessa circunstância em 1999 quando eles estavam tocando em locais menores em Nova Iorque. Não tinha muitos fãs. Quando Albert chegou em 1998 ou 1999, eu lembro de pensar “Ok, isso vai ser algo raro e coeso e estimulante que Nova Iorque não sente há um longo tempo”. Eu tenho só 38, mas o início dos anos 2000 foram realmente grandes para a música em Nova Iorque.

Tem um momento que eu sempre revisito. Foi um show, provavelmente em agosto de 2000 ou 2001 no Mercury Lounge. Não tinha ar condicionado, e estava horrivelmente quente. Estavam espalhando West Nile spray em toda Nova Iorque, nas ruas e grandes avenidas, então desligaram o ar condicionado. Tinha uma multidão se juntando porque havia um par de outras bandas – acho que Yeah Yeah Yeahs estavam começando. Haviam muitos amigos, e naquele show eu lembro de nós meio que sentimos que estava começando. Eu não sei se foi a sensação ou o verão, mas foi aquele show. Você podia sentir e todos os amigos podiam sentir, e foi quando tudo meio que decolou.

Quais são algumas de suas fotos favoritas que serão incluídas no livro?

Uma das minhas favoritas é essa foto em que estão todos alinhados na 8ª Avenida. Havia um local para ensaio na 8ª Avenida e eles estavam indo a Filadélfia aquela noite e eu disse a eles “Me deixem fazer uma foto de grupo, eu não fiz uma ainda”, então nos encontramos. É uma das minhas favoritas por causa da noite que se seguiu. Acabei indo com eles a Filadélfia e os irmãos Oasis apareceram nesse clube pequeno e ficaram a noite toda.

 

Algumas outras que eu tirei de Albert no banheiro da Radio City Music Hall… essas sempre ficam comigo porque eles iam tocar com The White Stripes, e todo mundo estava empolgado e era uma fase que eu queria fotos individuais deles em qualquer lugar, sempre que pudesse. Albert foi o primeiro, e eu lembro de alguém dizendo que os banheiros da Radio City eram imponentes, então eu o levei lá e fizemos algumas fotos.

The White Stripes e The Strokes? Imagino que tenha sido um show louco.

Foi! Estava realmente cheio e todo mundo estava estressado. Acho que foi 2002, mas lembro da sensação de grande energia, e um monte de gente animada que eles estavam tocando juntos. A banda estava super nervosa mas também legal sobre eu querer fazer fotos deles.

Eles estavam felizes por isso, e é esse tipo de aspecto que quero colocar no livro. Meu amigo Nick poderia facilmente ter dito “Olha, estamos estressados e é um pé-no-saco” mas ele não disse, o que foi ótimo. Enquanto eu tirava fotos, também era só um grande fã. Em alguns momentos nem saquei a câmera, estava apenas aproveitando.

Queria falar sobre umas fotos em particular. Há uma da banda no Lyric Diner. Eles parecem exaustos.

Foi noite de ano novo em 1999, e acho que era muito, muito tarde. Nem sei se estávamos fazendo algo louco aquela noite. Eles nem eram conhecidos ainda. Eles provavelmente parecem cansados porque estavam ensaiando muito mesmo e tocando bastante nos bares. Eu estava sempre buscando esse tipo de momento. Sempre pareceu linear pra mim, crescer em Nova Iorque olhando os prédios, trens e ruas. É como todos estão na foto. Estamos apenas andando por aí como amigos. Era como não saber o que viria a acontecer no futuro.

Também há algumas fotos engraçadas em que acho que Nikolai está segurando uma faca e Albert tomando uma cerveja. Eles parecem em seus próprios mundos.

Estavam todos no backstage. E Nick no piano, e eu honestamente não sei porquê Nikolai tem aquela faca na mão, mas lembro que ele a jogava na parece, acho. Lembro que estávamos em LA no Gibson Theatre, e Eagles of Death Metal iam abrir pra eles. Foi o tipo de show em que todos estavam em todo lugar… naquela foto, eles meio que agiam como eles mesmos por um momento.

Também há uma que é aquela foto “prestes a entrar no palco” que você sempre encontra em livros.

Acho que isso foi em San Diego. Eagles of Death Metal estava abrindo pra eles. Eu estava com Nick em LA e decidimos dirigir em vez de pegar o ônibus com os outros caras. Estava chovendo o caminho todo, e levou três horas. Tínhamos planejado chegar cedo, mas não aconteceu. Na hora que chegamos, Nick tinha que estar no palco em dez minutos.

Eu realmente não tinha tempo para fotografar, nada além de algumas fotos no palco. Então eu tirei uma deles indo do camarim para o palco. Mais uma vez anos depois, ainda tinha aquela câmera comigo.

A próxima foto é realmente granulada. Todos parecem estar assim, especialmente Albert, e o clube parece pequeno, também.

Esta foto foi tirada em 2000 num bar chamado Don Hill’s que está atualmente fechado. Íamos lá muito naquele ano, tanto quanto eles estavam tocando e possivelmente mais ainda quando não estavam. Alguns amigos fizeram uma festa lá chamada “TisWas”. Esses foram os primeiros dias, então era mais um show em que estavam basicamente amigos.

Ainda a tenho, mas estava usando uma pequena câmera de 35mm chamada YAshica T4. Grande pequena câmera! Muitas vezes quando só queria sair e não focar em fotografar muito, eu a levava comigo. A energia estava alta neste show, e foi ótimo assistir. Estava na frente tirando fotos, tomando uma cerveja, fumando um cigarro – nos tempos em que você podia fumar em bares. Processando o filme dias depois, estava mais do que feliz com o que consegui … Não estar preocupado acabou recompensando no fim. Tenho quase certeza de que foi uma daquelas noites que viramos, mas era bem comum naqueles dias.

Como estão todos hoje?

Todos meio que estão em seus próprios lugares. Tipo, eu fui a LA e passei bastante tempo com Nick e sua família. É bastante comum, só nos encontrar e fazer coisas normais, como ir a um jogo de beisebol ou assistir Jerry Seinfeld. Se não, vamos para a piscina e relaxamos. Nikolai é meio que um tipo família, mas eu o vejo muito porque sua filha vai à escola com meus irmãos menores, então eu o vejo sempre em West Village. Ou no playground ou na vizinhança. Albert e eu nos falamos por mensagem, também. eu diria que Julian é o mais recluso, mas quando nos encontramos, é como família.

O que você vê na trajetória da banda no futuro?

Eu os vejo fazendo música nos próximos anos e ainda fazendo turnês. Mesmo quando eles tiraram um tempo entre os discos para fazer outras coisas paralelas… eles sabem que é mágico quando estão juntos. E quanto não tocamos por 5 anos e somos atração principal num festival com grande público ainda aparecendo, isso significa algo. Eu os vejo no Rock and Roll Hall of Fame, com certeza.

Além de ser amigo e olhar para eles do ponto de vista de fã, vejo que eles são uma das bandas mais influentes dos últimos 15 anos. Como eu disse, eles e The White Stripes conseguiram inaugurar essa nova onda de rock and roll que estava faltando há muito tempo desde o início dos anos 90.

 

Entrevista original em: Consequence of Sound

Tradução: TSBR

Fotos: Cody Smyth

Nick Valensi no podcast “2 Hours” com Matt Pinfield

Comente!

CRX lançou seu disco de estreia “New Skin” em Outubro e Nick voltou a ser o Stroke preferido do jornalistas. Dessa vez temos 2h inteiras de conversa com o nosso guitarrista sobre as primeiras memórias com os Strokes, como foi ser pai de gêmeos, conhecer David Bowie, e trabalhar with Josh Homme em sua nova banda.

czl_l3zusae33vk

Ouça agora na íntegra Nick Valensi em “2 Hours” com Matt pharmacie en ligne france viagra Pinfield:

#FuturePresentPast: saiba tudo que aconteceu com os Strokes durante o mês de junho

1 Comentário

O final do mês de maio e todo o mês de junho foi cheio de ótimas

novidades sobre o nosso quinteto nova-iorquino favorito, a começar pelo lançamento do EP de três músicas e um remix: Future Present Past. É o primeiro lançamento da banda no selo de Julian Casablancas, a cada vez mais estimada Cult Records (clique na imagem abaixo para ouvir o EP no Spotify).

FPP

O EP pôde ser comprado em vinil, em cinco opções de cores (as cinco do arco-íris da capa), em ações de parcerias com empresas e lojas de discos.

vinis

Foto: @toddruof no instagram

Outra ação envolvendo produtos que nos fez nos contorcer foi a abertura da loja pop up em Nova Iorque, o único lugar onde era possível comprar essa jaqueta…

pop up

O lançamento do EP foi acompanhado de dois ótimos shows, cheios de novidades nos

setlists, incluindo a estreia de todas as três novas músicas e o retorno de músicas que não eram tocadas desde a turnê do First Impressions of Earth (entre dez e seis anos atrás), além de um cover de Clampdown do The Clash, que a banda tocou em 2004 durante shows da turnê do Room on Fire. Assista a seguir o show completo no Governors Ball, e confira os setlists das duas últimas apresentações.

https://www.youtube.com/watch?v=rJ1F9Ok5IeE

(mais…)

Feliz aniversário, Fab!

Comente!

1

Hoje, 02 de junho, é aniversário do baterista mais queridos de todos: Fabrizio Moretti!
E para homenageá-lo, resolvemos listar algumas curiosidades:

– O pai do Fab nasceu na Itália, e a mãe nasceu no Brasil.

– Fab nasceu no Brasil, mas foi para os EUA quando tinha 4 anos.

– Ele conheceu Julian e Nick quando estudavam na Dwight High School

– Mitologia é um dos seus temas prediletos. Ele pôde trabalhar com o tema no projeto Fuzlab (lembra?)

– Fabrizio

disse em entrevista, à época da Little Joy, que faria um clipe em Recife se pudesse, porque acha o lugar incrível, ou em Porto Alegre, por ter sido onde a Little Joy fez o primeiro show no Brasil.

2– Além da música, ele também é talentoso desenhando ou fazendo esculturas.

– Em 2013, fez uma instalação de arte no exterior da loja de roupas Rag & Bone – um painel em alto relevo, com astronautas esculpidos.

– Ele passou uma longa temporada em Paris, porque queria aproveitar o clima da cidade para se dedicar a outros projetos. (A gente falou disso anteriormente aqui)

– Fab fez um remix da música Inside Out, lançada por Spoon em 2015

Abaixo, uma entrevista das mais antigas, quando eles se apresentaram no Roskilde Festival:

Nós, da Equipe TSBR, e todos os fãs brasileiros, desejamos um dia maravilhoso e muitos anos de vida.

Feliz aniversário, Fabrizio!

Fontes: Spoon & Rolling Stone

Tradução: Entrevista com Nick Valensi

Comente!

 

nick 5

Foto por Amanda de Cadenet

 

Em 2006, Nick Valensi concedeu uma entrevista por telefone a Daniel Robert Epstein, do site SuicideGirls, uma página dedicada a publicar material e fotos eróticas de garotas estilo pin up.  A seguir, nossa tradução:

Daniel Robert Epstein: Hey, Nick, onde você está hoje?

Nick Valensi: Estou no Brooklyn, Nova Iorque. Onde você está?

Daniel: Astoria, Nova Iorque. Somos rivais.

Nick: Sim, somos rivais, mas também estamos intimamente ligados.

Daniel: Então, você estará no Saturday Night Live amanhã à noite.

Nick: Sim, estaremos no SNL. Tivemos uma agenda agitada nos últimos dois ou três meses.

Daniel: Vocês vão participar de algum dos esquetes do SNL?

Nick: Acho que não. Eles não nos pediram [risos]. Mas no ensaio de ontem, filmamos umas duas chamadas para comerciais.

Daniel: Eu vi, são realmente engraçados. Aquele personagem de Horatio Sanz’s é realmente perturbador.

Nick: Sim, cara, é pior ao vivo. Mas estivemos realmente ocupados e eu sinto como se não tivesse tempo suficiente no dia. Você conhece a sensação?

Daniel: Eu tive isso hoje.

Nick: Me parece que falei com umas duas pessoas hoje que tiveram dias agitados. Talvez seja o ciclo astrológico mesmo que eu não acredite realmente nessas coisas.

Daniel: Acho que é o aquecimento global.

Nick: Ok, culpe-o por isso. Então, suicidegirls.com, é um site pornô, né? (mais…)

Albert Hammond Jr: “The Strokes entram em estúdio em fevereiro”

Comente!

strokes620

Em entrevista concedida durante o ACL Music Festival, que aconteceu no fim de semana passado,  Albert deu mais detalhes sobre a volta de The Strokes ao estúdio — informação que Julian Casablancas vagamente compartilhou ao fim do show da banda no Landmark Music Festival, que acontecera no fim de semana anterior.

A entrevista é, em sua maioria, sobre o trabalho solo de Albert, coisas já abordadas anteriormente, como ele está tentando construir carreira, o processo de composição e toda empolgação que ele nitidamente está depositando nessa nova fase de sua vida profissional. Ele comenta inclusive que ainda tem intenção de fazer um projeto de releitura de músicas de Frank Sinatra com um “arranjo mais moderno”, assim como fez em sua versão de “Don’t Think Twice” de Bob Dylan (mas só quando tiver tempo livre e puder voltar para casa com calma, que ele complementa sorrindo “nunca voltarei para casa”).

Ao fim do vídeo, o entrevistador lança a pergunta crucial, que todos nós esperávamos respondida.

Segue a transcrição traduzida desse trecho:

Eu tenho que te perguntar sobre The Strokes… por causa do que Julian falou no palco…

Albert: “Sim… Obrigada, amigo!” (sorrindo, se referindo a Julian)

Então?

Albert: “Nós vamos… Eu acho que ele estava apenas bastante empolgado. Nós vamos entrar em estúdio em fevereiro e veremos… Esse tempo todo nós tivemos uma reunião no dia 24 [de setembro] e chegamos à conclusão que vamos tentar nos reunir para fazer o sexto disco. Ficamos ‘oh quando vamos ter tempo livre?’ e decidimos que em fevereiro, durante uma semana ou duas. Acho que ele realmente ficou feliz com isso lá em Washington DC e falou aquilo e agora estamos tipo ‘oh boy…'”

Acho que isso manifesta um pouco a velocidade, a pressão para fazer isso acontecer…

Albert: “É… Claro, claro…” (risos)

Eu estou só torcendo para que seja assim, espero mesmo que dê tudo certo (risos).

Albert: “Obrigado!”

Assista na íntegra no vídeo abaixo:

Lembramos que Albert ainda pretende seguir em turnê com seu trabalho solo até o verão de 2016 (que é em julho nos Estados Unidos) e Nikolai tem o Summer Moon, cujo disco pode ser anunciado a qualquer momento.

Entrevista – Um americano em Paris: Fabrizio Moretti

1 Comentário

 

FAB-847x1024

Dia 10 de julho, foi publicada aqui no Elledérive uma entrevista com Fabrizio Moretti, sobre seu tempo em Paris. Leia nossa tradução logo a seguir:

Você vive em Paris já faz um ano. Quando descobriu a cidade pela primeira vez?

Eu vim com minha família quando era pequeno, mas ainda tenho algumas lembranças daquela visita. Para mim, era só mais uma grande cidade, ou uma outra viagem em família. Por outro lado, eu lembro perfeitamente quando vim em 2002 com os Strokes. Nossa banda estava começando, e ficamos em um hotel perto do Gare Du Nord. Eu andei bastante pela cidade e pensei “Tem uma energia forte nessa cidade, um dia vou morar aqui”.

Por que decidiu se mudar pra cá?

Eu precisava de um tempo pra pensar sobre o que iria fazer da minha vida. A banda estava em uma espécie de ‘hiato’, e eu me senti meio preso na rotina em Nova Iorque. Eu estava só vendo as pessoas que saíam e viviam uma vida de excessos e estava cansado disso. Mas eu não sabia onde ir! Então eu lembrei do que senti naquele pequeno hotel perto da Gare Du Nord, e lembrei da promessa que fiz a mim mesmo.

Primeiro, eu estava tão perdido quando cheguei! Eu pensei: “F*, o que estou fazendo aqui?” (risos). Mas então conheci Liz, um ilustrador que estava apaixonado por música, e nós começamos a trabalhar juntos em um projeto artístico que chamamos FUZLAB, um afresco de alguns metros, evocando o mito de Teseu e o Minotauro. Este trabalho me permitiu muitas coisas: primeiro, me deu um objetivo, então Luz e eu construímos uma amizade sólida, e finalmente, me deu um novo olhar sobre criação, e mudou minha forma de fazer música.

Como assim?

Eu me tornei mais disciplinado na bateria. O trabalho de um ilustrador requer flexibilidade nas mãos, e o de um baterista também, e eu trabalhei nessa flexibilidade. Além disso, quando você desenha, você não sabe realmente onde está indo, mas você tem que dizer a si mesmo que está indo em direção a algo lindo. Eu aprendi a aplicar a mesma abordagem de confiar no improviso na música.

Paris é uma cidade inspiradora, para um artista?

Sim, definitivamente. Os museus são tão ricos, e a arquitetura é incrivelmente bem preservada também. Você pode sentir que está em um lugar atemporal. Essa atemporalidade encoraja você a pensar que o que você cria também é atemporal. Não me entenda errado, não significa que eu crio coisas incríveis. Mas aqui, eu sinto que posso ir mais longe ao explorar minha criatividade. Eu posso ir em direção à fantasia. Sabia que William S. Burroughs escreveu Naked Lunch em Paris? Ele costumava passer um bocado de tempo na Shakespeare and Co.

Quais seus outros locais usuais?

Eu moro no 3º arrondissement*, e saio pela vizinhança. Vou tomar café no Fragments. Eles fazem um café ótimo. No almoço, às vezes vou ao Merci. Sim, é um pouco esnobe, mas as pessoas que gerenciam o local são muito doces. E pra jantar, eu amo o Nanashi, é tão bom!

Outra coisa que adoro fazer em Paris é visitar os museus à noite. O Louvre, Orsay ou Pompidou: é fabuloso ir lá quando a noite cai e está tão calmo, sereno.

O que você acha da imagem veiculada pela mídia internacional da mulher parisiense – livre, sofisticada, chique e boêmia ao mesmo tempo?

É uma pergunta difícil pra mim, porque quando eu ando por aí ou conheço as pessoas, não importa pra mim se são homens ou mulheres. Mas – e talvez isso se deva ao fato de não ser bilíngue e não compreender completamente o que as pessoas estão dizendo – eu tenho a impressão de que as pessoas aqui são mais mente aberta, mais tolerantes à excentricidade.

Mais que em Nova Iorque?

Sim, absolutamente.

Falando em excentricidade, qual a coisa mais maluca que você vivenciou em Paris?

Eu estava com Luz. Depois de abrir a exibição FUZLAB, fomos convidados à casa de alguém que não conhecemos, o filho de um alto funcionário libanês, alguém rico. Era em um apartamento luxuoso em Île St Louis. Não sei porque, mas Luz estava vestido de branco aquela noite. Depois de algumas bebidas (era quando eu ainda bebia, isso está no passado agora), começamos a fazer bagunça. Tinha uma grande tigela de melado, e começamos a usar pra pintar as roupas brancas de Luz, enquanto dançávamos. O filho do oficial libanês achou impressionante, e estava gritando: “estamos festejando no inferno!” (risos). Estávamos bem limpos e arrumados quando fomos à festa, mas quando saímos estávamos cobertos de melado, no meio da noite, no coração da Île St Louis. Foi um absurdo total, mas uma grande lembrança de riso histérico.

*arrondissement: divisões administrativas da cidade de Paris.

Fonte: Elledérive Paris

Tradução: Equipe TSBR

Tradução – Talvez você não viva só uma vez: O novo vácuo de Julian Casablancas

1 Comentário
four

Foto por Abby Ross

Na edição de abril de 2015 da Noisey foi publicada uma matéria sobre Julian Casablancas, na qual o artista fala de música, política e suas aspirações. Vejam a seguir a nossa tradução:

Depois de meses tentando desembrulhar o cérebro do líder dos Strokes, ainda não temos certeza do que descobrimos. No fim, esse deve ter sido o plano o tempo inteiro.

O sol começa a tocar as árvores e desaparecer de vista enquanto Julian Casablancas e eu sentamos olhando um lago na área rural de Nova Iorque. É um dia fresco e claro de outubro, e ele está brincando com a ideia de dirigir até a cidade. Ariel Pink tem um show no Brooklyn. Não é um pouco tarde para entrar na lista? “Meu rosto é meu passe para o backstage,” ele ironiza, completando rapidamente, “Courtney Love me disse isso um tempo atrás. Ela e Winona Ryder estavam dirigindo depois de um show e Courtney gritou, ‘Venha ser famoso conosco!’”

O líder dos Strokes não é famoso de muitos flashs, mas ele é reverenciado em uma espécie de culto, especialmente no cenário musical de Nova Iorque. Ele é o tipo de cara que você nota, mesmo que não tenha certeza do motivo. Hoje sua figura de 1,88m está vestida em calças jeans brancas sujas e uma camisa vermelha de flanela que aparece pouco por dentro da velha e lustrosa jaqueta preta dos Knicks, que ele viria a vestir cada vez que nossos caminhos se cruzaram poucos meses à frente. No terreno cercado de cidade perfeita onde nos encontramos mais cedo aquele dia, ele estava genuinamente incongruente, dirigindo um Monte Carlo SS da Chevrolet dos anos 80 que ele comprou no Craigslist. Todo preto com detalhes vermelhos e um interior amarronzado, ele abraça a estrada lentamente e o motor emite um profundo ruído agradável. O cantor de 36 anos cruza o estacionamento da linha do trem e para. Ele sai do carro, sorrindo, e abre a porta do passageiro. Depois, quando estacionamos em um café-restaurante tão singular que parece uma ilustração, um homem de meia idade passa por perto com sua esposa e balança a cabeça, apreciativo: “Esse é um carro clássico. Essa coisa é maravilhosa!”

Estou encontrando Casablancas para conversar sobre seu disco Tyranny. É seu segundo disco fora dos Strokes – depois de Phrazes for the Young de 2009 –, mas seu primeiro com uma nova gangue vestida em couro, The Voidz. Sugerido por ele, nos encontramos a poucos passos do local para onde ele, sua esposa e filhinho recentemente se mudaram, é assim que nos encontramos caminhando por uma estradinha meio escondida, pisando em folhas secas até um lago bem próximo. Sentamos em nossos casacos perto da água. Álcool, cigarros, maconha e café são todos vícios do passado. Red Bull tipicamente ajuda Casablancas a se tornar mais comunicativo e atingir o requisito necessário para uma entrevista, mas não há nenhum Red Bull por perto. Hoje, ele bebe água vitaminada. É roxa.

A primeira vez que conheci The Strokes foi dia 1º de fevereiro de 2001, em Brighton, Inglaterra. Era seu primeiro show principal no Reino Unido, e eles haviam lançado o EP The Modern Age poucos dias antes. Mesmo sendo de Nova Iorque, eles foram maiores primeiro no Reino Unido, onde o burburinho tinha uma ordem de magnitude mais alta de que qualquer outro artista da época. Caminhei por aquela casa de shows suja enquanto uma passagem de som ecoava, uma estudante de jornalismo com algumas entrevistas a tiracolo. Eu usava calças jeans desbotadas porque era o que todo mundo usava na época, e J.Lo, Limp Bizkit, Eminem, Britney e Christina estavam em rotação permanente na MTV. Eu conduzi uma entrevista terrível. Os Strokes eram amáveis e ansiosos para falar; alguns deles eram oblíquos (Valensi), outros estupefatos e levemente impacientes (Casablancas). Em algum momento perguntei, “Então, Britney ou Christina?” (mais…)