ENTREVISTA COM O ALBERT PARA A FOLHA

abril 13, 2011 11:25 pm Publicado por 5 Comentários

Por Carol Nogueira

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

Gravar “Angles” era questão de vida ou morte, diz guitarrista dos Strokes

Janeiro de 2001. O quinteto nova-iorquino The Strokes lança um EP intitulado “The Modern Age” e provoca uma verdadeira guerra de “quem dá mais?” nas gravadoras.

Dez anos depois –cinco só de hiato–, o guitarrista Albert Hammond Jr. diz que esse tempo foi fundamental para que a banda conseguisse esquecer as pressões por que passou e encontrasse forças para gravar um novo álbum.

“O tempo nos ajudou a ter um novo olhar e colocar as coisas sob perspectiva”, disse Hammond Jr. em entrevista à Folha um dia após o lançamento de “Angles”, o quarto disco da banda e sucessor de “First Impressions of Earth” (2006).

Houve até quem duvidasse do retorno da banda, já que, durante o hiato, quatro de seus integrantes se lançaram em projetos solo.

Embora várias faixas do disco tragam elementos nunca antes explorados pela banda, Hammond Jr. nega que os projetos solo influenciaram “Angles”.

Dias antes de o guitarrista falar com a Folha, o site da revista “Spin” publicou uma entrevista em que ele falava sobre como o seu vício em drogas atrapalhou a gravação do álbum.

“Era uma questão de vida ou morte. Eu precisava fazer algo por mim. Se eles quisessem gravar sem mim, não teria problema, mas, se esperamos tanto tempo, qual seria a diferença em esperar um pouco mais?”, explicou, por telefone.

Clique em “mais” para ler a entrevista na íntegra.

Folha – Vocês acabaram de lançar um novo álbum, “Angles”. O que estão achando da recepção dos fãs e da crítica?

Albert Hammond Jr. – Os fãs parecem muito felizes pelo que tenho visto em shows e no Twitter. Da crítica, eu vi de tudo. Alguns acham incrível, o melhor que já fizemos. É muito animador lançar um novo álbum.

No meio tempo, enquanto os Strokes tiraram um tempo, vocês estiveram em projetos solo. Como isso refletiu no novo álbum?

Nada foi mais influente que os Strokes em geral –sem brincadeira. Nós encontramos forças diferentes em nós mesmos. Descobrimos coisas que queríamos tentar na banda e, ao voltarmos, isso nos ajudou a ter um novo olhar sobre as coisas. É uma coisa boa, ajuda a colocar as coisas sob perspectiva. Às vezes, quando você está no meio de tudo, você não sabe realmente onde está. Você não sabe o que tem e não sabe o que quer fazer em seguida. E quando você sai do círculo, consegue ver de fora dele. E quando você volta ao círculo, tem uma visão do todo. É como alguém que está numa tempestade e alguém que está vendo no noticiário.

Foi essa nova perspectiva que fez vocês voltarem?

Não, na verdade, isso tornou as coisas mais emocionantes. Não tem uma razão só para ninguém ter feito nada. Foram várias pequenas coisas. Não acho que não queríamos fazer esse álbum, nós só precisávamos de tempo.

Várias coisas em “Angles” lembram os discos solos de vocês. “Games”, por exemplo, lembra muito o solo do vocalista, Julian Casablancas, por conta dos sintetizadores. Você diria que é uma influência?

Não, mas não importa. Não acho que estávamos pensando no meu disco ou no do Julian quando gravamos “Games”. Queríamos que tivesse um ar “cool” e isso funciona melhor com teclados, não com guitarras. Pessoalmente, essa é minha música favorita, mas eu não acho que tenha chegado nem perto do que poderia chegar. Da próxima vez, quem sabe façamos algo ainda mais louco. Nós gostamos muito de uma música chamada “Goodbye Horses”, da [cantora] Q Lazzarus. Queria que soasse daquele jeito, tem algo de “frio” nela que a gente sempre gostou.

Vocês já sabem qual vai ser o segundo single do disco?
Ainda não… Conversamos muito sobre isso. Provavelmente vai ser “Taken for a Fool”.

Você leu o que Liam Gallagher falou sobre você?

(risos) Não, não li, mas deve ser incrível.

Um repórter da revista “NME” perguntou a ele como era ser headliner com sua nova banda, Beady Eye, ao lado de vocês nos festivais Reading e Leeds. Ele disse: “Nunca nos sentimos intimidados por eles, não vamos nos sentir agora”.

Eu nunca pensei que ele ficaria intimidado. Liam é um cara engraçado e conseguem citações boas dele. Essa é uma boa para a “NME”. Nem sei por que ele ficaria intimidado pela gente, de qualquer maneira. Ele sempre esteve numa banda incrível e agora teve coragem de recomeçar tudo sozinho.

Você gosta do Beady Eye?

(risos)

No começo desse mês, a revista “Spin” publicou uma entrevista em que você fala sobre como o seu vício em drogas dificultou as gravações do novo álbum. Como foi isso?

As coisas não ficaram mais fáceis ou mais difíceis. São coisas que acontecem na vida. Não é como se eu estivesse em casa só fumando muita maconha ou cheirando muita cocaína. Não era isso. Era uma escolha entre a vida ou a morte, entende? Eu precisava fazer alguma coisa por mim, não tinha nada a ver com a gravação do disco. Se eles quisessem gravar o disco sem mim, não acho que teria problema, mas acredito que, se esperamos tanto tempo para isso, qual seria a diferença em esperar um pouco mais? Infelizmente, não tem a entrevista inteira ali. Eu nem sabia que eles fariam assim. Eles me perguntaram questões grandiosas e, quando vi, estava publicado na web. Mas, deixa pra lá. No devido tempo, as coisas positivas vão emergir e as coisas ruins serão esquecidas. Tudo ficará bem.

Há uma banda nova chamada The Vaccines. O que você acha de eles serem chamados os novos Strokes?

Eu nunca ouvi… Como eles se chamam?

Vaccines. Vem da palavra “vacina”…

Ah, ok. Eu já te falo. Eu desejo boa sorte pra eles em serem chamados os novos Strokes. Isso definitivamente não é uma coisa muito divertida. Vamos lá. “Post Break-Up Sex”. [silêncio, ouve-se ao fundo Hammond Jr. escutando a música]. Hum, parece legal. Eu ouvi só 30 segundos, mas veria um show deles, por que eles me lembram a gente. Mas o som não é nada parecido com o nosso. Talvez [os críticos] tenham visto o nome do EP “Post Break-Up Sex” e pensado: ‘hum… quem mais fala sobre sexo no EP de estreia?'” [se referindo a “Modern Age” (2001), que tinha o hit “Last Nite”, que alavancou o sucesso do grupo]. Eles também têm um vocalista com um timbre semelhante ao de Julian. Mas é só isso.

No ano passado, vocês se apresentaram na casa Dingwalls, em Londres, sob o nome Venison. O que isso significa?

Eu não tenho a menor ideia. Eu não me lembro, quem me dera… Era meio que uma piada. Tinhamos essa ideia de fazer um show sob um nome diferente, já que muita gente ia querer ver, já que era nosso primeiro show em anos, e isso ia causar um tumulto. Alguém falou Venison e achamos hilário. Então fizemos as camisetas, a conta no Twitter e todo mundo achou engraçado, mas não quer dizer nada.

O vídeo de “Under Cover of Darkness” mostra a banda tocando separada de Julian Casablancas, e a letra da música diz: “Não vá por aí, eu vou esperar por você. Até logo, meu amigo…”. Foi intencional?

Foi intencional, mas não pelos motivos que você deve estar pensando. A letra fala sobre um casal de namorados e ele está indo para a guerra. Não tem nada a ver com a gente. O conceito do vídeo, segundo o diretor [Warren Fu] me contou, é que o último vídeo nosso, de “You Only Live Once”, mostrava a banda se afogando e todos morriam. Julian ainda não percebeu isso, ele ainda está vagando por aí, pensando que não está morto, e é por isso que ele não nos vê. Então, no final do vídeo, ele percebe que estávamos todos mortos e que agora estamos de volta para tocar juntos. Mas não é como se nós estivéssemos separados, acho que ele não percebe por que está cantando… Enfim. Eu nem sei por que. Eu não pensei muito sobre isso. Vídeos não são tão sérios… Eles são divertidos de fazer. Eu não penso muito sobre eles.

Vocês têm planos de lançar alguma outra coisa, como DVDs? O único que os Strokes fizeram foi um chamado “In Transit”, que era só para membros do hoje extinto fã-clube Alone, Together.

É… Essa foi a única vez que tínhamos alguém com uma câmera conosco. Estávamos falando sobre isso ontem, durante o jantar, que gostaríamos de ter alguém com uma câmera durante a turnê de “Room on Fire” (2003) e “First Impressions of Earth” (2006). Mas ninguém tinha uma câmera. Da próxima vez que tiver alguém, teremos um documentário ou algo ao vivo. Acho que, da próxima vez que fizermos, vai ser algo com apresentações ao vivo e vídeos de ‘backstage’… Esse tipo de coisa. As nossas bandas favoritas não tinham essas coisas. É legal não saber [o que acontece nos bastidores]… Mas eu concordo. Deveríamos ter filmado, nem que fosse só pra gente. Tarde demais! (risos)

O vocalista Julian Casablancas e o guitarrista Nick Valensi têm dito em entrevistas que vocês já estão gravando material novo. Como é isso?

Temos material que não entrou nesse disco. Vamos começar a trabalhar em algumas músicas novas entre os shows. Mas queremos fazer tudo devagar, por que quando você começa muito rápido, não dá pra diminuir o ritmo. Queremos conseguir fazer shows e trabalhar em músicas novas, mas ainda estamos aprendendo a fazer isso. Quando eu digo isso, acho que as pessoas sempre vão pensar: “Mas vocês não deveriam apenas saber como fazer?”. Mas não. É assim que você descobre as coisas. Você comete erros e aprende a fazer direito. Mas parece que ninguém te dá crédito por isso. É como se todos os nossos álbuns, tudo o que a gente fez até aqui, fosse um trabalho em construção.

Vocês têm alguma ideia de quando pretendem lançar algo novo?

(risos) Nós acabamos de lançar um disco. Você acha que eu tenho alguma ideia quando vamos lançar outro? Você está louca. Eu mal sabia quando esse seria lançado. Nos falaram em janeiro que seria lançado em março. Só dois meses antes. Quando me perguntam se vai demorar mais cinco anos, a única vontade que tenho é de dar um soco neles. Um dia, farei isso.

Vocês vêm ao Brasil neste ano?

Acho que vamos no… Final do ano. Não tenho certeza. Houve conversas. Você provavelmente vai saber antes de mim. Então, vai aparecer no site e eu vou falar: ‘ah, ok’. Provavelmente, neste verão ou algo assim, até antes.

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Este artigo foi escrito porTata

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