Tradução: Albert Hammond Jr fala sobre o impacto de “Alien Lanes” do Guided by Voices em sua musicalidade

abril 6, 2015 4:42 pm Publicado por Deixe um comentário

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Albert Hammon Jr revisita Alien Lanes de Guided by Voices. O guitarrista dos Strokes fala sobre a influência do disco clássico

Por Ryan Bray
Tradução Equipe TSBR

Em uma recente noite de domingo em março, Albert Hammond Jr se reconectou com seu eu do ensino médio. Esqueça por um minuto que estamos falando do guitarrista dos Strokes, uma das mais populares e influentes bandas de rock dos últimos 15 anos. Por 41h13, Hammond dirigiu pelas ruas de Nova Iorque ouvindo Alien Lanes, o singular disco de 28 faixas dos fieis do indie rock, Guided by Voices.

“Eu costumava fumar cigarros sempre, dirigir meu carro, e ouvir GBV realmente alto”, Hammond disse sobre a icônica banda de Ohio.

Em comemoração aos 20 anos de Alien Lanes, falamos com Hammond sobre como o álbum inspirou os primeiros trabalhos dos Strokes, seus passeios bêbados com Robert Pollard, e como o disco continua a crescer depois de todos esses anos.

Como você descobriu Guided by Voices?

Lembro que me reconectei com um amigo. Éramos amigos na escola. Ele era um ou dois anos mais velho, tipo 15 ou 16. Ele realmente estava apaixonado por música. Ele era esse cara que amava música e não dizia às pessoas, mas se te dissesse, era como se você tivesse merecido saber. Ele estava tocando Vampire on Titus. Houve essa noite em sua casa que tocamos ‘Donkey School” 100 vezes. Eu estava ouvindo Alien Lanes ontem à noite enquanto dirigia pra casa porque eu sabia que ia fazer isso, e me lembrou de um tempo que parecia tão longe. Quando você é mais jovem, você tem ídolos mais velhos. Mas eles eram como meus ídolos modernos que me fizeram sentir que poderia fazer isso.

Há definitivamente aquela qualidade do Ramones neles, em que parte do apelo é como eles fazem o rock parecer acessível ou perto da terra.

Pra mim, era mais sobre melodia. Eles eram como meus Beatles. Eu estava tipo “Wow, eu não sabia que bandas ainda estavam fazendo coisas melódicas”. Foi tão bonito pra mim, é isso. Eu não sabia quem eles eram ou o que eles eram. Até que eu vi o vídeo “Watch Me Jumpstart”, eu realmente não sabia muito sobre eles. Então você descobre que são de Ohio (risos).

Certo, um dos últimos lugares onde você procuraria por bom rock.

Sim. Há algumas pessoas que procuram por tudo e sabem tudo (sobre suas bandas favoritas), e há outras pessoas que levam mais tempo. Eu estava nessa última categoria, então, pra mim, por muito tempo eles eram como esses personagens míticos. Mas ele tinham melodias incríveis. Eu não conseguia acreditar.

Parece que é sempre Bee Thousand ou Alien Lanes quando se pergunta às pessoas sobre seus discos favoritos de GBV. O que tem em Alien Lanes que salta em você?

Há uma música chamada “Always Crush Me”. Acho que é “Always Crush Me”? Nunca tenho certeza (risos). Eu não sei. Há essas músicas que mesmo se saíssem agora, ainda iriam soar tão modernas, estranhamente. Sinto como se tivessem saído em um tempo em que não se encaixam. Se saíssem agora, realmente acho que seriam uma banda maior. Eu lembro de um momento legal tocando (Alien Lanes) para os caras dos Strokes e teve um grande efeito no Julian. Ele sempre dizia “Wow, soa como música do futuro”. Estávamos falando com Gordon Raphael (produtor de Is This It) quando estávamos fazendo o primeiro disco, você sabe em “A Salty Salute”, o jeito que a guitarra vem com aquele grande acorde, tipo 10 ou 15 segundos depois da linha de abertura do baixo? É como queríamos “The Modern Age” entrasse com o acorde. Então usamos um monte de referências e coisas que aprendemos com Guided by Voices.

Você ouve isso em várias passagens do Is This It, aquelas linhas comuns entre dois discos.

Oh, tem um monte de coisas. Como “Game of Pricks”. No meu mundo perfeito, aquilo teria sido um grande sucesso. Mudou meu mundo. Muitas vezes eram as coisas que eles estavam fazendo com melodia. Apenas te faz pensar diferente. Aquela banda e aquele disco fizeram isso comigo, e eu nunca entendi porque não teve mais apelo. Todas as pessoas falam sobre hi-fi e lo-fi e essa droga que as pessoas não entendem. Só me confunde, porque era tão lindo. Pra mim, com 16 anos, era perfeitamente romântico.

Então você foi o cara que trouxe os outros Strokes para o GBV?

Sim, com certeza. Você está brincando? Ouvi-los, foi como meu grande empurrão. Era como “eu vou fazer isso”. Eu disse isso a todo mundo, então quando me juntei aos Strokes era como “Você ouviu esses caras?” Nós fomos até a um show de GBV, e jogamos nosso CD no palco. Na nossa primeira ou segunda turnê, tocamos com eles e descobrimos que eles realmente ouviram o CD. Trouxemos Bob (Pollard) no palco no Reading pra tocar “A Salty Salute”. Falamos sobre eles o tempo todo, mas o problema é que as pessoas só escrevem o que querem ouvir.

Como foi cruzar essa barreira, ir de um fã para realmente conhecer e tocar com aqueles caras?

Como terminamos abrindo pra eles, eu honestamente não me lembro. Tenho certeza que agarramos a oportunidade. Éramos jovens, mas eles eram mais velhos, e nós apenas admirávamos muito sua música. Você se senta quieto quando Bob conta histórias, eu acho. A melhor coisa que você pode fazer quando conhece alguém que admira é apenas deixá-los ser, sabe o que quero dizer? No começo, suas interações são mais de ouvir, assistir, observar. É como “O que posso pegar? Que pequenos momentos eu posso levar que serão meus pra sempre?” É tudo que seu cérebro pode realmente entender. Quero dizer, o que você pode dizer? Idealmente você gostaria de dizer algo espirituoso que fizesse todo mundo rir, mas as chances são de que isso não aconteça. Eu lembro de uma vez depois de um show em Chicago, Fab (Moretti) e eu estávamos no fundo da van com Bob, e foi tão engraçado. Ele estava bêbado e continuava vindo com esses nomes diferentes de bandas pra nós. Eu não sei, foi como um garoto de 12 anos andando com seu tio legal ou algo do tipo. Ele é um ser humano bacana, e ele fez algumas músicas realmente ótimas.

Sua impressão de Alien Lanes mudou depois de 20 anos? Você ainda pode ouvir agora e pegar coisas que não tinha notado antes?

É uma boa pergunta no geral. Eu acho que depende de como você ouve discos. Às vezes você tira um tempo de um disco porque você absorveu tudo que podia. A repetição se torna demais. Mas eu ouvi ontem à noite durante todo o caminho pela primeira vez em muito tempo, e há todos esses pequenos momentos de diferentes canções que voltaram pra mim. Era como “Oh, isso é ótimo”. São apenas esses pequenos, melódicos momentos. Você esquece às vezes que há uma bateria tocando ou o que for. É o porquê eu digo que eles me lembram os Beatles, porque você ainda pode olhar pra trás, e eles sempre te dão alguma nova fonte de inspiração pra começar. Todo mundo quer começar de um rabisco, mas outras bandas sempre deixam essas ótimas pequenas pistas, e é melhor pagar essas pistas e continuar daí. Sinto como se todos os seus discos, Alien Lanes ou qualquer um, eles estão cheios dessas pequenas referências que inspiram você. Minha esposa estava me falando que eu estava agindo como um garoto de 16 anos (enquanto ouvia Alien Lanes). Eu estava tipo “Eu me sinto com 16!”. Ela disse “Sua energia parece a de um garoto de 16”.

Não é a marca de um grande disco, a forma que ele pode te fazer sentir meio que sempre jovem?

Sim. Acho que você poderia argumentar que é o ponto ideal. Um disco captura um momento no tempo pra eles, e então captura um momento no tempo pra você, esperançosamente. É incrível que alguém possa fazer algo e então você pega aquilo e torna parte de você. É todo o tecido da música, sabe?

O que é legal é que o disco tem essa impressão em você, mas você pode voltar e fazer música com os Strokes e ter o mesmo efeito em outros.

Bem, quando você mesmo o faz, você não se sente da mesma forma. Quando eu os ouço, digo “Quero fazer alguém se sentir do jeito que me senti quando ouvi GBV pela primeira vez”. Mas não é o mesmo quando você sente isso. Há algo tão impressionante sobre eles, e eu apenas não entendo… eu sinto como se mais pessoas fizessem música tão interessante quanto as deles, o mundo poderia ser um lugar muito mais interessante pra se viver. A música deles deveria estar lá em cima, com outras coisas que as pessoas estejam realmente interessadas.

Você mencionou pistas e pontos de inspiração. Uma das coisas que eu amo sobre Alien Lanes é como eles colocam tanto nessas incríveis músicas curtas. É fácil perder coias porque há muita coisa acontecendo em 1:30. Recompensa ouvir repetidas vezes.

Oh, sim. Quando você ouve o álbum todo, você se surpreende com algo que pode não ter entendido no começo se torna realmente melódico e cativante. É o que tem de tão fascinante sobre ouvi-lo 20 anos depois. Você ouve uma música que não tinha ouvido há muito tempo, e atinge você. “Oh, cara, é tão estranho e legal”. Eu esqueci que música eu estava ouvindo, mas eu estava gritando ontem à noite.

É difícil ficar a par dos nomes das músicas do GBV.

Eu sei. Mas eu tenho definitivamente aqueles momentos com algumas das músicas. “Donkey School” foi meu primeiro momento. Então, em Los Angeles, Julian e sua namorada na época e eu estávamos acordados tarde. Alguém tinha me dado esse box na estrada. Eu não tinha ouvido, mas estávamos escutando e essa música chamada “Liar’s Tale” veio. Mais uma vez, me moveu. Não podíamos parar de ouvir. Era como “O que? Como não ouvimos isso antes?”. Mas GBV veio em um tempo estranho para o rock. No meio dos anos 1990, era como se fosse legal não ter sucesso. Era o oposto de quando viemos alguns anos mais tarde. Era como “Foda-se. Eu devo falhar, mas quero fazer sucesso”. Mas eu sei com certeza que (GBV) queria fazer sucesso. Não que não fizeram. Você sabe quando eu falo que não estou os diminuindo. Mas maior, tipo no rádio. Acho que eles se tornaram mais um tipo de coisa cult da faculdade.

Nos anos 1990, havia muito guitar rock. Era difícil ser notado numa escala grande.

É o que quero dizer. É o porquê eu acho que havia muito de “Bem, foda-se tentar ser notado”. Talvez fosse mais legal para algumas pessoas tratar as coisas como um segredo. Tipo meu amigo ficaria chateado se eu tentasse dizer a alguém sobre Alien Lanes. Era como “Você tem que ficar quieto”.

Mas estranhamente esse status de culto serviu a eles. Eles têm uma das mais únicas e leais bases de fãs em toda música. Estive em shows do GBV onde estranhos me compraram cerveja, só porque eu estava lá e aquilo me fazia parte do clube. É como uma sociedade não dita.

Certeza. Você não fica empolgado quando ouve alguém dizer “Eu realmente gosto dessa banda Guided by Voices”? É tipo, “Puta merda”. É como se você encontrasse alguém da sua tribo. Eu gostaria de fazer meu próprio mix daquela banda. Eu sei que eles lançaram alguns hits, mas depois de ouvir todos os discos por tanto tempo, eu gostaria de juntar minhas joias favoritas e as estranhas. É como se a série de Bob Dylan em que há o passo um e o passo dois. Acho que o quinto set era apenas de coisas estranhas ao vivo.

Acho que você deveria ser o curador de sua própria série de Guided by Voices.

(Risos) sim. Talvez eu seja.

Fonte: consequenceofsound.net

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Este artigo foi escrito porTata

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