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Tradução: Albert Hammond Jr fala sobre o impacto de “Alien Lanes” do Guided by Voices em sua musicalidade

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Albert Hammon Jr revisita Alien Lanes de Guided by Voices. O guitarrista dos Strokes fala sobre a influência do disco clássico

Por Ryan Bray
Tradução Equipe TSBR

Em uma recente noite de domingo em março, Albert Hammond Jr se reconectou com seu eu do ensino médio. Esqueça por um minuto que estamos falando do guitarrista dos Strokes, uma das mais populares e influentes bandas de rock dos últimos 15 anos. Por 41h13, Hammond dirigiu pelas ruas de Nova Iorque ouvindo Alien Lanes, o singular disco de 28 faixas dos fieis do indie rock, Guided by Voices.

“Eu costumava fumar cigarros sempre, dirigir meu carro, e ouvir GBV realmente alto”, Hammond disse sobre a icônica banda de Ohio.

Em comemoração aos 20 anos de Alien Lanes, falamos com Hammond sobre como o álbum inspirou os primeiros trabalhos dos Strokes, seus passeios bêbados com Robert Pollard, e como o disco continua a crescer depois de todos esses anos.

Como você descobriu Guided by Voices?

Lembro que me reconectei com um amigo. Éramos amigos na escola. Ele era um ou dois anos mais velho, tipo 15 ou 16. Ele realmente estava apaixonado por música. Ele era esse cara que amava música e não dizia às pessoas, mas se te dissesse, era como se você tivesse merecido saber. Ele estava tocando Vampire on Titus. Houve essa noite em sua casa que tocamos ‘Donkey School” 100 vezes. Eu estava ouvindo Alien Lanes ontem à noite enquanto dirigia pra casa porque eu sabia que ia fazer isso, e me lembrou de um tempo que parecia tão longe. Quando você é mais jovem, você tem ídolos mais velhos. Mas eles eram como meus ídolos modernos que me fizeram sentir que poderia fazer isso.

Há definitivamente aquela qualidade do Ramones neles, em que parte do apelo é como eles fazem o rock parecer acessível ou perto da terra.

Pra mim, era mais sobre melodia. Eles eram como meus Beatles. Eu estava tipo “Wow, eu não sabia que bandas ainda estavam fazendo coisas melódicas”. Foi tão bonito pra mim, é isso. Eu não sabia quem eles eram ou o que eles eram. Até que eu vi o vídeo “Watch Me Jumpstart”, eu realmente não sabia muito sobre eles. Então você descobre que são de Ohio (risos).

Certo, um dos últimos lugares onde você procuraria por bom rock.

Sim. Há algumas pessoas que procuram por tudo e sabem tudo (sobre suas bandas favoritas), e há outras pessoas que levam mais tempo. Eu estava nessa última categoria, então, pra mim, por muito tempo eles eram como esses personagens míticos. Mas ele tinham melodias incríveis. Eu não conseguia acreditar. (mais…)

ENTREVISTA — ALBERT SOBRE OS STROKES: “ACHO QUE NUNCA VAMOS PARAR […] ESTAMOS APENAS JUNTOS”

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Ontem (26), durante o programa na BBC de Zane Lowe, o jornalista bateu um papo com Albert antes de divulgar sua novíssima faixa “Rude Customer” (que você pode ouvir aqui).

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Nosso querido Zane, que sempre tá promovendo primeiras execuções de faixas dos Strokes e seus integrantes, é fã declarado da banda e mesmo colocando palavras na boca do Albert, conseguiu certamente a melhor “entrevista” que tivemos desde o lançamento do Comedown Machine no que toca o assunto The Strokes.

Confiram a tradução a seguir:

Zane Lowe: Eu sempre penso naquele icônico comentário que o Julian fez no começo, que foi “Se nós pudermos ser tão bons como Guided By Voices, eu serei feliz.” Vocês de certa forma estão meio que voltando para esses pontos de partida que inspiraram vocês, ao que parece.

Alber Hammond Jr.: Isso estranhamente acontece às vezes. Eu tenho percebido que você sempre meio que acaba voltando para suas raízes iniciais. Você tem esse começo e depois muda muito rápido para coisas diferentes porque você se empolga e você cresce. Então de repente, você meio que lembra daquilo de novo porque foi a faísca de toda a história, e leva você para outra direção. Não posso dizer ao certo, já que estou no meio disso, se isso é algo normal, se isso acontece sempre ou se é apenas algo que estou vivenciando agora e nunca vou experimentar de novo.

ZL: Nós adoramos esse  EP de cinco faixas, e você parece bem feliz e de certa forma livre. Parece que você está fazendo a música que quer fazer e não há nada sobre os seus ombros aqui.

AHJ: Não poderia existir melhor descrição. Quando fui fazer música com Gus (Oberg, produtor), chegamos em um ponto em que eu tinha músicas suficientes e senti que precisava gravar para meio que escrever músicas novas. Eu estava bem empolgado. Nos sentamos e não íamos fazer nada; não era como se tivéssemos algo acabado, e cada dia tínhamos uma música. Todo dia era como “Oh, uau, isso pode ser algo.” Isso simplesmente deixou a gente bem excitado e em seguida empolgamos o Julian, que depois nos animou para fazer um EP. Mas nunca foi, “Ok, temos que fazer outro.” Era mais “Isso! Vamos fazer mais uma.” Tudo nos levava a mais.

ZL: Isso é o que é engraçado sobre toda essa situação com você e seus amigos, e os Strokes também, é que me parece — e por favor me corrija se eu estiver errado — mas, sabe, o modo como vocês estrearam com um canhão de empolgação, essa chama azul que estourou de forma tão clara e rápida, parece que de certa forma, aspectos da banda ou certamente a banda estava tentando ganhar alguma perspectiva sobre isso — ganhar algum controle da situação — e só agir tipo “Olha, nós apenas queremos ser esta banda, não necessariamente aquela banda.” E agora me parece que vocês meio que alcançaram isso. Eu vejo Comedown Machine, vejo onde você está agora com o seu EP, vejo onde vocês estão e parece que vocês são a banda que sempre quiseram ser, que é serem julgados por suas próprias expectativas, fazendo as coisas com o andamento que vocês desejam e vocês parecem dissipar tudo isso com sucesso. Soa justo?

AHJ: É, eu acho que no processo não é como algo resolvido, mas definitivamente é algo, de modo positivo, que tem acontecido. Não percebemos que isso pudesse acontecer. Agora acontece algo que não aconteceria quando nós começamos.

ZL: Acho que o que estou tentando dizer é que, de certa forma, durante o tempo em que vocês estiveram em hiato, eu não tinha certeza se íamos ter outro disco dos Strokes. Agora eu sinto, como um fã, que eu acho que vocês poderiam fazer 10 álbums dos Strokes.

AHJ: A propósito, tudo que você disse e descreveu sobre a minha vida é melhor de que eu descrevo. Eu quero pegar essa citação sua porque eu não vou repetir isso de novo. Mas sim, nunca senti tanto isso como sinto agora também. Pode ser que haja momentos em que não estamos trabalhando juntos, mas acho que nunca vamos parar. Meio que chegamos a um ponto — temos feito isso por tanto tempo e passamos por tantas coisas — que assim, por que anunciar alguma coisa além das coisas que estamos fazendo? Não é como se nós vamos ficar “Oh, terminamos a banda.” “Oh, estamos juntos de novo.” Estamos apenas juntos.

*Agradecimentos ao Eric do The Strokes News por transcrever e compartilhar a entrevista.